Binance usará corretora Sim;paul para aumentar presença no mercado financeiro

Tokennation discutiu gigantes do setor.

A Binance prepara uma nova ofensiva para avançar no Brasil. A maior corretora de criptomoedas do mundo quer oferecer ativos mobiliários que estão sob o chapéu da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), usando a corretora Sim;paul, de finanças tradicionais, que comprou em 2022. Além disso, estuda oferecer uma stablecoin em reais com rendimento atrelado a títulos públicos brasileiros.

Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, afirmou que a exchange pretende usar a corretora Sim;paul para oferecer ações. A exchange recebeu autorização da compra em 2025 do Banco Central (BC). A informação foi dada no painel “A nova arquitetura do dinheiro: como gigantes estão redesenhando o mercado com ativos digitais”, no Tokennation 2026, mediado pela fundadora do Blocknews, Claudia Mancini.

“Queremos usar a Sim;paul para diversas ações, entre elas oferecer produtos ligados a valores mobiliários”, completou. “Queremos manter os usuários com acesso aos produtos e serviços com a menor fricção possível. Temos contado com reguladores e autoridades e também queremos aprofundar esse diálogo com a CVM para oferecer valores mobiliários no Brasil”, disse o executivo da Binance, como publicou o jornalista Cassio Gusson no Cointelegraph.

Binance olha mercado de ações

Aliás, ontem (1), a empresa anunciou globalmente a oferta de mais de 7 mil ações e ETFs listados nos EUA com ações a preços a partir de US$ 5 (cerca de R$ 20). Além disso, no mesmo anúncio, informou que na próximas semanas lançará o bStocks, títulos tokenizados que representam algumas ações e ETFs dos EUA. Assim, quem tiver ações, poderá convertê-las em ações onchain.

 Quando comprou a Sim;paul, a Binance se tornou a primeira exchange do Brasil a ter licença de corretora de valores mobiliários (CTVM). Foi num momento em que enfrentava processo na CVM e críticas do mercado de que oferecia produtos não regulados.

Agora, além de ter um pé no mercado tradicional, está em meio a um processo de se adequar à regulação das Provedoras de Serviços de Ativos Digitais (PSAVs). E com isso, com mais estofo para competir com o mercado tradicional que está entrando em cripto.

Stablecoin em real

De acordo com Sarandy, em relação à stablecoin em real com lastro em títulos do Tesouro, defende dentro da empresa que a solução baseada em real brasileiro permita até rendimento diário por meio da exposição a títulos públicos. O executivo revelou o plano durante um painel realizado no Tokennation 2026, que foi mediado pela jornalista Claudia Mancini, fundadora do Blocknews.

“Vamos oferecer um produto muito conectado com o que falamos desde o início, que funciona todos os dias da semana, permitindo aplicação e saque em qualquer dia”, afirmou Sarandy. Isso será um reforço na sua concorrência com corretoras de investimentos e plataformas digitais que oferecem produtos financeiros tradicionais.

Fusões e aquisições

Sarandy e outros participantes do painel, como Guilherme Ferreira, cofundador e CFO da OranjeBTC, e Pedro Lapenta, diretor de Yield Strategies da Hashdex, acredita que a nova regulação do Banco Central para o setor, que aumentam as exigências para quem quer ter licença para atuar no Brasil, poderá levar a um processo de fusões e aquisições.

De acordo com Sarandy, a saída de empresas menores do mercado não é boa para a Binance, porque muitas delas, como OTCs, são clientes da exchange. E questões como margem e transferências internacionais, dão mais espaço de atuação para bancos,

Em meio ao cenário cada vez mais competitivo e com gigantes nos vários segmentos, a Hashdex busca se diferenciar pela criação de índices de mercado que podem ter adoção global, afirmou Lapente. A empresa já atua nos EUA.

E do lado dos investidores institucionais, Ferreira da OranjeBTC afirma que a MicroStrategy é um exemplo de como ter bitcoin em tesouraria pode levar uma empresa a ter mais valor nesse caixa do que seu valor de mercado. Basicamente, a empresa de Michael Saylor tem em torno de US$ 62 bilhões (em torno de R$ 305 bilhões) em bitcoin, enquanto o valor de mercado é de cerca de US$ 50 bilhões (em torno de R$ 250 bilhões).

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