Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Blockchain reduz em 90% tempo de despacho aduaneiro do Brasil a países árabes

A Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCBA) está colocando em produção o Easy Trade, ´módulo em blockchain para despacho aduaneiro, que ajudará a reduzir de cerca de três semanas para dois dias o processamento de documentos. Esse processo sempre envolve várias partes, vai e vem de documentos físicos e mensagens. Mas no caso das exportações para países árabes, incluem algumas etapas a mais.

“Em quase 70 anos de existência, a Câmara construiu sua história baseada em credibilidade, integridade e confiança na missão de conectar árabes e brasileiros. E neste momento de se reinventar, identificou blockchain como a tecnologia que garante esses mesmos atributos no mundo digital”, disse ao Blocknews, o secretário-geral da CCAB, Tamer Mansour. Na entrevista abaixo, ele conta detalhes do Easy Trade e como ajuda a superar desafios.

Foto:https://drive.google.com/file/d/1mdRuT6h9K5CWGXJpxFlr4dOKagPzSuZG/view?usp=sharing

BN: O que é o Easy Trade e é uma solução já em funcionamento?

TM: O Easy Trade é um módulo digital de despacho aduaneiro baseado em tecnologia blockchain e criado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Sua função é automatizar, acelerar e tornar ainda mais seguro o atual processo de despacho de cargas com origem no Brasil e destino nos 22 países que formam a Liga dos Estados Árabes. Até o momento, três governos árabes firmaram acordos para realizar o despacho aduaneiro por meio do Easy Trade. Jordânia começa neste mês o despacho digital integrado. Com isso, dispensa completamente o processamento físico de documentos. Kuwait e Catar também têm acordos com a Câmara Árabe-Brasileira e já realizam parte do processo digitalmente. Estão apenas aguardando que as integrações sejam concluídas e o processo seja unicamente online. Nossa expectativa, no entanto, é que todos os países da Liga Árabe façam a adesão ao módulo, por seus evidentes benefícios.

BN: De que forma o Easy Trade resolve problemas do processo aduaneiro?

TM: O Easy Trade foi concebido para reunir os agentes da cadeia de exportação. Assim, num primeiro momento, inclui as empresas exportadoras, trades de comércio exterior, despachantes aduaneiros, armadores marítimos e operadores logísticos. Além, é claro, das autoridades fiscais, sanitárias e alfandegárias dos países participantes. Os agentes originadores das cargas, no caso as empresas exportadoras e trades de comércio exterior, passam a submeter as informações e documentos referentes às invoices dos carregamentos, seus certificados de origem, certificados de sanidade e certificados halal, que são de produção em conformidade com as crenças do islã, para a validação das entidades emissoras e das autoridades brasileiras e árabes. Após a inserção das informações e documentos no módulo, o que é feito pelos originadores de cargas, as entidades emissoras dos certificados são acionadas automaticamente para validar cada informação e documento do processo. Em seguida, há um cruzamento das informações recebidas para garantir a conformidade e segurança. Caso exista alguma divergência, o processo é interrompido. Após todas as checagens e validações, as informações e documentos ficam disponíveis às aduanas de destino e às autoridades brasileiras. Todo o processo é gravado na blockchain.

BN: Quais os benefícios que já identificaram no uso de blockchain?

TM: Em comparação ao processo analógico, além da maior segurança e confiabilidade, a maior vantagem é que o Easy Trade reduz muito o tempo de processamento de documentação. Em geral, de três semanas para até dois dias, além da diminuição dos custos inerentes ao processo.

BN: Quais são os desafios que a CCAB pretende resolver ao usar blockchain?

TM: Para responder a essa pergunta, precisamos explicar como funciona ou funcionou até aqui o despacho documental de cargas para o mundo árabe. A Liga Árabe impôs há muitos anos que os documentos de exportação de cargas com destino aos países árabes fossem verificados pelas Câmaras de Comércio Árabes espalhadas pelo mundo e pelas embaixadas dos países de destino das cargas. Essa verificação é realizada unicamente com o objetivo de evitar fraudes e garantir a segurança dos consumidores finais, já que no caso do Brasil, 70% das exportações com destino à Liga Árabe consistem em alimentos. O comércio de frango é muito ilustrativo. Quando um importador árabe demanda de um frigorífico de aves, por exemplo, no Paraná, um carregamento de frango griller (tipo galeto), a companhia avícola, após integrar e abater as aves, precisa reunir uma série de documentos. Entre eles a nota fiscal do carregamento, o certificado sanitário emitido pelo Ministério da Agricultura após os devidos testes de qualidade e o certificado de produção halal exigido de todos os produtos de origem animal. Seguindo o processo estabelecido pela Liga Árabe e por cada governo do país de destino, os documentos eram enviados do interior paranaense para a sede da Câmara Árabe em São Paulo. Depois, em alguns casos, para o escritório do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, na mesma cidade, por motoboy. Depois para a embaixada do país de origem em Brasília, novamente por correio. Só depois de validados nessas instâncias todas, o documento seguia para o país de destino, em geral, por avião. Não raro, as cargas chegavam antes da papelada, incorrendo em custos adicionais arcados pelo importador com demurrage, a taxa de permanência de contêineres no porto de destino além do prazo contratado. Todo esse processo, além de burocrático e demorado, é muito caro, sem citar ainda a possibilidade de fraudes.

