Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

eToro tenta se diferenciar entrando em finanças descentralizadas

A plataforma de investimentos eToro, que funciona como uma “mídia social” e oferece também criptomoedas, entrará em finanças descentralizadas (DeFi). A empresa afirma que oferecerá exposições de longo prazo a projetos-chave para seus 23 milhões de usuários registrados.

Com finanças descentralizadas, a eToro tenta se diferenciar de quem apenas trabalha com negociação de criptomoedas. Esse é, alias, um caminho que outras empresas do setor parecem começar a seguir.

A Coinbase, por exemplo, tentou lançar um produto em que pagaria 4% para quem emprestassem suas moedas à bolsa. Que, por sua vez, emprestaria a terceiros. Mas, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) barrou a iniciativa.

O portfolio da eToro inclui 11 criptoativos de DeFi. Dentre eles há, por exemplo, o Ether (ETH), Uniswap (UNI), Chainlink (LINK), Aave (AAVE), Compound (COMP) e Yearn.finance (YFI).

De acordo com Dani Brinker, líder de portfolio de investimentos da eToro, “nos últimos meses surgiram milhares de criptoativos. Mas para quem não tem tempo de se informar sobre cada um deles, o mercado parece um campo de minas”. A plataforma escolhe os ativos e seu modelo permite que os investidores troquem informações sobre suas estratégias.

A empresa, que tem base em Israel, afirma que teve receita bruta de US$ 605 milhões em 2020. Portanto, um crescimento anual de 147%. O número de novos usuários cadastrados cresceu em 5 milhões. Em janeiro passado, teve mais de 75 milhões de operações, afirma a empresa.

Yoni Assia, co-fundador da empresa, afirma que usa seus ganhos na eToro em projetos sociais.

BTG vai competir na compra e venda de criptomoedas com plataforma própria

O BTG Pactual anunciou, nesta segunda-feira (20), que terá sua própria plataforma de negociação de criptomoedas. A Mynt entrará em operação no início do último trimestre do ano, que começa em 10 dias. No princípio, terá bitcoin e ether, as duas principais criptomoedas do mercado. Será, portanto, o primeiro banco do país a ter um serviço desse tipo.

De acordo com comunicado, a plataforma de criptomoedas estará disponível aos clientes do BTG Pactual digital e do BTG+ de forma gradual. “Vamos incluir outras criptomoedas para negociação ao longo do tempo. Além disso, a Mynt trará conteúdo com o objetivo de educar e informar os clientes sobre essa nova tecnologia”, disse André Portilho, líder de ativos digitais do BTG Pactual.

Em 2019, o BTG também foi o primeiro a lançar um security token lastreado em imóveis recuperados, o ReitBZ. O token está disponível no exterior porque não tem autorização para negociação no Brasil. O banco foi também o primeiro a oferecer, em abril passado, um fundo de bitcoin.

Em ETFs, os fundos de índices que estão em negociação na B3, o BTG foi, por exemplo, coordenador líder do ETF de bitcoin da QR Asset. Assim como participou da oferta do produto de criptomoedas da Hashdex.

XP pode voltar a criptomoedas; CEO do Mercado Livre investe na Ripio

O anúncio do BTG sobre a Mynt vem em meio a informações de mercado de que a XP, sua concorrente, se prepara para voltar a oferecer criptomoedas. Em abril de 2019, a empresa fechou a plataforma XDEX, lançada em outubro de 2018 com o private equity General Atlantic. O que se comenta é que a pressão pelo fechamento foi do Itaú, mas com a separação das instituições, a XP quer voltar ao segmento.

Já a bolsa e carteira Ripio, da Argentina, anunciou que recebeu um aporte de US$ 50 milhões (cerca de R$ 250 milhões) numa rodada Series B. O líder da operação foi o Digital Currency Group. Entre os novos investidores estão Marcos Galperín, CEO e fundador do Mercado Livre. O dinheiro irá para os projetos de abertura de operação na Colômbia, México e Uruguai.

Por enquanto, a Ripio opera na Argentina e no Brasil. Aqui, entrou ao comprar a BitcoinTrade, em janeiro. O plano da empresa inclui ainda começar uma operação na Espanha em 2022.

Buterin, da Ethereum: de criança superdotada à lista de influenciadores da Time

O mundo do blockchain entrou com tudo na edição deste ano da lista das “100 Pessoas Mais Influentes do Mundo”, realizada pela revista norte-americana Time. A inclusão nesse grupo do criador da Ethereum, Vitalik Buterin, reconhece não apenas o que aconteceu neste ano, mas o histórico do rapaz que desde pequeno sua escola identificou como superdotado. Além de a escolha admitir que seu impacto no futuro deverá ser grande.

