“Criptos já fazem parte da paisagem”, diz fundador da Digitra.com, que saiu do varejo

Rodrigo Batista, na fundação da Digitra.

A exchange Digitra.com, criada por Rodrigo Batista, um dos fundadores do Mercado Bitcoin e um dos mais longevos empreendedores brasileiros do mundo cripto, está fechando as portas. A empresa, que começou a operar em 2021, deixa o mercado de varejo em meio à consolidação das exchanges líderes do setor, da entrada dos bancos, da maior sofisticação de produtos oferecidos e do aumento da regulação no Brasil e no exterior. Para completar, o preço do bitcoin embicou para baixo nos últimos meses e arrastou os de outras moedas digitais.

A Digitra.com começou sua história anunciando o uso de infraestrutura da Nasdaq, um diferencial, e foco em ser uma exchange brasileira global. Mas, no meio do caminho “houve uma mudança estrutural. Com a institucionalização do setor, cripto está deixando de ser um mercado de nicho. Já faz parte da paisagem. Tem até consultor de investimentos em rádio falando do assunto”, disse Batista em entrevista ao Blocknews logo após anunciar o fim da operação.

Embora criptos ainda não sejam a maior parcela dos valores que vão e vêm, os números crescem, em especial no uso de stablecoins para pagamentos. Mas, é tudo fora dos trilhos dos sistemas tradicionais. As fraudes e uso ilícito também preocupam. Por tudo isso, os reguladores passaram a dedicar mão de obra, tempo e dinheiro para fazer a regulação do setor.

E nesse movimento, a régua foi colocada no alto, com cobranças de capital, governança e time de diretores, por exemplo, que nem todos conseguem seguir. Esse, diz Batista, foi um dos motivos do fechamento.

Quem precedeu a Digitra.com

Não é de hoje que empresas que atuavam no varejo decidiram tomar caminhos menos tortuosos até mesmo antes da regulação. A Liqi foi uma delas, focando em tokens de ativos e B2B. A Bitfy também, que passou a ser BWS com foco em B2B e o Z.ro Bank fez caminho semelhante de sair do B2B pqra ficar só no B2B. A NovaDax anunciou recentemente que deixou o Brasil. Outras podem seguir a fila.

Batista afirma que num negócio como o de cripto, muita liquidez é fundamental e para isso, líderes como Binance e Coinbase encontraram modelos de negócios que funcionam. A Binance, líder mundial, está por todo o mundo e com vários braços de negócios. Aqui, tem a corretora Sim;paul de produtos tradicionais que diz que usará para ativos digitais.

Enquanto isso, a Coinbase, segunda do ranking global, se aproximou do setor financeiro com parcerias até com a Blackrock, maior gestora de ativos do mundo, com a bagatela de US$ 15,3 trilhões sob gestão.

No início, um foco grande da Digitra.com foi a Ásia. Mas com as mudanças estruturais e regulação, os cerca de 200 mil cliente estavam entre o Brasil, aquela região e alguns na Europa. Batista compara criptos a jogos. No começo eram nicho, agora estão no mundo dos negócios.

Próximos passos

“Não posso reclamar porque aproveitei bem essa de transformação financeira. Participei dos sandboxes do Banco Central (BC), da CVM (Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Susep (Superintendência de Seguros Privados). Até o final do ano, meu foco é resolver as questões da Digitra. Quero que todo mundo saia bem. Eventualmente posso associá-la a alguém para uma licença. Mas o varejo, vou desligar”.

O próximo passo da Digitra.com, que começou a avisar os clientes do fechamento nesta quinta-feira (20), é permitir saques de criptomoedas até 21 de setembro. Para sacar em real, o limite é 19 de outubro. A empresa também fez parceria com a Foxbit, a mesma com quem a NovaDax fez acordo.

Seus clientes podem optar por abrir conta nela, se quiserem. Mas, passando pelo processo de cadastro e verificação. Para fazer a migração, terão também até 21 de setembro. depois disso, o que estiver na Digitra.com será liquidado. De acordo com a Foxbit, quem vem da Digitra.com terá desconto nas taxas de negociação e taxas regressivas, ou seja, quanto maior o seu volume, menor a taxa.

Além disso, Rodrigo manterá as atividades que já tem em startups, inclusive de blockchain. Entre elas, está a de conselheiro e sócio da Laqus, que comprou a Estar Finance, e na seguradora 88i. Essa última, Rodrigo fundou junto com outros empreendedores, entre eles o vice-presidente da Diego Perez.

Correção: O Z.ro não deixou o Brasil como afirmado anteriormente nesta reportagem, mas passou aoenas para B2B.

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