BN: E blockchain resolveu isso.

TM: O uso da blockchain vem para solucionar esses problemas por meio de contratos inteligentes. Nesses contratos, as regras de validação são automatizadas e verificadas em menos tempo, num processo com ainda mais transparência. A blockchain garante ainda a eliminação do uso de papel e a redução dos custos envolvidos, além do rastreio dos processos em tempo real.  A criptografia da blockchain garante ainda a segurança, a credibilidade, a integridade e a confiança de todo o processo, que são marcas da Câmara Árabe.

BN: Os dados que serão inseridos serão os mesmos compartilhados até hoje ou haverá alguma diferença?

TM: Essa pergunta é muito importante. Os dados constantes no Easy Trade são os mesmos que já são compartilhados pelos importadores e exportadores dos dois lados da relação bilateral com as autoridades fiscais, sanitárias e alfandegárias dos países de origem e destino das cargas. São, portanto, dados públicos, tratados sob regimes legais de confidencialidade de informações inerentes a cada país e à legislação brasileira de proteção de dados (LGPD). 

BN: Isso deve mudar ao longo do tempo, com aumento do número de informações?

TM: De acordo com nosso roadmap de implementação, sim, as informações a serem obtidas e apresentadas pelo Easy Trade sofrerão um aumento ao longo do tempo, deixando de ser apenas informações relativas às transações comerciais bilaterais.

BN: Já houve testes da plataforma?

TM: Sim. A plataforma já foi aprovada em todos os ambientes de testes que configuramos há cerca de um ano. Testes de ponta a ponta, ou seja, do exportador até a alfândega foram realizados com sucesso com o governo da Jordânia, que inicia neste mês o processamento 100% digital. Com o Catar e o Kuwait, os testes foram realizados e o processo já é na sua maior parte digital, aguardando a conclusão das integrações sistêmicas para funcionar apenas em meio digital.

BN: O projeto será implantado em fases? E quais são?

TM: Há um grande roadmap de implementação para o Easy Trade. Neste primeiro momento, queremos concluir o despacho aduaneiro com os demais países da Liga Árabe, incluir novos agentes envolvidos nos processos de exportação e automatizar a “outra mão” do comércio, ou seja, os processos de exportação dos países árabes para o Brasil. Mas, sem dúvida, nosso maior desejo e desafio é garantir a rastreabilidade de toda cadeia produtiva dos produtos comercializados, desde a matéria prima até o produto final na gôndola do supermercado, para que o consumidor tenha ainda mais segurança sobre o que está consumindo.

BN: Como o Easy Trade está inserido na plataforma da Câmara Árabe?

TM: O Easy Trade faz parte da plataforma Ellos, uma ferramenta que a Câmara Árabe desenvolveu para facilitar o dia a dia de exportadores e importadores, brasileiros e árabes. Por meio da Ellos, agentes de comércio nas duas regiões podem encontrar parceiros de negócios, através de um marketplace B2B, além de usufruir de um espaço para reuniões virtuais, um clube de benefícios e serviços para a realização de negócios.

BN: Qual a blockchain utilizada?

TM:. Utilizamos o Hyperledger e nossa estrutura está dividida entre a IBM Cloud e a AWS. Estamos estruturando os nós com  as entidades certificadoras e já estamos em negociação com outras entidades no Brasil e nos países árabes.

BN: Quantos usuários já há na plataforma? Quantos deverá ter em um ano?

TN: O comércio entre o Brasil e a Liga Árabe movimenta atualmente uma corrente de comércio de cerca de US$ 18 bilhões. Só o Brasil envia para o bloco um total anual aproximado de US$ 12 bilhões em produtos diversos, principalmente, açúcar, carne de frango, carne bovina e grãos. Esse comércio tem milhares de empresas participantes. Esperamos que, em breve, todas elas utilizem o Easy Trade. 