No final de 2013, aos 19 anos, o programador russo que vive no Canadá propôs a rede num white-paper. Portanto, depois do white paper assinado com o nome de Satoshi Nakamoto, que deu as bases da blockchain e do bitcoin, Vitalik Buterin é o maior revolucionário desse ecossistema. Sua criação deverá ter um impacto no mundo que hoje ainda não se consegue imaginar completamente.

Buterin está na categoria de Inovadores da lista da Time. A Ethereum nasceu de sua percepção de que a rede bitcoin tinha falhas e uma delas é a de que deveria ir além das transações com a criptomoeda. Deveria, por exemplo, atender transações de empresas.

Ainda não se conhece todo impacto global da criação de Vitalik Buterin

De acordo com o criador do fundo de venture capital Seven Seven Six e co-fundador e ex-presidente da rede de mídias sociais Reddit, Alexis Ohanian, “o que faz Vitalik tão especial é que é um construtor de construtor. Ninguém poderia aparecer com todos os usos de Ethereum. Mas foi necessária a ideia de uma pessoa para isso começar. A partir daí, um novo mundo se abriu e criou espaço para novas formas de uso da tecnologia blockchain”.

O executivo lembra que a rede Ethereum atingiu um market cap de U$ 400 bilhões. Hoje, seus usos incluem finanças descentralizadas (DeFi) e os tokens não-fungíveis (NFTs), por exemplo. A visão geral sobre o primeiro é de que é um forte concorrente do sistema financeiro tradicional, que poderá adotá-lo. Até o Banco Central do Brasil olha para DeFi como inspiração para o real digital.

Já os NFTs têm tantos usos que é praticamente impossível fazer uma lista completa deles. No entanto, certamente as empresas, por exemplo, já encontraram neles uma ferramenta de marketing.

Coinbase quer captar US$ 1,5 bilhão para novas aquisições e produtos

A Coinbase, maior bolsa de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA), informou nesta segunda-feira (13) que pretende levantar US$ 1,5 bilhão com a emissão de títulos. A empresa, que neste ano lançou ações na Nasdaq, vai usar o dinheiro em fusões e aquisições e investimento em empresas, produtos e tecnologias. Assim como no desenvolvimento de produtos.

A empresa disse que vai emitir dívida sênior, ou seja, aquelas que em caso de falência, têm precedência de pagamento perante outras sem garantia . Detalhes como taxa de juros a Coinbase vai negociar com os compradores iniciais das dívidas. A oferta vai ser privada para investidores qualificados. Haverá oferta também para investidores fora dos EUA.

Segundo a empresa, essa é uma forma mais barata de levantar recursos.

“CBDCs são contra-ataque dos estados, mas não frearão criptomoedas”

Os países estão tentando contra-atacar o avanço das criptomoedas como bitcoin e a criação de suas moedas digitais, as CBDCs, é uma das táticas para isso. Mas, nem assim vão conseguir, porque “as criptomoedas provaram que até certo pronto, conseguem se modernizar sem regulação”.

Quem afirma isso é Marcelo Castro, pesquisador do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) da Fundação Getulio Vargas Direito de São Paulo (FGV Direito SP). Castro lançou o livro “Bitcoin e confiança: análise empírica de como as instituições importam”. O conteúdo saiu de sua tese de doutorado, que fez em parte no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Segundo ele, hoje não há bitcoin como meio de troca eficiente porque a infraestrutura é ineficiente (lenta). “Mas, se for possível atualizar o código, como na rede Ethereum, atingindo um nível de maturidade, isso vai depender muito mais dos mineradores do que do estado”.

De acordo com Castro, cada vez mais haverá uma disputa entre moedas soberanas e criptomoedas. “Por hora, vejo os estados ganhando a briga. Colocaram as CBDCs em jogo para reforçarem sua soberania monetária por meio de custos e inclusão financeira”, afirmou.

BIS disse aos BCs para acelerarem projetos de CBDCs

Visto que é uma disputa, o estado continuará buscando inovar, assim como o outro lado. Inclusive as empresas com seus tokens privados, completou. É o caso da Diem, do Facebook e seus parceiros, por exemplo. E cada país define como vai entrar nessa briga. “Nos Estados Unidos não é por meio de proibição, mas tentando elevar a competitividade (do setor público), por meio do FedNow.”

Só que o Pix americano, só deve chegar em 2023. Tem ainda quem regula o mercado – o Brasil estuda maior regulação de criptos, enquanto outros países como Rússia e China tentam barrar as criptomoedas na base da força, com forte cerco ao segmento.

