Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Investidores em startups colocam blockchain e cripto no topo das tecnologias mais promissoras

Investidores em startups nos Estados Unidos (EUA) colocaram blockchain e criptoativos como o segmento de tecnologia mais promissor em 2021. Já os fundadores de startups, será o quinto principal. Esse é o resultado de um levantamento do venture capital Nfx com 526 entrevistados, no final de 2020. A resposta positiva foi dada por 30,25% dos investidores.

Além dessa previsão, a maioria dos fundadores (71,56%) e dos investidores (64,18%) acreditam que nos próximos três anos, blockchain será uma tecnologia comum. O restante nesses dois grupos acredita que o uso de blockchain não vai progredir.

Um exemplo desse interesse é o da PayPal Ventures, que hoje (7) anunciou investimento na startup TaxBit. A empresa tem um software que calcula os imposts sobre criptos para usuários e lojistas.

Quando a pesquisa foi feitas, os entrevistados nem sabiam ainda do anúncio de IPO da Coinbase, o que poderia ter influenciado ainda mais as respostas.

Investidores estão mais animados do que fundadores de startups. Imgem: NFX

A pesquisa não mostra porque os investidores em startups veem blockchain com tão bons olhos. É possível que o rally de preços do bitcoin desde o final de 2020, o boom de finanças descentralizadas no semestre ano passado e o maior conhecimento sobre a tecnologia contribuam para essa percepção. Uma vez que venture capitals olham para negócios escaláveis, os de criptos podem estar chamando a atenção deles.

Depois de passar pelo período de hype, em que muita gente achou que podia resolver qualquer problema com blockchain, a tecnologia caiu num limbo. Isso é normal, conforme mostra levantamento do Gartner. Mas agora, parece que volta a ser a bola da vez ou algo assim. Porém, volta de uma forma, aparentemente, mais madura. Há mais pessoas entendendo do que se trata blockhain e quando é recomendável usá-la.

Investidores em startups de criptos

Se o interesse dos investidores é em criptoativos, houve movimentos em 2020 que indicaram potencial de maior uso. Dentre estão a aceitação de criptos pelo PayPal e Visa. Assim como também houve confirmações do regulador bancário dos EUA de que as instituições podem realizar determinados operações e serviços que envolvem empresas do setor ou moedas estáveis.

Agora, se o movimento se deve ao frenesi causado pelo rally do preço do bitcoin, que anda batendo recorde sobre recorde, a visão também deve ser muito positiva, apesar da volatilidade da cripto.

Disputa com ouro

Segundo uma análise do J.P. Morgan, que faz comparações com o ouro, o preço do bitcoin teria de chegar a US$ 146 mil para ter um market cap equivalente ao do metal nas mãos de investidores. Esse market cap é US$ 2,7 trilhões. O do bitcoin está agora (18h11) em US$ 1,04 trilhão quase um terço do valor em ouro.

Só que a sua alta volatilidade afugenta investidores institucionais que gostam de ouro. Portanto, o banco diz isso essa redução de volatilidade, aumento de demanda e de preço só poderá acontecer no longo prazo. O JP lembra também que as novas gerações preferem ativos digitais, como o “ouro digital”, no caso bitcoin e isso pode ajudar a aumentar seu market cap no futuro.

Investidores e fundadores acham que em três anos, blockchain será tecnologia comum. Imagem: Nfx

Em sua análise desta semana, o Mercado Bitcoin indica que os preços estão esticados e pode haver uma correção, assim como diz o J.P.

“Caso queira entrar a qualquer custo (no mercado de criptos), comece com um aporte menor durante esta alta. Espere uma correção para aumentar mais intensamente as posições. Evite ser vítima do Fomo (sigla em inglês para medo de perder uma chance).

E aí vem uma informação importante de mercado: “historicamente, as correções do BTC costumam durar cerca de 25% a 40%, mas agora com a entrada em massa dos institucionais, podemos estar iniciando um novo padrão de correções menores.”