BN: Quem são as empresas usuários? De quais setores?

TM: Empresas de todos os portes que exportam para países árabes. Por exemplo, frigoríficos, trades de commodities agrícolas, exportadores de frutas, derivados lácteos estão entre as mais numerosas. Há também empresas de cosméticos. À medida que a plataforma se consolide, outros setores serão incorporados. Haverá também autoridades brasileiras e árabes envolvidas nos processos de exportação, assim como entidades governamentais reguladoras.

BN: Qual o investimento na plataforma?

TM: A Câmara não divulga valores relativos a investimentos.

Bolsa de Singapura anuncia parceria com 10 bancos globais na Marketnode

A Marketnode, joint-venture para emissão de ativos digitais de renda fixa da bolsa de Singapura (SGX) e da empresa de investimentos do país Temasek, anunciaram parceria com 10 dos maiores bancos do mundo. As instituições vão colaborar na construção da plataforma, além de ajudar a expandir seu uso além da renda fixa, segundo a SGX.

As instituição são Barclays, BNP Paribas, BNY Mellon, Citi, Deutsche Bank, HSBC, Orient Securities International, Standard Chartered, Societe Generale e United Oversees Bank (UOB, de Singapura).

A Marketnode vai lançar serviços de emissão de ativos digitais, apoio em títulos ESG e infraestrutura para depósito de ativos digitais. A previsão de lançamento é no último trimestre de ano.

Será uma plataforma de registro distribuído (DLT) de ponta a ponta para renda fixa. Os serviços incluem, por exemplo, simplificação de processos de documentação, relatórios ESG e mecanismos de acesso a mercado.

Bolsa de Singapura mira mudança do setor financeiro

“Continuamos a abraçar a mudança de paradigma pela qual a indústria financeira está passando com a emergência de novas tecnologias”, disse Lee Beng Hong, líder de renda fixa, moedas e commodities da SGX.

E disse que as parcerias tanto com bancos, como com empresas de tecnologia, ajuda a criar efeitos de rede e escalabilidade para vários ativos. Já ha parcerias com a Covalent Capital, a fintech de Singapura RootAnt Global e com a plataforma blockchain britânica SETL.

81 das 100 maiores empresas em bolsa têm projetos em blockchain

Blockchain entrou na vida das 100 maiores empresas com ações em bolsa, sendo que 81 delas têm projetos ativos. Tirando as que estão na fase de pesquisa, são 65 desenvolvendo soluções e 27 com projetos já em operação. E o que mais usam é Hyperledger Fabric, segundo pesquisa da BlockData.

Os principais usos da tecnologia são em serviços de infraestrutura de blockchain (plataformas BAAS) e rastreamento de origem em cadeias de suprimentos, de acordo com o levantamento. Um outro uso que se destaca é o de compensação e liquidação de ativos financeiros.

A Blockdata afirma que como muitas informações são confidenciais, não é possível saber se quem estava em fase de testes continuou esse processo. Porém, há a informação de que das 100 empresas, 19 desativaram iniciativas, sobrando, então, 81. Os dados são deste mês de setembro.

O estudo aponta ainda que as empresas usam 30 soluções diferentes. Mas, 11 utilizam mais de uma solução de blockchain, que se distribuem em diferentes projetos. “Outras estão simplesmente fazendo testes para ver qual delas é melhor”. Das que testam diversas possibilidades, SAP (5), Microsoft (4) e Accenture (4) lideram a lista.

11 empresas, como SAP e Microsoft, usam mais de uma blockchain

Blockchain-adoption-stage

A plataforma permissionada Hyperledger Fabric está em 26% dos casos de uso. A solução tem foco em uso corporativo, assim, permite transações privadas e informações confidenciais. Além de ser adaptável para qualquer setor. Uma vez que o estudo aborda as maiores empresas em bolsa, inclui aquelas fora do segmento de criptoativos, o que também ajuda a explicar essa predominância.

Em seguida vem a Ethereum, com 18% dos casos de uso entre as empresas listadas em bolsa que usam blockchain. É uma plataforma descentralizada e construída para permitir o uso de contratos inteligentes. Embora esteja em segundo lugar, é uma participação bastante significativa.

Na sequência vem a Quorum, que o banco JP Morgan Chase criou em 2017 para uso no mercado financeiro. Depois, a Consensys, a comprou. Sua participação é de 11%. A plataforma permite às empresas desenvolver uma solução permissionada sobre a Ethereum, que é descentralizada. Nela é possível, portanto, fazer operações e contratos com privacidade. No entanto, a Consensys quer expandir sua abrangência para outros setores.