E tem a tática das CBDCs. Na última semana, o Banco de Compensações Internacionais, o banco central dos bacos centrais, disse que é preciso acelerar os trabalhos sobre essas moedas. Dessa forma, deixou claro que na sua opinião CBDCs são caminho sem volta.

Castro decidiu estudar bitcoin quando percebeu que isso era uma ameaça à soberania estatal. Segundo ele, bitcoin ainda não tem propriamente uma característica de moeda. Isso porque tem grau pequeno de monetariedade. “Dificilmente se usa como meio de pagamento. Além disso, não é unidade de conta porque é volátil e a possibilidade de ser reserva de valor fica constrangida por conta da volatilidade”.

Por reserva de valor, afirmou, não basta haver saldo positivo, mas um valor diferido no tempo. Portanto, a sua alta volatilidade é um problema. É diferente, portanto, da moeda estatal. Uma das principais funções dos BCs, senão a maior, é preservar o valor da moeda ao longo do tempo para ser reserva do valor . E faz isso com uma série de mecanismos, completou o professor.

Bitcoin pode se tornar moeda e revolucionar a teoria monetária

Livro de Marcelo Castro é resultado de pesquisa de doutorado no MIT. Foto: Marcelo Castro.

Porém, bitcoin tem potencial para ser moeda “e se isso acontecer, vai ser uma grande anomalia, porque nenhuma teoria previu que isso poderia surgir. Isso trará uma grande revolução na teoria monetária e pode mudar os rumos da politica monetária”, disse o pesquisador.

Em sua pesquisa, Castro buscou identificar o que faz uma pessoa adotar uma moeda. Uma das categorias de confiança é a do consumidor, que acha que a cripto trará grande vantagem e eficiência em pagamentos, sem depender de bancos. Assim, “acaba com a dor de cabeça do cabeça de intermediário”.

O segundo grupo tem bitcoin porque admira a tecnologia, não é questão de eficiência, mas de ser algo do futuro. E o terceiro é o revolucionário, que segue a tendência primitiva do bitcoin, ou seja, pensa na transgressão, na revolução do sistema monetário e na independência do governo. A questão é que “à medida que o tempo passa, tem cada vez menos entusiastas ligados à ideologia primitiva”, afirmou.

As entrevistas que realizou para o doutorado geraram mais de 1 mil páginas de transcrição que passaram por análise no estágio doutoral no MIT. Por isso, Castro lançará outros livros com as conclusões que saíram dessa análise.

Foxbit é primeira cliente da Parfin na solução Crypto Plug and Play

A bolsa de criptomoedas Foxbit será a primeira empresa a usar a solução Crypto Plug and Play da Parfin. A fintech começou a operar em janeiro passado e é uma iniciativa de executivos com passagem pelo mercado financeiro convencional. Seu foco é em custódia, negociação e gestão de ativos digitais.

Sua ideia com o serviço é conectar o mundo de criptomoedas a bancos digitais, plataformas de investimentos e o mercado de balcão (OTC). Há um foco grande em clientes institucionais.

A Parfin afirma que outros clientes estão implantando a solução, incluindo instituições financeiras, assim como empresas do mercado de balcão em criptomoedas.  

“A ferramenta funciona por meio de APIs ou interface web customizável. Dessa forma, as instituições conseguem oferecer a negociação de criptomoedas diretamente dos seus aplicativos”, disse a Parfin.  

“O Crypto Plug and Play conecta, de ponta a ponta, investidores institucionais com os criptoativos. É uma ferramenta robusta, que garante transparência e proteção”, disse Marcos Viriato, CEO da Parfin.  

De acordo com o CEO da Foxbit, João Canhada, a solução dará “agilidade e autonomia para clientes fazerem operações por conta própria. Além disso, as transações acontecerão numa área exclusiva. Também serão automatizadas”.

A Parfin afirma ter clientes com mais de R$ 300 milhões em ativos sob gestão. No entanto, a empresa espera superar R$ 1 bilhão até o fim do ano.

Associações globais de blockchain se unem; B3 e QR Capital darão curso de criptos

InterWork Alliance (IWA), organização dedicada à promoção de tokenização pelas empresas, se juntou ao Global Blockchain Business Council (GBBC), uma das principais associações sobre blockchain no mundo. Assim, será parte da GBBC e seus 330 membros institucionais se juntarão à organização.

A IWA trabalha na criação de padrões, protocolos e especificações abertos para tokenização em empresas. A instituição já dsenvolve o Token Taxonomy, por exemplo. Haverá ainda um programa de certificação.

