Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bolsa de Singapura e Temasek criam empresa sobre plataforma que testou emissão de títulos

A Bolsa de Singapura (SGX) e a Temasek, empresa de investimentos do país criarão a empresa focada na emissão e comercialização de ativos digitais pelo mercado financeiro. A empresa vai focar no fluxo do mercado de capitais por meio de contratos inteligentes (smart contracts), registro distribuído e tokenização.

A iniciativa é uma expansão da plataforma criada pela SGX, a Temasek e o HSBC para emissão do primeiro título digital publico sindicalizado. A emissão foi para a empresa de agronegócios Olam International, em agosto passado. No total, quatro instituições fizeram a emissão. No total, os testes somaram a emissão de US$ 1 bilhão.

De acordo com Beng Hong, diretor gerente sênior de renda fixa, moedas e commodities da SGX, “vamos capitalizar sobre as tendências de digitalização que continuam a moldar o mercado global de capitais. E vamos avançar no desenvolvimento da infraestrutura do mercado de capitais da Ásia”.

Parceiros no mercado financeiro

De acordo com o comunicado das empresas, a parceria une a experiência com diferentes ativos da SGX com o conhecimento da Temasek em blockchain.

As empresas vão buscar parcerias com plataformas de emissão de renda fixa. Assim, pretendem oferecer seu serviço de infraestrutura de ativos e pós negociação a emissores, bancos, advogados, investidores e agentes de pagamento. A empresa vai, ainda, buscar outras classes de ativos emergentes, incluindo fundos sustentáveis.

Economia criativa: vem aí blockchain para fãs de artistas e registro de direitos autorais musicais

Sócios da Stonoex, que desenvolve soluções blockchain para tokenização de ativos, deverão lançar, nas próximas semanas, duas plataformas que usam blockchain e focam na economia criativa. Uma delas, a Fan Token, vai vender experiências com artistas. A outra fará registro de direitos autorais para música.

Ambas são da primeira startup de tecnologia blockchain voltada à economia criativa, disse ao Blocknews Ricardo Azevedo Lima, CEO da Stonoex. Ele é um dos investidores na empresa, que por sua vez é um spin off da Stonoex. Os investimentos seguem o padrão de Lima e seus parceiros. Portanto, começam com R$ 1 milhão para colocar o projeto em modelo inicial.

Na Fan Tokn, “estamos tokenizando a economia criativa”, completou o investidor. “Já temos alguns grandes nomes envolvidos para o primeiro ciclo de lançamento. Queremos apoiar essa classe a diversificar sua receita. Eles tiveram dificuldades com a pandemia, mas têm um ativo muito grande, completou.

Economia criativa para nova renda

De acordo com Lima, a plataforma venderá o que o artista já comercializa offline, como discos, shows e participação em propaganda. “Portanto, não vamos concorrer com essas receitas. Vamos trazer produtos diferenciados, ou seja, criar experiências, mais do que produtos. Por exemplo, um fã poderia comprar tokens para receber um vídeo com uma mensagem de feliz aniversário de seu cantor preferido.

Questionado por que o uso de blockchain na plataforma, Lima respondeu: “esse é nosso mindset”. Isso porque além de investidor na Stonoex, o executivo tem aplicado recursos em outros negócios do mundo cripto e blockchain.

Além disso, Lima e outros investidores são sócios da franquia brasileira da casa de jazz Blue Note. Portanto, essa proximidade com artistas ajudou na criação e desenvolvimento do projeto, afirmou.

Registros de direitos musicais

O modelo econômico está sendo fechado, o que inclui definir valor do token a precificação do que estiver à venda. “Nosso objetivo é dar preço à experiência e não só ao artista”, diz Lima.

Já a plataforma de registro de direitos autorais de música deverá também divulgar as obras junto a intérpretes. “É um serviço adicional, também aproveitando nosso conhecimento da classe artística.”

Em 2020, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) lançou uma plataforma blockchain para registro de direitos autorais..

Há outras startups no ecossistema blockchain envolvidas com o mundo da música e suas necessidades. A Smart Right, por exemplo, arrecada, gerencia e distribui royalties.

Hub de inovação do BIS vai focar em moedas de bancos centrais e blockchain; Brasil participa com open banking

O Hub de Inovação do Banco de Compensações Internacionais, BIS, também conhecido como o banco central dos bancos centrais, vai se concentrar em 6 áreas, sendo que uma delas é a das moedas digitais de banco centrais ((CBDCs).  Uma outra área é a da nova geração de infraestrutura do mercado financeiro, o que inclui tecnologias de registro distribuído (DLT). O BIS anunciou hoje (22) seu plano de trabalho.