Hyperledger, Ethereum, Quorum e Corda lideram preferências

Are you interested in the full breakdown, methodology and sources for these statistics? Would you like more insights in the blockchain projects undertaken by these top 100 companies and which blockchain companies they have invested in?
Tecnologias que cada empresa testa; algumas usam várias soluções.

E com 8% de participação está a Corda. Construída pela R3, que inicialmente era um consórcio de instituições financeiras, também é permissionada e privada. A empresa aponta como uma característica importante da solução o fato de permitir transações de alto valor de forma privada e com segurança. Dessa forma, tem bastante uso em transações em finanças.

A Mediledger, projeto da Chronicled, está em 3% dos projetos. Seu uso tem foco em rastreabilidade na cadeia de suprimentos. E se destaca no setor farmacêutico, que tenta reduzir custos ao controlar, por exemplo, desvios e falsificações.

China proíbe negociação de criptomoedas e mineração

A China tentou colocar mais algumas pás de cal na mineração e negociação de criptomoedas no país. O governo informou hoje (24) que proibiu transações de critpos e apertou o cerco contra a mineração, indo além das medidas de maio deste ano que foram no mesmo sentido. Houve impacto negativo na cotação do bitcoin e altcoins, assim como nos preços de ações de empresas ligadas ao setor.

O governo alega que as negociações de criptomoedas aumentaram e perturbam a ordem econômica e financeira. Assim, estão “gerando atividades ilegais e criminosas, como jogos de azar, arrecadação ilegal de fundos, fraude, esquemas de pirâmide e lavagem de dinheiro, colocando seriamente em risco a segurança da propriedade das pessoas”.

Dessa forma, prepara ainda mais o terreno para que sua moeda digital de banco central (CBDC) seja a principal ou única escolha de moeda digital no país. Até onde se sabe, seu projeto é o mais avançado do mundo nessa área.

As proibições não se relacionam à tecnologia blockchain, da qual a China é uma entusiasta. O país chegou a declarar que seria o hub mundial de uso da solução. Além disso, usa e testa em diversas áreas.

Em relação à negociação de criptomoedas, os reguladores financeiros e de segurança cibernética da China informaram que bancos e outras instituições financeiras não podem oferecer serviços relacionados a criptomoedas.

China investigará quem trabalha em bolsas de criptomoedas no exterior

Quem trabalhar para bolsas que estão no exterior, mesmo que seja em suporte para tecnologia, será investigado. Em 2017, a China proibiu o câmbio entre moedas fiduciárias e criptos, além de bolsa de criptomoedas. Essas saíram no país, só que parte de suas operações continuaram em terras chinesas.

A cripto Tether (USDT), a principal moeda estável (stablecoin) e usada em finanças descentralizadas, foi considerada ilegal. O governo avisou que canais que trazem informações sobre criptomoedas serão fechados e a polícia será feroz contra quem exercer atividades ilegais.

Em mineração, a saída do país dessa atividade não será agora, mas vai acabar, segundo o governo. A alegação é de que é um setor que polui muito, já que usa muita energia – o que na China significa, basicamente, uso de carvão. Assim, diz que é uma indústria “fora de moeda” e inconsistente com seus planos de sustentabilidade.

Mineração está com dias contados

Portanto, o que é ilegal será fechado, não haverá permissões para novas mineradoras e quem está no mercado deve começar a se preparar para sair dele. Isso inclui acabar com os benefícios fiscais que governos locais deram para mineradores, ou seja, incentivos para esses negócios existirem.

Uma das formas que o governo vai verificar se há atividade ilegal de mineração é pelo consumo de energia.

O valor do bitcoin chegou a cair para US$ 40.900 e subiu um pouco, mas mantinha cotação em baixa. Às 12h42, a queda em 24 horas era de 3,86%, para US$ 41.884, segundo o CoinMarketCap. Ethereum caia 8,13% para US$ 2.849.

*Atualização em 24/9/21 às 12h45 com detalhes das proibições e cotações de bitcoin e ether.

eToro tenta se diferenciar entrando em finanças descentralizadas

A plataforma de investimentos eToro, que funciona como uma “mídia social” e oferece também criptomoedas, entrará em finanças descentralizadas (DeFi). A empresa afirma que oferecerá exposições de longo prazo a projetos-chave para seus 23 milhões de usuários registrados.

