Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Brian Brooks, ex-regulador dos EUA, será CEO da Binance.US

Ninguém menos do que Brian Brooks será presidente da Binance.US. Até 14 de janeiro passado, Brooks era um dos reguladores dos Estados Unidos (EUA). Isso porque era o responsável pelo Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês). Nessa posição, deu espaço bancos atuarem com criptomoedas.

Durante sua gestão na OCC, Brooks emitiu comunicados em que permitiu, por exemplo, que bancos dos EUA custodiem ativos digitais, tenham reservas em moedas estáveis e participem de redes blockchain dessas moedas como nós. Assim, permitiu aos bancos atenderem à demanda crescente de seus clientes por criptomoedas.

Porém, Brooks não é um novato no mundo corporativo das criptomoedas. Por 19 meses, até maio de 2020, foi o responsável pela área jurídica da Coinbase, maior corretoras de criptos dos EUA.

No entanto, teve de abrir mão de usas opções de ações quando chegou deixou a Binance para se mudar para o COO. Na venda, ganhou algo em torno de U$ 4,6 milhões. Mas, seu sucessor teria ganho US$ 300 milhões na oferta de ações da empresa na semana passada.

A Binance, que diz ser a maior corretora de criptomoedas do mundo, com volume diário de US$ 48 bilhões, enfrenta problemas com reguladores nos EUA. No mês passado, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) abriu uma investigação sobre a possível venda de derivativos a americanos.

A CFTC diz que bitcoin e ether são commodities, portanto, quer regulá-los. Já a Binance afirma que não permite a residentes nos EUA acessarem seu site e evita que façam depósitos ou saques.

No Brasil, a associação que reúne corretoras de criptomoedas, a ABCripto, entrou com denúncia semelhante contra a Binance.

Dynasty Global deve lançar token D¥N, lastreado em imóveis, no início de julho

No início de julho, a Dynasty Global Investments prevê lançar a oferta do token D¥N, atrelado em imóveis de alto padrão. A empresa é de brasileiros e fica em Zug, no Crypto Valley da Suíça.

A expectativa de captação da Dynasty para 2021 é de 300 milhões de francos suíços, cerca de R$ 1,92 bilhão. Cada D¥N vale 60 francos suíços, ou seja, em torno de R$ 385. O token será atrelado a imóveis em locais como Nova York, Londres, Lisboa, Hong Kong e São Paulo.

A Dynasty disse ao Blocknews que a empresa já busca imóveis e “a primeira aquisição está prevista para se concretizar nos próximos 60 dias. Estamos com propostas em análise e em processo de due dilligence dos ativos”.

A renda do D¥N deverá vir dos alugueis dos imóveis. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não permite a venda desse tipo de token no Brasil. Por isso a empresa concentra a operação no exterior, como o BTG Pactual, que tem o token de imóveis recuperados ReitBZ.

Portanto, a Dynasty vai concentrar a oferta pública na Europa e Ásia. Assim, por enquanto os brasileiros estão fora dessa oferta.

Porém, em dezembro passado a Dynasty abriu um escritório em São Paulo e contratou parte de sua equipe aqui. Assim, reduz o custo Suíça. E, segundo disse ao Blocknews Eduardo Carvalho, um dos fundadores, já está posicionada para atuar no país se e quando esse tipo de token puder entrar em negociação aqui.

Além de preparar o lançamento da D¥N, a empresa pretender trabalhar na educação de investidores. Isso porque sabe que o assunto é muito novo e gera dúvidas e receios.

Recentemente, a Dynasty fez uma integralização de capital com criptomoedas, algo ainda pouco feito no país. A empresa enviou recursos da Suíça para o Brasil

Itaú adere a criptomoedas; tokens são revolução no mercado financeiro, diz executivo do banco

O Itaú, por meio do Itaú Personnalité, vai oferecer o ETF de criptomoedas da Hashdex. ETFs são fundos que tentam acompanhar índices e, nesse caso, é o Hashdex Nasdaq Crypto Index.

Com isso, o Itaú é o primeiro dos “bancões” a oferecer um produto exposto a criptomoedas. Portanto, se rendeu à demanda dos clientes pelo produto. Essa demanda cresceu aqui e fora, dizem os gestores de recursos, com a alta do bitcoin e outras criptomoedas.

É também uma mudança de postura, já que numa disputa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o banco disse que as criptomoedas eram usadas para fraudes. A disputa é contra corretoras, porque “bancões” deixaram de atendê-las.

O ETF deve ser o primeiro a ser negociado na B3 e ainda está em período de oferta. A previsão é que a negociação comece no próximo dia 26 de abril. O Itaú, junto com o BTG e a Genial, participaram do lançamento do fundo.

De acordo com Eric Altafim, líder de produtos e mesas corporate do Itaú BBA, o banco estuda as moedas digitais de banco central (CBDCs), as stablecoins e as criptomoedas clássicas, como bitcoin, “que em geral não têm lastro que justifique o valor, mas que têm muito valor.