A pesquisa da Nfx também trouxe outros dados interessantes, como o de que a maioria dos investidores estão interessados em diversificar seus investimentos geograficamente. Eles dizem que querem colocar dinheiro em startups fora de hubs como Bay Area, em São Francisco, Nova York, Los Angeles e Seattle. Alguns fundadores e investidores até dizem que vão sair de Bay Area.

LCX, bolsa de criptoativos de Liechtenstein, anuncia lançamento após obter licenças

A Bolsa de Criptoativos de Liechtenstein Cryptoassets (LCX) anunciou, hoje (5), o lançamento de sua exchange digital regulada e alinhada a regras de compliance. A empresa diz que conseguiu oito licenças que seguem as novas leis de blockchain do país. Dentre as primeiras moedas que vai negociar estão bitcoin, ethereum (ETH), USD Coin e o token LCX Token.

De acordo com a LCX, as licenças incluem a de bolsa de cripto, de custodiante de ativos digitais e criptos e de oráculo que oferece contratos inteligentes. Além disso, a LCX tem autorizações para serviços de tokenização e de distribuição de tokens, assim como para outros projetos, como identidade.

Seu token LCX Token pode ser usado para pagar os serviços da bolsa.

A LCX saiu de uma ideia num guardanapo, onde Monty Metzger, CEO e fundador da empresa, desenhou seu projeto, em 2017. Um ano depois, ele fundou a empresa.

A partir daí, criou um portfolio de criptos, um terminal para moedas e DeFi e outros produtos. Hoje, a sede da empresa fica em Vaduz (Liechtenstein), mas há duas filiais no Crypto Valley em Zug, na Suíça, e em Nova Delhi, na Índia.

A bolsa quer ser a primeira a oferecer security tokens com licença e que opera sob supervisão dos reguladores. “2021 vai ser o ano da inovação em blockchain e vemos o compliance em cripto como peça-chave para o sucesso”, disse Meztger.

Wozx, token do co-fundador da Apple para eficiência de energia, entra em mais uma exchange

Os tokens Wozx da Efforce, empresa do co-fundador da Apple, Steve Wozniak, estão agora listados em três exchanges. Além da HBTC, onde a empresa lançou os tokens em 3 de dezembro, a plataforma listou os criptos na Bithumb Global e agora, na Gate.io. O foco desses ativos é investir os recursos levantados em projetos de eficiência energética.

O Wozx é um token ERC-20, da rede Ethereum. Quem tiver interesse em financiar os projetos apresentados na plataforma, compra os tokens como investimento futuro. Dessa forma, as empresas implantam os projetos com os recursos dos tokens e a economia de energia é registrado em tempo real na blockchain.

No final, um contrato inteligente redistribuirá os ganhos para quem tiver os tokens e para as empresas. Logo no início, a Efforce criou 100 milhões de Wozx. A empresa vai emitir 1 bilhão de tokens em 10 anos e nada mais.

Wozx vale US$ 1,30

O negociação do token começou em US$ 0,10. Na sequência, o valor se multiplicou e chegou a US$ 3,62 no dia 9. No entanto, os preços caíram depois e às 9h32 desta segunda-feira (28) o valor era de US$ 1,30.

Além de “Woz”, os outros co-fundadores da Efforce vêm da AitherCO2, baseada em Milão. A empresa presta serviços para aumentar a eficiência energética e a sustentabilidade das empresas.

Efforce afirma que nos últimos 10 anos, o mercado de eficiência energética atingiu US$ 241 bilhões e aumentos anuais de 10%. De acordo com a Agência Internacional de Energia estima que chegará a US$ 580 bilhões em 2025.

O que pode incentivar esse mercado é a pressão dos consumidores para que as empresas sejam mais sustentáveis. Isso também tem feito governos, como o da União Europeia (UE) e China, se comprometerem a reduzir a emissão de carbono.