Com finanças descentralizadas, a eToro tenta se diferenciar de quem apenas trabalha com negociação de criptomoedas. Esse é, alias, um caminho que outras empresas do setor parecem começar a seguir.

A Coinbase, por exemplo, tentou lançar um produto em que pagaria 4% para quem emprestassem suas moedas à bolsa. Que, por sua vez, emprestaria a terceiros. Mas, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) barrou a iniciativa.

O portfolio da eToro inclui 11 criptoativos de DeFi. Dentre eles há, por exemplo, o Ether (ETH), Uniswap (UNI), Chainlink (LINK), Aave (AAVE), Compound (COMP) e Yearn.finance (YFI).

De acordo com Dani Brinker, líder de portfolio de investimentos da eToro, “nos últimos meses surgiram milhares de criptoativos. Mas para quem não tem tempo de se informar sobre cada um deles, o mercado parece um campo de minas”. A plataforma escolhe os ativos e seu modelo permite que os investidores troquem informações sobre suas estratégias.

A empresa, que tem base em Israel, afirma que teve receita bruta de US$ 605 milhões em 2020. Portanto, um crescimento anual de 147%. O número de novos usuários cadastrados cresceu em 5 milhões. Em janeiro passado, teve mais de 75 milhões de operações, afirma a empresa.

Yoni Assia, co-fundador da empresa, afirma que usa seus ganhos na eToro em projetos sociais.

Ministério inclui GoLedger no grupo de Empresas Estratégicas de Defesa

O Ministério da Defesa qualificou a GoLedger, de soluções em blockchain, como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Além disso, inseriu a solução GoFabric como Produto Estratégico de Defesa (PED), conforme portarias publicadas na edição desta quinta-feira (23) no Diário Oficial da União (DOU).

Um dos requisitos para uma empresa ser EED é ter no Brasil “comprovado conhecimento científico ou tecnológico próprio ou complementado por acordos de parcerias com instituições científicas e tecnológicas”, segundo o ministério. A emprese deve, portanto, fazer pesquisa, desenvolver tecnologia, produto ou processo.

Já PEDs são produtos, serviços ou informações de interesse estratégico da pasta. Isso por conta da tecnologia que possuem, dificuldade de compra ou por serem imprescindíveis para as forças. A normas de compras da Defesa estão na lei 12.598/2012.

Além da Defesa, GoLedger tem contrato com São Paulo e Ceará

Otávio Soares, COO da GoLedger, di que selo da Defesa aumenta visibilidade internacional.

A GoFabric é uma solução que a GoLedger desenvolveu para orquestração de redes em blockchain Hyperledger. É tanto para o setor público, quanto para o privado. A empresa pediu a inclusão somente dela porque suas outras soluções são módulos dessa plataforma.

Essa é a mesma solução que a Polícia Militar de São Paulo e a Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) contrataram após a GoLedger vencer suas licitações. A startup nasceu com foco em governos, mas neste ano começou a apostar também no mercado privado. 

Para Otávio Soares, COO da GoLedger, os selos EED e PED “são mais uma chancela de que nossa plataforma está pronta, é segura e possui características inovadoras no mundo”. O selo, segundo ele, poderá ser exigido em editais.

Além disso, ao ser uma EED, a GoLedger passa a ter maior visibilidade internacional. “Principalmente no segmento de defesa e segurança pública, onde o próprio ministro se encarregará de nos apresentar em feiras internacionais como parceiros do estado brasileiro.”

Recentemente, ficou na lista de 30 selecionadas na primeira fase do terceiro edital do ‘Programa Petrobras Conexões para Inovação – módulo Startups’. Recebeu, ainda, o prêmio de Startup Destaque do InovAtiva Brasil.

Em 2020, participou do teste de novas tecnologias nas eleições.  E criou o primeiro portal do mundo de Consentimento e Indexação de Bases Pessoais com base nas leis de proteção de dados da Europa e do Brasil. 

Blockchain na defesa do país

Blockchain na Defesa não é assunto novo e aparentemente, há chances de que o Exército tenha de usar a tecnologia. O caso de uso se tornou um vai e vem de decisões.

Isso porque em março e abril de 2020, o Comando Logístico do Exército Brasileiro (Colog) estabeleceu que haveria rastreamento e identificação de produtos controlados pela Força com blockchain. Logo em seguida, houve revogação das normas sem maiores explicações. Portadores de armas como colecionadores e caçadores reclamaram das normas.

No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal em Brasília pedindo o restabelecimento das portarias. Isso porque considerou ilegal a revogação das normas em abril.