Além disso, o banco estuda os tokens, “o que são uma revolução gigantesca para tudo o que a gente conhece no mercado financeiro”. Segundo ele, os tokens “têm um potencial muito interessante para fazer essa evolução do mercado, considerando exemplos como os tokens de precatório, de crédito de carbono e de times de futebol”.

Altafim deu a declaração durante o podcast “Criptomoedas: agora dá para investir também no Itaú”, nesta quarta-feira.

Para Stefano Sergole, diretor de distribuição da Hashdex, o mercado de criptomoedas depende de adoção, de conhecimento e de educação. “Quanto mais pessoas participarem, o mercado tende a ficar mais maduro.”

Para quem está acostumado com o mercado tradicional, é preciso considerar que as métricas de avaliação dos ativos são diferentes das usadas no mercado de criptos.

“Não dá para atribuir nada das métricas do mercado tradicional, que têm pouco impacto na indústria de criptomoedas”, afirmou Sergole. Altafim concordou.

Bolsa de Nova York lança NFTs do toque do sino em ofertas de ações

A Bolsa de Nova York (NYSE) vai vender tokens não-fungíveis, os NYSE NFTs, com o toque do sino de seis IPOs relevantes. Entre eles o do Spotify. Essa é mais uma ação do mundo cripto que avança para o de finanças tradicionais.

O sino da NYSE é tradicional. O CEO da empresa toca o sino assim que começa a negociação de sua ação. O toque é uma festança lá e em outras bolsas, inclusive na brasileira B3. Portanto, o NFT é a memória do som do sino.

De acordo com a presidente da NYSE, Stacey Cunningham, a bolsa já processa mais de 350 bilhões de ordens, cotações e mensagens nos dias mais agitados. É o maior volume entre as bolsas. Além disso, a bolsa grava tudo na sua plataforma de registro distribuído.

Além do toque da Spotify, a bolsa de Nova York vai negociar também os da Snowflake (nuvem), Unity (motor de jogo), DoorDash (entrega de comida), Roblox (videogame) e Coupang. A Coupang teve o maior IPO do ano, de US$ 4,6 bilhões.

Stacey não deu detalhes sobre o modelo econômico dos NFTs. Mas, afirmou que vai lançar “muitos outros” NFTs. A venda é feita na Crypto.com.

A cada, o mercado cria NFTs dos mais variados tipos. Vão de obras de arte digitais a direitos sobre músicas e checagem de notícias, como fez a plataforma brasileira da Agência Lupa.

Binance começa a vender tokens de ações e as da Tesla são as primeiras

A Binance lançou, nesta segunda-feira (12), a comercialização de tokens de ações. Cada token equivale a uma ação, que está armazenada num fundo (depositary portfolio) de derivativos como contratos futuros e fundos de índices (ETFs). As ações da Tesla serão as primeiras a serem negociadas.

Porém, a empresa afirma que ao longo do tempo, vai incluir outras ações. O projeto é feito em cooperação com a empresa germano-suíça de investimentos digitais CM-Equity AG. Além dela, participa a plataforma de tokenização Digital Assets AG.

As negociações dos tokens vão seguir os horários das bolsas tradicionais. No entanto, não estão disponíveis para residentes na China, Turquia e em outros locais em que a legislação não permite a negociação. A empresa afirma que vai utilizar práticas de Know-Your-Client (KYC) e compliance para identifica a origem dos investidores.

A negociação da Tesla terá um tamanho mínimo de um centésimo do token da ação. Os preços dos tokens serão na stablecoin da Binance, o BUSD, de acordo com a empresa. Isso significa que cada BUSD é atrelada a um dólar e emitido pela Paxos Trust Co.

Quem já negocia tokens de ações em plataformas como a da Binance diz que um dos benefícios é a facilidade de transferir criptos para ações e vice-versa. Há ainda a vantagem de se poder comprar frações de uma ação, o que fica mais barato para bolsos menos cheios.

Já há outras plataformas no mundo que fazem isso e provavelmente novas virão.

Assim, as empresas que transformam ações em tokens podem se expor a novos investidores que entendem de criptomoedas, mas não costumam investir em ações. E ainda aos tradicionais, que vão querer comprar frações de ações e se export a criptos ao mesmo tempo.

A Binance diz que teve um aumento de 346% em número de usuários e de 260% no total de operações no primeiro trimestre de 2021. Com a negociação de tokens de ações e o aumento do valor das criptomoedas, a empresa acredita que continuará em crescimento.

Líderes do setor criam Crypto Council for Innovation para educar reguladores

A Paradigm, a Coinbase, a Fidelity Digital Assets e a Square Inc, algumas das mais relevantes empresas do mundo de criptoativos, anunciaram hoje (6) que criaram o Crypto Council for Innovation (CCI). O objetivo é acelerar o uso global das criptomoedas por meio de contatos com lideranças.

“Sabemos que as criptomoedas são uma promessa imensa de aceleração do crescimento econômico, criação de empregos e melhora da inclusão social”, disse Gus Coldebella, responsável por políticas da Paradigm. A Paradigm é que puxou a fila para criação do CCI.