SEC processa Ripple e dois executivos; reguladora quer aplicar penalidades por causa do XRP

A Securities and Exchange Commission (SEC) divulgou, nesta terça-feira (22), que abriu processo contra a Ripple Labs Inc. e dois de seus executivos. Isso porque eles levantaram US$ 1,3 bilhão na venda do token XRP desde seu lançamento, em 2013. De acordo com a reguladora, o XRP é um titulo de investimentos e a empresa tinha de registrá-lo*.

A reguladora do mercado dos Estados Unidos (EUA) diz que a empresa violou o Securities Act de 1933. Dessa forma, pede uma medida cautelar, pagamentos de juros e penas civis. Enquanto a SEC diz que o XRP é um contrato de investimento, a Ripple diz que é uma criptomoeda.

Na segunda-feira à noite, o CEO da Ripple, Bradly Garlinghouse, tinha antecipado que a SEC deveria processar a empresa. O executivo disse que está “pronto para lutar”. Assim como Garlinghouse, a reguladora também está processando Christian Larsen, co-fundador, presidente do conselho e ex-CEO da Ripple.

O XRP era o terceiro com maior market cap (valor da moeda x oferta de moedas). Mas nas últimas horas perdeu o lugar para a Tether. Às 12h35 de hoje estava em US$ 15,39 bilhões. Isso representou uma queda de 31% em 24 horas dos cerca de US$ 21,7 bilhões. Por outro lado, o da Tether subia 0,26% para US$ 20,47 bilhões.

Ripple no Brasil

O XRP ajudou a financiar a Ripple. A empresa foi criada como uma startup para transferências internacionais. Como utiliza blockchain, seu objetivo é oferecer serviços mais eficientes e baratos do que os da Swift.

Segundo a empresa, sua rede inclui mais de 300 bancos em mais de 40 países. No Brasil, Bradesco, Santander e Rendimento estão entre as instituições que usam a plataforma. Porém, o Brasil é um dos países que proíbe o uso de tokens como o XRP.

Num comunicado, a SEC também disse que a Ripple distribuiu bilhões de XRP em troca de serviços. Além disso, a reguladora afirma que os executivos realizaram vendas não registradas de cerca de US$ 600 milhões de XRP.

Exposição de investidores

“Emissores que buscam benefícios de ofertas públicas, incluindo acesso a investidores do varejo, ampla distribuição e mercado secundário, precisam seguir as leis federais de títulos. Essas leis demandam o registro de ofertas, a menos que haja uma exceção”, disse Stephanie Avakian, diretora da divisão de Execução da SEC.

A reguladora afirmou ainda que a falta de registro das vendas de XRP levou a uma exposição dos investidores sem informações a respeito da Ripple. Portanto, eles ficaram sem as proteções adequadas. Essas proteções “são fundamentais para nosso sistema de mercado público”, completou

*Reportagem atualizada às 12h40 com valores de mercado do XRP

Samsung lança carteira de criptomoedas no Brasil; país é o primeiro da AL a ter o serviço

A Samsung anunciou, nesta sexta-feira (18), o lançamento de sua carteira de criptomoedas no Brasil, a Samsung Blockchain Wallet. A empresa afirma que o dispositivo oferece maior segurança nas transações de moedas digitais como bitcoin, ethereum, ER20 e tron.

O Brasil é o primeiro país da América Latina a ter o serviço, disse Bruno Costa, gerente sênior de conteúdos e serviços para a área de dispositivos móveis da Samsung Brasil.

Segundo a empresa, quando o usuário abre o aplicativo, o smartphone reconhece o Samsung Blockchain Keystore, que armazena a chave privada. A partir daí, é habilitado o Samsung Blockchain Wallet. O dispositivo está disponível nos aparelhos Galaxy A71, Galaxy S10 Lite, Galaxy Note10, Galaxy Z Flip, Galaxy Z Fold2 e nas linhas Galaxy S20 e Galaxy Note20. A app é baixado pelo Galaxy Store.

A empresa sul-coreana também anunciou mudança do comando no Brasil. Em 2021, seu presidente será Kevin Seo, responsável pela divisão de inovação na venda de celulares. Essa é a área de dispositivos móveis da empresa na Coreia. Ele vai substituir Yoonie Joung, que assumirá a divisão de celulares da Samsung nos Estados Unidos. Joung ficou no Brasil por dois anos.