No último dia 15 de setembro, o Colog voltou a emitir portaria sobre rastreamento de PEDs. Só que um dia depois, o Procurador Geral da República (PGR), Augusto Aras, considerou improcedente um pedido do Partido Democrático Trabalhista (PDT) de que a revogação das normas sobre uso de blockchain são inconstitucionais.

E no mesmo dia 16, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou decisão contrária. Assim, com base em pedidos do PDT e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que o Exército volte com a norma que estabeleceu uso de blockchain.

Criptoativos se assemelham ao que gerou crise financeira de 2008, diz governo dos EUA

O Controlador da Moeda em exercício dos Estados Unidos (EUA), Michael Hsu, disse nesta terça-feira (21) que há semelhanças entre o crescimento dos ativos digitais e o surgimento, no inicio dos anos 2000, da crise financeira global que estourou em 2008.

A crise aconteceu por inadimplência que, por sua vez, surgiu com empréstimos imobiliários frenéticos dados por instituições financeiras. Os empréstimos aconteciam sem os devidos cuidados de considerar a capacidade de pagamento de quem tomou a dívida. Isso porque o setor usou uma engenharia financeira criando derivativos, como há em DeFi.

Hsu, que chegou em 2004 e viu de dentro do OCC a crise eclodir, fez a declaração num encontro na Blockchain Association. E disse que a associação tem o poder de “mudar os rumos e evitar uma crise”.

Logo no início, Hsu citou a frase “aqueles que não podem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo”, do filósofo e poeta George Santayana. A chamada crise do subprime nasceu também de uma “revolução”, indicou Hsu, que criou mecanismos para que os bancos pudessem emprestar mais. Importante lembrar que Hsu e outros reguladores viram isso de perto e nada contiveram os riscos.

Mundo dos criptoativos se tornou perverso, diz OCC

Michael Hsu, Controlador da Moeda interino dos Estados Unidos. Foto: OCC.

Citando o livro Fool’s Gold, da jornalista Gillian Tett, que fala da crise do subprime, Hsu questiona se assim como os bancos, o segmento de criptoativos está fazendo uma inovação perversa.

“Na semana passada, as bolsas ofereciam contas de poupança de moedas estáveis com ganhos anuais de 4% a 14,5%. Para os investires que buscam altos retornos, várias plataformas de DeFi oferecem staking (ganhar dinheiro deixando a cripto na conta), yield farming ou mineração de liquidez. Não precisa comprar ou vender. Como os retornos são gerados? Se alguém seguir o dinheiro, o que existe no final”, questionou.

O ponto, segundo ele, é que as plataformas DeFi e cripto estão principalmente com foco em aumentar as negociações. Assim, é raro que criem soluções para resolver os problemas da economia real e que protejam compradores e vendedores de fraudes ou que facilitem pequenas transações.

Para ele, uma corrida a moedas estáveis poderia desestabilizar o ecossistema. Porém, eventos como forks, ataques de hackers e empréstimos relâmpagos têm o mesmo risco. O OCC reconhece que até agora se superaram problemas que aconteceram. Porém, um fator que beneficia as criptos e DeFi hoje é que o uso é, em geral, “por quem acredita na tecnologia, sabe dos riscos e até pode perdoá-los”.

“Siga o dinheiro, entenda como se ganha e se perde”

Ele afirmou que realmente criptoativos e (DeFi) podem ser uma ameaça ao status quo do sistema financeiro, já que pregam a democratização, descentralização, segurança e nada de bancos. Isso porque “muita gente se sente ignorada e exploradas pelos bancos”.

No entanto, essas pessoas entram no ecossistema em busca de mais dinheiro e que seja seguro. E à medida que crescem no segmento, vão dominar as reações do setor ao que acontece, ou seja, podem criar corridas às plataformas e desestabilizar os DeFi e criptos.

Dessa forma, a inovação deveria seguir três pontos, afirmou: o primeiro é estar ancorada em propósito. Nesse caso, olhando não apenas para o que precisa ser melhorar, mas por que é importante que melhore. “Como DeFi está ajudando a ser menos caro ser pobre?”, perguntou.

O segundo ponto, afirmou, é questionar a tecnologia blockchain, o que pode reduzir os ganhos no curto prazo, mas gerar sustentabilidade no longo prazo. E por fim, “siga o dinheiro”, ou seja, “explicar como se ganha e se perde dinheiro”. E alertou: “A resposta não pode no disfarce de jargões se o objetivo é construir confiança e resiliência ao longo do tempo”.