“Além disso, essa promessa ultrapassa fronteiras. Por isso, vamos ajudar decisores políticos, reguladores e pessoas em qualquer lugar do mundo a entender esses benefícios”, completou.

Portanto, o Crypto Council for Innovation é um trabalho de educação com foco nas lideranças que podem fazer o mercado crescer. Assim, o CCI quer mostrar o que é fato e o que não corresponde à realidade do ecossistema.

De acordo com o comunicado do grupo, o CCI vai desenvolver recursos para que decisores entendam sobre armazenamento, criação e transferência de dinheiro usando criptoativos. Porém, as empresas não deram detalhes de como serão esses recursos e onde começarão os trabalhos.

A Paradigm é uma empresa que inclui um fundo de investimentos em criptoativos e em negócios do setor. Além disso, tem uma aceleradora e uma agência de pesquisa. A Coinbase, por sua vez, é a maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA).

Já o braço de ativos digitais da Fidelity armazena e negocia criptoativos. É uma atividade da gestora Fidelily Investments, que tem mais de US$ 10,2 trilhões de ativos sob administração. E por fim, a Square é a empresa de pagamentos fundada por Jack Dorsey, que também fundou o Twitter.

Bolsa de Chicago vai lançar micro contrato futuro de um décimo de bitcoin

 A Bolsa Mercantil de Chicago (CME), maior exchange de contratos futuros de bitcoin, vai lançar, em 3 de maio, o contrato de futuros Micro Bitcoin. O novo produto terá um décimo de um bitcoin.

De acordo com a CME, “o contrato de menor tamanho dará aos investidores, de instituições a traders individuais, mais uma forma de fazer hedge do risco do preço na moeda no mercado spot”. Além disso, pode ajudar na execução e estratégias de negociação.

A CME lançou o contrato futuro de bitcoin em 2017. Desde então a demanda cresceu, assim como a liquidez dos derivativos de criptos, disse Tim McCourt, responsável pela área de Índice de Equity e de Produtos de Investmentos Alternativos.

Além de contratos futuros e de opções em bitcoin, a CME lançou, recentemente, os contratos futuros de Ether. Desde o início do ano, a bolsa afirma que houve 13.800 negociações média diárias de futuros de Bitcoin, o que equivale a cerca de 69 mil bitcoins.

Já a negociação média diária do CME Ether está em 767 contratos, ou seja, algo como 38.400 ethers, desde o lançamento, em 8 de fevereiro.

O novo contrato será no formato contrato por diferença, ou seja, a liquidação financeira é feita com o diferença entre o preço do ativo na liquidação e no contrato. O índice usado é o CME CF Bitcoin Reference Rate.

PayPal aceita Bitcoin, Ethereum e Litcoin em pagamentos nos EUA

A PayPal anunciou que começou a aceitar criptomoedas como pagamento. O serviço é chamado de Checkout with Crypto. Consumidores dos Estados Unidos (EUA) já fizeram milhões de dólares em pagamentos com as moedas digitais.

A empresa vai aceitar bitcoin, bitcoin cash, ether e litcoin. Além disso, o serviço estará disponível a sua rede de 29 milhões de comerciantes nos próximos meses. A empresa diz que não vai cobrar tarifa de operação para pagamentos com criptos e só um tipo de moeda poderá ser usada por vez.

As operações serão liquidadas em dólar e convertidas na moeda do país do estabelecimento com base nas taxas de conversão da PayPal. Assim, os usuários vendem suas moedas pela PayPal para pagar as comprar online.

A informação vem um dia depois de a Visa anunciar que também vai aceitar criptomoedas, fazendo a liquidação de operações, ou seja, convertendo em moeda fiduciária (fiat). Assim como a PayPal.

Um dos pontos mais cruciais em relação a criptomoedas é se e quando se tornarão úteis como meios de pagamentos, ou se o uso será principalmente como reserva de valor. O fato de empresas globais de meios de pagamento aceitarem as moedas digitais pode incentivar outras a fazerem o mesmo.

“Essa é a primeira vez que você pode usar criptomoedas da mesma forma que o cartão de crédito ou débito na sua carteira PayPal, disse o presidente e CEO da empresa, Dan Schulman.

De acordo com o CEO, “o próximo passo é permitir a compra com criptomoedas em estabelecimentos no resto do mundo, gerando aceitação em massa da moeda”.

A PayPal demonstra interesse em criptomoedas há algum tempo. A empresa foi uma das primeiras a embarcar no projeto da moeda Libra, conhecida como a moeda do Facebook. Agora, o projeto se chama Diem. Mas deixou depois de reclamações de reguladores e disse que tocaria seus próprios projetos.

Depois disso, anunciou diversas ações. Uma delas foi um serviço para que seus clientes nos Estados Unidos (EUA) comprem, vendam e guardem criptomoedas em suas contas na plataforma da empresa. Isso aconteceu em outubro passado.

Além disso, a empresa investiu, por exemplo, numa startup que calcula impostos sobre criptomoedas. E, ainda, disse que vai oferecer financiamento em criptos a partir deste semestre para sua rede de estabelecimentos.