Além disso, o hub vai trabalhar em finanças abertas, que inclui open banking, processo que o Brasil vai começar a implantar em 1 de fevereiro. O Brasil, de acordo com o BIS, é parte desse processo, conforme mostra o documento de anúncio do programa de trabalho. Isso porque o país lidera o grupo de trabalho sobre o tema. O líder do grupo é Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe-adjunto do departamento de TI do Banco Central.

Outra área de estudos do hub é a finanças “verdes”. Também haverá foco em segurança cibernética, suptech e regtech.

Hub faz testes em três países

Os projetos, disse o BIS, incluem a prova de conceito (PoC) de uma plataforma que terá várias CBDCs de atacado. Com isso, o banco quer testar se é possível ter pagamentos internacionais mais rápidos e baratos. Haverá, ainda, um projeto de pesquisa e protótipos para arquiteturas de distrubição de CBDCs no varejo. E por fim, um protótipo de DLT pra distribuição de tíutlos verdes tokenizados para investidores do varejo.

As iniciativas acontecerão nos primeiros três hubs de inovação do BIS. Um deles fica em Hong Kong. O projeto foca na distribuição de CBDC para o varejo por meio de bancos e provedores de pagamentos. A ideia é testar uma CBDC híbrida e uma privada, lastreada em moedas criptogradas estáveis.

No hub da Suíça continuará o projeto Helvetia, feito com o banco central do país, SNB, e o operador de infraestrutura financeira SIX. O foco é ligar a SIX Digital Exchange com uma CBDC de atacado para compensações instantâneas por blockchain.

Em Singapura há testes para pagamentos intgernacionais com o uso de DLT e para a realização dos pagamentos com CBDCs. O teste é com a Tailândia. Mas o país está envolvido também em testes com instituições financieras, como JP Morgan, uma rede compensação e clearing para pagamentos, inicialmente com moedas fiat.

Mercado Bitcoin recebe aporte de R$ 200 mi e vai se expandir na América Latina

O Mercado Bitcoin, maior exchange de criptoativos da América Latina, anunciou hoje (21) que recebeu um aporte de R$ 200 milhões de diferentes investidores. A rodada foi co-liderada pela gestora GP Investimentos e Parallax Ventures. Além deles, participaram o Fundo Évora, de Zé Bonchristiano, o FIP da HS Investimentos, o Banco Plural e Gear Ventures, que já é sócia da empresa.

O investimento será usado na expansão internacional da startup, que quer atuar em outros países da América Latina. Em 2020, a empresa contratou Bernardo Quintão, especialista em criptomoedas, para a função de embaixador internacional. Sua missão é buscar oportunidades fora do Brasil.

“Queremos ser uma das cinco maiores bolsas digitais do mundo. Vamos olhar para s mercados como Chile, México e Argentina, que têm uma cultura regulatória mais próxima da nossa”, disse Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin.

Investimento em custódia e carteira

“Nosso propósito de longo prazo é participar da construção de uma nova infraestrutura para o mercado financeiro (FMI), baseada em blockchain, smart contracts e criptoativos”, completou.

De acordo com o comunidado da MB, os investimentos serão em dois pilares: um deles é na Bitrust, que faz custódia. O objetivo é atrair investidores institucionais ao mundo dos ativos digitais. Bolsas em todo o mundo dizem que esses investidores estão aumentando suas exposições a criptos.

O segundo pilar é a carteira digital Meubank, que ainda aguarda regulação do Banco Central. Além de guardar criptos, a carteira também poderá guardar ativos como milhas e colecionáveis de games. E, também, fazer conversões, investimentos, pagamentos de contas e transferência de dinheiro.

Mercado Bitcoin vê aumento de transações

Os irmãos Gustavo e Maurício Chamati fundaram o Mercado Bitcoin em 2013. Em 2017, três executivos do mercado financeiro investiram na empresa: Reinaldo Rabelo, hoje CEO, Roberto Dagnoni e Mauro Negrete. Todos da Gear Ventures e ex-executivos da B3. Antes da B3, venderam a GRV para a Cetip e a Sascar para a GP. Com a incorporação da Cetip pela B3, foram para a bolsa. Mas saíram para investir em startups. Arnaldo Rocha, sócio da DealMaker também faz parte do grupo.