Logomarca do Blocknews é registrada em blockchain

Agora, a logomarca do Blocknews é mais uma que tem registro em blockchain. O registro aconteceu nesta segunda-feira (20) por meio da Inspire IP, plataforma com foco em direitos autorais na rede Ethereum. Dessa forma, será possível verificar com segurança que a logomarca pertence ao Blocknews caso, no futuro, alguém tente se apropriar indevidamente da mesma.

Já há diversos casos em que a Justiça reconheceu que registro em blockchain é válido como prova em processo. Assim, cria-se direito de propriedade de ativos como logomarcas, patentes, licenças e direitos autorais. “É uma precaução”, afirma Caroline Nunes, fundadora e CEO da Inspire IP.

Com isso, é possível possível verificar informações como data do registro, autenticidade, origem e propriedade. A transação da logomarca do Blocknews pode ser verificada pelo link https://etherscan.io/tx/0xb76df5340e825369358d56509eb85fabfc74ff7f33a418fd9ee878d5b513efd2 . Esse tipo de registro permite verificar informações como data, autenticidade e origem.

Registro em blockchain já tem reconhecimento da Justiça

A criação da logomarca para o Blocknews é da designer Márcia Aguiar.

O processo na plataforma da Inspire IP durou cerca de 5 minutos e o custo foi de R$ 50,00. O próprio Blocknews fez o registro.

Optamos pelo registro em blockchain porque se houver alguma mudança da logomarca no futuro, mesmo que isso não esteja previsto, será mais fácil realizar um novo registro, em comparação com o trâmite no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Nesse instituto, já está em curso o registro da marca Blocknews.

De acordo com Caroline, muitas empresas fazem registros de ativos como patentes, marcas e direitos autorais em blockchain mesmo que já tenham começado o processo em órgãos oficiais. Isso porque esses processos podem durar meses – no caso de patentes, até anos. Dessa forma, empresas e autores asseguram o reconhecimento da propriedade por meio de uma informação confiável, segura e imutável.

Zetta volta a criticar Febraban numa gritaria pelas mídias sociais

A “guerra das verdades” entre Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e Zetta, associação de fintechs, teve mais um capítulo nesta terça-feira. Depois do revide da federação no final de semana passado a uma crítica dos entrantes, a Zetta disse hoje “que lamenta que a Febraban evite a discussão sobre a elevação das tarifas bancárias acima da inflação”.

A disputa entre os dois lados gira em torno da regulação que é assimétrica. Mas ambos se dizem prejudicados por essa situação. A discussão está se dando pelas redes sociais, numa “gritaria” de acusações. O Banco Central, a quem as críticas são na verdade endereçadas, estuda mudanças na regulação.

A associação dos bancos digitais começou com Nubank, Mercado Pago e Google (esse último não consta mais como membro) e tem 14 membros. De acordo com seu post de hoje, afirmou que “a assimetria regulatória favorece os bancos tradicionais com vantagens competitivas e econômicas“. Portanto, diz que as fintechs têm maiores exigências financeiras e mais requisitos legais.

Tudo começou na semana passada quando a Zetta criticou a Febraban por conta de tarifas bancárias. A federação se defendeu no domingo (19). Na ocasião, disse que os juros do Nubank em cartão de crédito rotativo e crédito consignado, no final de agosto, superou os dos cinco maiores bancos.

Zetta diz que juros de bancos no cartão são maiores

No entanto, em sua resposta de hoje (21), a Zetta afirmou que a média das taxas de juros do cartão rotativo dos membros da associação ´e de 10,66% ao mês. Enquanto é de 12,86% dos cinco maiores bancos. E que as fintechs têm receita menor com tarifas.  

À fala da Febraban de que pagam mais impostos do que as fintechs, a Zetta também fez um contraponto. Afirmou que ao analisar os balanços desses bancos, “vê-se que a alíquota nominal sofre uma série de deduções que reduz bastante o imposto efetivo”. Enquanto “as fintechs pagam todos os impostos com muito menos deduções”.

“Apenas bancos podem receber depósitos à vista. Dessa maneira, eles não remuneram seus clientes e ainda podem usar o dinheiro deles para conceder empréstimos. As fintechs não têm essa permissão. Nos depósitos em instituições de pagamento, 100% dos recursos ficam travados em títulos públicos”, completou a associação dos bancos digitais.

A Zetta cita ainda em seu comunicado que há favorecimentos aos bancos em relação ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e liquidez em transferências. Assim como no capital mínimo para a licença de funcionamento como instituição financeira.