B3 e QR Capital promovem curso sobre criptoativos

A QR Asset Management, gestora de recursos da holding QR Capital, e que tem fundos de índices de criptomoedas na B3, lançará curso com a bolsa sobre ‘Como Investir em Cripto na bolsa’. O curso será gratuito e online. As inscrições começam no próximo dia 13. É possível reservar vaga no site
https://b3.qrasset.com.br/. Haverá certificado da B3. Serão 3 módulos com oito aulas.

Coritiba do Paraná faz acordo com Liqi para ter tokens de direitos sobre jogadores

Coritiba do Paraná vai entrar para o clube dos clubes de futebol que tokenizam ativos. O time fechou acordo com a Liqi para transformar seus direitos de mecanismo de solidariedade em tokens nas próximas semanas. O objetivo é gerar mais uma receita para a equipe.

A Liqi já fechou acordo com semelhante com o Vasco. Times do Brasil e do exterior estão usando as possibilidades que blockchain criou para lançar tokens como o do Coritiba, tokens não-fungíveis (NFTs) de imagens, por exemplo, e tokens para fãs. Esses últimos geram receita por meio de engajamento dos torcedores.

O Coritiba nasceu em 1909 e desde janeiro tem uma nova direção. “Entendemos que o cenário atual do Coritiba é muito promissor e nos traz diretrizes para elaborarmos novas estratégias de modernização, que podem impactar na recuperação financeira. E assim, na posição e status do time”, diz Juarez Moraes e Silva, presidente do Coxa.

O Mecanismo de Solidariedade é uma criação da FIFA para recompensar os clubes que formam jogadores. Dessa forma, podem ganhar um percentual da venda subsequente do atleta.

“Estamos começando a escrever uma importante história ao lado dos clubes do Brasil. Estamos acelerando por aqui e já temos em nosso radar outros três times que devem assinar contrato com a Liqi em breve”, afirmou Daniel Coquieri, CEO e fundador da startup.

Mexicana Bitso contrata executivos para cuidarem de expansão no Brasil

A Bitso, que como o Mercado Bitcoin também é uma bolsa de criptomoedas unicórnio, contratou, ex-vice-presidente de desenvolvimento do Facebook, para ser seu primeiro COO (Chief Operating Officer). Sua primeira função será cuidar da a expansão e desenvolvimento da empresa no Brasil. A empresa anunciou operação no país no final de 2020.

Recentemente, a Bitso anunciou a contratação de Patrícia Carvalho dos Santos como diretora de marketing no país. A executiva passou por empresas como a HRtech Revelo e Uber.

Há três semanas, Marcos Jarne anunciou que havia deixado o cargo de country manager da mexicana Bitso, o qual ocupou por apenas dez meses. O CEO e fundador da empresa, Daniel Vogel, se mudou para o Brasil e é quem está à frente da operação aqui.

Fan token do Corinthians começa a ser vendido hoje na Socios.com

A Socios.com começou a vender hoje (2), às 10h00, o fan token do Corinthians, o $SCCP. Na plataforma, o preço de abertura foi de 2 euros (cerca de R$ 13). Assim como acontece com outros fan tokens que a Socios.com lançou, quem compra terá direito, por exemplo, a promoções, recompensas e participação em pesquisas.

O time paulista terá 850 mil tokens na plataforma inicialmente. Iniciativas como a da Socios.com são uma nova forma de os clubes levantarem recursos e engajar os fãs. Outros times também já têm tokens, como Vasco e Atlético Mineiro.

Para comprar o token, o torcedor ou investidor deve primeiro comprar o token Chiliz (CHZ) numa bolsa de criptomoedas. A aquisição do $SCCP na Socios.com acontece pelo app da plataforma, onde se troca a CHZ por token do Corinthians.

Mercado Bitcoin faz acordo com Corinthians

O Mercado Bitcoin também venderá o token do Corinthians a partir deste mês. Além disso, a bolsa de criptomoedas fechou um acordo com o clube paulista para ações de educação financeira e criptomoedas e terá seu nome na camiseta do time. O acordo do logo na camiseta vai de setembro de 2021 a dezembro de 2022. Com isso, o Mercado Bitcoin bolsa busca visibilidade e receita entre os mais de 30 milhões de torcedores do clube paulista.  

“O universo cripto e o mundo do futebol viabilizam novos modelos de engajamento com a torcida e a geração de negócios rentáveis”, disse Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin. “Estamos desbravando novas possibilidades de marketing e engajamento”, afirmou Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians.

*Reportagem atualizada em 3/9/21 com o nome correto do jogador na foto.