Em 2017 a empresa tinha pouco mais de 1 milhão clientes cadastrados e a soma de R$ 10 bilhões transacionados em quatro moedas. Hoje, são 2,2 milhões de cadastrados e só no ano passado as transações somaram R$ 6,4 bilhões. Com o boom de preços das criptos, em janeiro foram negociados mais de 50% do valor de 2020.

Os ativos na bolsa também são mais variados. Além da incorporação de mais criptomoedas, o MB negocia tokens de ativos como consórcios, precatórios e direitos de jogadores descobertos pelo Vasco. E deve incluir novos clubes para a venda desses tokens do mecanismo de solidariedade da Fifa. Também tem autorização para operar uma plataforma de crowdfunding para startups, a Clearbook.

Minasul poderá ter primeira criptomoeda do mundo lastreada em café e negociada em bolsa

A Minasul, cooperativa de produtores de café de Minas Gerais, deve ter ainda neste semestre sua criptomoeda. E essa cripto poderá ser a primeira do mundo lastreada nesse produto. A Coffee Coin é, hoje, uma moeda digital para compras na loja da cooperativa. O próximo passo é, então, ser uma cripto e negociada em bolsa. Na sequência, virá o rastreamento do café em blockchain.

“Vamos rastrear o café do campo até a moeda”, disse ao Blocknews o diretor de novos negócios da Minasul, Luís Henrique Albinati. A primeira fase do projeto começou em setembro passado e para teste. A cooperativa estipulou que cada quilo de café verde vale um Coffee Coin.

Portanto, o valor dessa moeda é ajustado diariamente, conforme a cotação na Bolsa de Nova York e a padronização dos tipos de café. Ontem (20), o contrato futuro de café para março de 2021 fechou ontem em R$ 881 a saca de 60 quilos.

O processo de conversão da saca de café para Coffee Coin foi implantado pela iNove, com tecnologia Dynamics da Microsoft.

Cripto de café em bolsa

A Stonoex, antiga Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais (Bomesp), está trabalhando na transformação da Coffee Coin em criptomoeda. A ideia da cooperativa, portanto, é abrir a cripto para quem quiser investir em café.

De acordo com Ricardo Azevedo, CEO da bolsa, será uma utility coin, baseando-se no parecer da Comissão de Valores Mobiliários para a Niobium Coin. A Stonoex usa plataforma Ethereum.

Quando ainda era Bomesp, em 2017, a empresa lançou a Niobium. A CVM considerou que é uma utility coin, ou seja, não um ativo financeiro. Isso porque não paga dividendos e nem juros e quem tem a moeda não participa de sua gestão.

Nesse processo, a Minasul entra com sua expertise do mercado de café, com as sacas e seu conhecimento para desenvolver o produto. Enquanto a Stonoex cuida da parte tecnológica, criação e negociação da utility. “A ideia e registro são nossos”, diz Albenati.

Rastreamento desde a plantação

A Minasul, que tem 8,5 mil cooperados, deve começar a discutir a implantação do rastreamento do café no segundo semestre. “Nossa prioridade é estabilizar a Coffee Coin e depois entrar na rastreabilidade”. Para isso, a cooperativa, que engloba 200 municípios, ainda não tem um parceiro.

Embora já tenha implantando diversas novas tecnologias, Albinati afirma que por ser cooperativa, há limitação para tocar vários projetos ao mesmo tempo. “Somos uma cooperativa agro que tem um viés muito tecnológico”, completou.

Moeda para substituir cartão e permuta

De acordo com o diretor, hoje o cooperado pode usar o café que deposita na cooperativa para trocar pela Coffee Coin. Depois, isso é abatido de seu estoque. Com a moeda digital pode comprar o que quiser na loja, dos produtos mais baratos aos mais caros.

Os cooperados fizeram poucas trocas, afirmou Albinati, que não revelou o valor ou número de sacas trocadas. Mas, como o objetivo dessa fase é testar, a quantidade não é uma questão. A Minasul teve uma safra de R$ 1,8 milhão de sacas no ano passado. “Queríamos testar quem era o concorrente, que foi o cartão de crédito, e como o cooperado se comportaria.”

Além disso, a cooperativa já usa o método barter, comum no agronegócio para financiar safras, ou seja, usa a permuta de café por produtos. “Só que o barter é travado. Nem todos os produtos estão dentro, em especial os mais baratos. Agora, entra tudo. Além disso, é um processo burocrático, com contrato. Com a Coffee Coin, digitalizamos isso”, completou Albinati.