Febraban e bancos digitais fazem “guerra das verdades” de olho na mudança – ou não – da regulação

Zetta , quer falar mesmo a ‘verdade’? ‘Cê não conta’ pra ninguém, mas a gente conta!” Foi assim que a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), sempre contida em seus pronunciamentos públicos, foi às mídias sociais defender o segmento. Com isso, rebateu a críticas da associação de bancos digitais e repetiu que existe uma concorrência desleal devido a benefícios regulatórios e trabalhistas dados às fintechs.

Na semana passada, a Zetta postou uma reportagem do Valor Investe sobre um estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre tarifas bancárias. De acordo com o levantamento, a maioria das tarifas avulsas dos cinco maiores bancos do país subiu mais que a inflação de junho de 2020 a julho de 2021. Mas, as dos bancos digitais ficaram inalteradas.

O cutuque tem endereço certo: o Banco Central do Brasil (BC), o regulador do mercado. Isso fica claro em trechos como “A ‘verdade’ verdadeira é que as grandes fintechs gostam mesmo é de pagar apenas ‘meia entrada’ e em nada se diferenciam dos bancos. Aliás, só não são bancos para pagar menos impostos, gerar menos empregos, ter poucas obrigações regulatórias e trabalhistas.”

A questão é que é comum os países darem benefícios às startups para facilitar a geração rápida de inovação e disrupção. E para que assim tenham mais chances de ultrapassarem a arrebentação dos primeiros anos de operação. A Febraban espera que essa regra seja revista, ao menos para os bancos digitais que mais incomodam o setor convencional, como o Nubank. O BC está avaliando.

Febraban reclama de juros e Zetta de tarifas

“Não temos vergonha de sermos bancos, muito ao contrário, e também não nos escondemos atrás de letras, marketing e grifes”, afirmou Isaac Sidney, presidente da federação, no post

A Zetta é uma associação recente de 14 fintechs que o Nubank, o Mercado Pago e o Google criaram. O Google não aparece mais na lista de associados e nem na descrição da missão da Zetta, onde se explica que apenas o Nubank e o Mercado Pago criaram a instituição.

Em outro trecho do post, a Febraban afirma que “a Zetta também não conta que as Fintechs pagam bem menos impostos que os bancos, que pagam 45% sobre lucro, sendo 25% de IR e 20% de CSLL, enquanto que as Fintechs pagam apenas 9% ou, quando muito, 15% de CSLL.”

O gancho para entrar nesse assunto foi a informação de que na página do BC há uma “verdade”. E que são “dados que mostram que “na última semana de agosto, a taxa média do juro do cartão rotativo do Nubank era de 291,67% ao ano, MAIOR que a média dos 5 grandes bancos, de 271,68%.” Maior em maiúsculas mesmo.

“No crédito pessoal não consignado, a taxa média cobrada pelo Nubank foi de 62,86% no final de agosto, enquanto a média dos 10 grandes bancos era de 54,54% ao ano e dos cinco grandes 60,65% ao ano”, completa a federação.

Nubank encostou no Itaú como primeiro banco

Dessa forma, a Febraban fez ao Nubank a mesma crítica que os bancos convencionais recebem: a de que cobram juros muito altos. E escolheu como personagem ninguém menos do que o banco digital que está à beira de fazer uma oferta inicial de ações (IPO) na Nasdaq.

A expectativa no IPO é conseguir uma avaliação de US$ 75 bilhões a US$ 100 bilhões. Esses valores equivalem a algo entre 1,5 a 2 bancos Itaú, que tem avaliação de cerca de US$ 55 bilhões.

“A Zetta não contou que o Nubank, que tem cara, porte, produtos e até nome de banco, prefere não se dizer banco, mas cobra juros mais altos dos seus clientes do que a média dos cinco ou 10 grandes bancos brasileiros. Olhe bem!”

O Nubank é a fintech que mais recebeu investimentos na América Latina e é destaque também em rankings globais. Uma pesquisa do que o JP Morgan  divulgou em fevereiro passado mostrou que o Nubank encostou no Itaú na lista do “primeiro banco” usado pelos brasileiros. O maior banco privado do país apareceu em 15,8% das respostas, enquanto a fintech, criada em 2013 apareceu em 14,9%.

Os bancos tradicionais ainda alegam que geraram 500 mil empregos no país “e têm mais exigências, ao contrário das fintechs que não precisam seguir as regras para contratação de bancários”.

Certamente a Febraban pretendia que o post repercutiria na mídia e no setor. Conseguiu. Agora, é ver se consegue convencer os reguladores sobre suas demandas.