BlackRock, maior gestora do mundo, quer incluir bitcoin em dois fundos de investimentos

A BlackRock Inc,  maior gestora de recursos do mundo, está incluindo contratos futuros de bitcoin como ativo em dois de seus fundos. É a primeira vez que a empresa oferece exposição a criptomoedas a seus clientes, segundo a agência de notícias Bloomberg.

A empresa administra US$ 8,7 trilhões, o que é cerca de 6 vezes o PIB brasileiro em dólares correntes, de cerca de US$ 1,4 trilhão. Uma empresa desse porte torna ainda mais relevante o envolvimento de instituições financeiras tradicionais e globais com criptomoedas. Assim, deve puxar outras, além das quem já estão na área, como Goldman Sachs e JP Morgan.

Ontem (20), apareceu no site da Securities Exchange Commission (SEC) o pedido da BlackRock para operar os dois fundos. Mas não precisarão entregar a moeda.

Mudança de rota

Os fundos são o BlackRock Strategic Income Opportunities e o BlackRock Global Allocation Fund Inc. Na comparação com a declaração Larry Fink, em 2018, isso é uma mudança drástica. Na época, Fink disse que seus clientes não estavam interessados em ter criptos.

Porém, em dezembro passado afirmou que bitcoin chamava a atenção da empresa e das pessoas. Isso embora ainda seja pouco testada e seja um mercado pequeno em relação a outros ativos.

Além dele, outros executivos da BlackRock têm mostrado interesse no ativo. A empresa também contratou, em abril de 2019, Robbie Mitchnick. O executivo veio da Ripple para liderar a área de ativos digitais. Ele criou uma metodologia para avaliar criptos. E no mês passado, a gestora anunciou uma vaga de vice-presidente (que na BlackRock está abaixo de diretor) para blockchain).

Sandbox: CVM recebeu 32 propostas e deve anunciar escolhidos até final de abril

O Comitê de Sandbox da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) comunicou que recebeu 32 propostas de participação para o processo que iniciou no ano passado. A apresentação de propostas terminou na sexta-feira (15) passada.

A análise das propostas começou ontem (18). Pelo cronograma do sandbox, a CVM vai anunciar os escolhidos até 30 de abril. As atividades começam em 3 de maio.

De acordo com a CVM, as propostas vieram de seis estados e uma do exterior. “As inovações a serem testadas envolvem diversas atividades regulamentadas pela CVM”, diz o comunicado.

A CVM instituiu o sandbox no dia 1 de junho passado. Os detalhes estão na pela Instrução Normativa 626 da CVM. As empresas escolhidas terão autorização para testar novos modelos de negócios.

Sandbox para competição

Os projetos devem reduzir o tempo e o custo para um novo serviço, produto ou modelo de negócio inovador e eficiente chegar ao mercado. Além disso, devem aumentar a competição no mercado de capitais, gerar inclusão financeira – crucial num país com altos índices de pessoas desbancarizadas – e gerar uma melhora da regulação no país.

Em outros paises, do sandbox saiu, por exemplo, a emissão de valores mobiliários sob o modelo blockchain.

O objetivo do sandobox é criar um ambiente de experimentação de soluções para produtos e serviços para o mercado de capitais. Assim, a CVM espera ver testes de novas soluções que ao final, vão levar a uma atualização da regulação do país.

O Brasil adotou um modelo baseado no Reino Unido, com adaptações para o mercado brasileiro. Nick Clark, que gerencia o sandbok do regulador britânico, o Financial Conduct Authority (FCA), afirmou que em geral, há 2 processos por ano, com o período de inscrições aberto por 6 a 8 semanas.

Mitsubishi e Tokyo Tech criam plataforma blockchain de venda P2P de energia renovável

A Mitsubishi Electric Corporation e o Instituto de Tecnologia de Tóquio (Tokyo Tech) vão desenvolver uma blockchain para otimizar o comércio de energia peer-to-peer (P2P). O objetivo é permitir um uso mais efetivo da sobra de eletricidade gerada por energia renovável.

Isso será possível, segundo as empresas, porque vão criar plataformas de comercialização sem intermediários. Assim, os prosumidores, ou seja, produtores que também são consumidores, podem vender seus excedentes com o máximo de lucro.

De acordo com um comunicado das empresas, a blockchain vai verificar a efetivação das transações peer-to-peer. A partir de abril, as empresas vão avaliar o desempenho do sistema de energia para uma otimização do algoritmo, se necessário, para que as vendas comecem logo.

Peer-to-peer otimizado

A Mitsubishi Electric faz o design do sistema de comercialização P2P e das funções de clearing. Enquanto que o instituto desenvolveu a tecnologia blockchain e o design do algoritmo de clearing.

Segundo a Mitsubishi e o Tokyo Tech, o algoritmo permite que os computadores dos consumidores compartilhem suas demandas para achar os vendedores. Isso é feito com o mínimo de operação de computadores, afirmam. Além disso, “o no método de mineração é feito num servidor de micro-computação”.

As empresas estão criando a blockchain porque o sistema criado pelo governo do Japão para combater o aquecimento global está acabando. O sistema é o de feed-in tariff (FIT), ou contrato de oferta padrão. Governos usam o FIT para aumentar o uso de energia renovável.

Para isso, os contratos com quem produz energia renovável são de longo prazo. Com o fim do FIT, os prosumidores precisam encontrar quem compre sua energia para revender no varejo. A lei japonesa só permite que distribuidoras de energia vendam para o varejo.

Embrapa implanta rastreamento de cana-de-açúcar em SP; milho e soja também têm interesse

A Embrapa Informática Agropecuária começou a implantar no campo, neste ano, um projeto de rastreamento da cadeia produtiva de cana-de-açúcar com blockchain. O empresa está conduzindo o projeto com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), a Safe Trace e usinas do interior do estado de São Paulo. O objetivo é ter maior confiança nos dados da cadeia.

Além da cadeia da cana, empresas de outros segmentos, como do etanol de milho e biodiesel de soja, formalizaram interesse em ir pelo mesmo caminho.

A iniciativa faz parte de pesquisas tecnologias baseadas em inteligência artificial, rastreabilidade e sensoriamento remoto. E para isso, envolveu também a Usina Granelli, em Charqueada, e outros dois produtores em Piracicaba e Tambaú. O projeto será executado por dois anos e o investimento é de R$ 466 mil.

Com o uso de blockchain, as embalagens dos produtos da usina vão receber o selo “Tecnologia Embrapa” e um código QR. O código contém informação da produção no campo, moagem, extração na usina, distribuição e venda ao consumidor.

Primeira pesquisa da Coplacana

“É um novo modelo de trabalho com esses cooperados, que traz segurança e promove maior integração, já que estão participando das pesquisas”, afirma Francisco Severino, gerente técnico da Coplacana. “É o primeiro investimento da história da cooperativa em pesquisa.”.

“Há uma demanda recorrente na agricultura pela rastreabilidade dos produtos e processos”, diz Stanley Oliveira, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Informática Agropecuária em comunicado da Embrapa. “Entre as principais vantagens está a invariabilidade das informações, criandoum caminho confiável de procedência ”, completa Alexandre de Castro, também pesquisador da Embrapa.

De fato, os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação ao local onde está a produção, ou seja, se está área ambiental preservada. Além disso, querem saber o que é usado na produção e se há trabalho escravo ou subempregos envolvidos no processo.

Por isso, as empresas que adotam blockchain esperam também se diferenciar no mercado e até mesmo poder cobrar mais por seus produtos. A Usina Granelli, por exemplo, espera vender seu açúcar mascavo a um preço melhor, diz Mariana Abdalla Granelli, sua diretora jurídica.

Cadeia de biocombustível de soja e milho também querem rastreamento. Foto: Pixabay

Imagens para análises

De acordo com o comunicado da Embrapa, a parceria com a Coplacana inclui a geração de processos agropecuários, softwares, modelos, banco de dados e metodologia técnico-científica. A empresa também vai criar uma tecnologia baseada em sensoriamento remoto para organizar, processar e disponibilizar em nuvem imagens de satélite.

Portanto, com as imagem haverá análises das lavouras da cana-de-açúcar, o que permite um planejamento melhor da produção. E será possível também detectar doenças, deficiências nutricionais, estresse hídrico e estimativas de produção de biomassa.

Embrapa e RenovaBio

O sistema na Usina Granelli vai armazenar, ainda, dados primários de custódia da Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio. Isso porque, a partir deste ano, começa a compensação de emissão de CO2 na venda de combustíveis. Assim, quem produz biocombustível pode se qualificar para emitir os Créditos de Descarbonização (Cbios). Quem precisa fazer compensação pode comprar os créditos.

Um dos objetivos do projeto da Embrapa é criar um mecanismo para rastrear também os Cbios, o que pode evitar fraudes.

A Embrapa Informática Agropecuária e a Embrapa Meio Ambiente também estão desenvolvendo também outras soluções tecnológicas digitais para aprimorar o processo de certificação do RenovaBio.

Preks, plataforma de precatórios, passa no teste e está em busca de clientes institucionais

Testado seu software com a primeira homologação digital de venda de precatórios em blockchain, em dezembro passado, a startup Preks busca agora atrair participantes desse mercado para sua plataforma. Neste primeiro momento, isso inclui, por exemplo, os institucionais, como grandes fundos que compram boa parte desses títulos. Mais tarde, a ideia é ser um marketplace, fazendo a ponte entre detentores dos títulos e compradores.

Dessa forma, a startup foca num mercado secundário estimado em R$ 200 bilhões que é fragmentado e tem pouca liquidez, disse ao Blocknews Hélio Moraes, Chief Legal Officer da lawtech e sócio de direito digital e inovação do PK Advogados. Desse valor, a maior parte está congelada na mão dos detentores de direito.

Guilherme Nasser, também co-fundador da Juros Baixos, plataforma de empréstimos, e João Carlos Garcia fundaram a Preks. A startup foi uma das selecionadas do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas – o Lift Lab 2020. Há dois anos, o PK Advogados é apoiador e parceiro do negócio. Além disso, a lawtech tem um anjo investidor.

Também de olho nesse mercado bilionário, em 2019 o Mercado Bitcoin lançou tokens de precatórios.

Precatórios digitais

Primeiro, a startup quer prestar serviços para o público institucional, sendo originador das transações. Porém, na medida em que se tornar plataforma de referência, pretende atrair as pessoas físicas e as jurídicas que queiram descontar seus títulos. Esse segmento das físicas está muito pulverizado.

Os precatórios são dívidas dos governos com credores, que demoram anos para receber o dinheiro. No mercado secundário, os detentores dos papéis cedem o de direito de receber o valor em troca de um pagamento com desconto sobre a face, ou seja, com deságio. É um processo que pode demorar e ter fraudes.

A inovação da Preks está centrada em três elementos, afirma Moraes. A primeira é a sessão de direito na plataforma por meio de assinatura digital. “Eu, em São Paulo, posso comprar um precatório no Nordeste, por exemplo.” Com o instrumento de seção em mãos, é possível fazer o registro na plataforma blockhain para se ter o carimbo do tempo.

E o terceiro elemento é a conta escrow, como se fosse de custódia, na qual o comprador deposita o valor. Uma vez que a Justiça defere a transação, o dinheiro é liberado. Hoje, uma fraude possível é o o vendedor passar a cessão e o comprador não pagar. Ou o contrário. A conta no banco custodiante, cujo nome a Preks não revela, é no nome do comprador e o dinheiro fica reservado. O banco libera o valor para o comprador, e com rapidez, assim que sai a autorização da cessão de direito.

Custos em definição

Dessa forma, o software, que está em Ethereum, tira o cartório do processo na hora do reconhecimento de firma da assinatura e no registro em blockchain. Isso porque “deixa de ser registro de títulos e documentos, que hoje é pulverizada e que não se consegue verificar em todos os cartórios”, completou Moraes.

Com o marketplace, a Preks pretende criar uma rede de compradores e vendedores, dar suporte aos clientes institucionais e reduzir o custo para as pessoas. “isso permite uma inclusão e transações diretas pela plataforma”, afirmou o CLO da Preks.

De acordo com Moraes, no registro em cartório há uma taxa atrelada à transação. Enquanto isso, na plataforma haverá uma comissão de intermediação, “balizada pelo mercado, pelo deságio que os grandes players pagam”, diz o advogado. Porém, o custo de transacionar em blockchain elimina a taxa de cartório. A lawtech ainda está precificando o uso da plataforma.

Parceria para não afundar

O PK Advogados, segundo Moraes, tem parcerias com startups para identificar aquelas com potencial. “É o momento em que mais precisam de advogado e menos têm dinheiro para isso. Se estruturarem mal o negócio, vai por agua abaixo.” O trabalho com startups de blockchain começou nos últimos anos.

Para ele, o investidor de risco no Brasil já começou a entender que startups não dão retorno de CDI. Ou seja, é algo de risco e isso o escritório se deu conta há muito tempo, completa. De acordo com o advogado, esse trabalho com startups é muito pontual no faturamento do escritório de cerca de 100 profissionais. “É a parcela que a gente pode postegar o recebimento para quando houver receita ou houver um round de investimento”.