Coinbase faz pedido para registrar sua ação e Messari estima empresa em US$ 28 bi

A Messari, empresa de dados sobre criptos, estima que a Coinbase, maior exchange de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA), pode levantar US$ 28 bilhões num oferta de suas ações.

O cálculo vem após a Coinbase, uma das mais antigas exchanges, pedir, ontem (17), à Securities and Exchange Commission (SEC), para registrar sua ação.

O pedido se tornará efetivo após a SEC analisar o processo, que está “sujeito a algumas condições, como a de mercado”. O anúncio foi feito por um comunicado de apenas dois parágrafos.

Ter uma exchange de criptos desse porte na bolsa nos EUA será mais um passo do transbordo da criptoeconomia para a economia tradicional. Além disso, será um tester crucial sobre a aceitação dos investidores do bitcoin, em especial, e outras criptomoedas.

Parâmetros para investidores

Dessa forma, a listagem servirá também para criar mais parâmetros sobre o olhar dos investidores sobre empresas do setor. Com esse passo, pode ser que investidores que têm receios de criptomoedas se sentiam mais confortáveis em aplicar recursos numa exchange que promete seguir as regras do mercado tradicional. Essas regras são mais claras e mais exigentes em relação à qualidade dos ativos e segurança para os investidores.

A Messari lembrou que a Coinbase fez recentemente mudanças em seu board, trazendo altos executivos da Cisco e Google. Isso costuma ser um dos sinais de que a empresa está se preparando para ir a mercado.

A empresa foi fundada em 2012 em São Francisco. Brian Armstrong, seu CEO e co-fundador, disse ontem em seu blog que a alta de bitcoin deveria ser vista com cuidado pelos investidores. Isso porque é um ativo com mais volatilidade do que aqueles que os investidores estão acostumados a lidar. Um alerta transparente, como deve ser o de um empresário e que no mesmo dia pediu para listar suas ações na bolsa.

Em seu site, a Coinbase diz que já movimentou negociações de US$ 300 bilhões e tem US$ 30 bilhões de ativos na plataforma. A exchange afirma também que tem 35 milhões de usuários em mais de 100 países. Além disso, tem 1 mil funcionários.

Preço do bitcoin bate novo recorde e CEO da maior exchange dos EUA faz alerta a investidores

O preço bitcoin bateu novo recorde em dólar nesta quinta-feira (17), quebrando barreiras e atingindo $23.770 (cerca de 142 mil). As altas em dólar da mais decana das moedas digitais estão também puxando os valores alocados em investimentos alternativos em criptomoedas neste ao.

Durante o dia, o valor retrocedeu – estava em US$ 27,04 às 20h28. Mas mesmo assim, isso significava alta de 6,5% em 24 horas e de 24,5% em uma semana. A capitalização de mercado (market cap) era de US$ 424,78 bilhões.

De acordo com o site DeFiPulse, o valor alocado em finanças descentralizadas (DeFis) chegou hoje a US$ 15.885 bilhões. No dia 2 de janeiro deste ano, bitcoin custava US$ 7 mil, US$ 691 milhões. Depois disso, em setembro, quando a moeda estava em cerca de US$ 10 mil, começou um rally.

Segundo o CoinDesk, as oito maiores exchanges que o site acompanhou hoje tiveram até determinado momento um movimento superior a US$ 3,5 bilhões. Isso representava uma alta de quase 20% sobre o valor de ontem.

Dinheiro institucional

Os especialistas do mercado atribuem o aumento em especial à entrada de investidores institucionais. Dentre eles estão a Microstrategy, que faz software para análise de dados, e a seguradora Mass Mutual

É fato que mais de 20% do dólar em circulação foi emitido em 2020 para reduzir dos efeitos da pandemia. Isso significa que tem dólar novo buscando um porto para atracar. Porém, tem também o antigo, que ficou parado, sem ser queimado em compras, e que está em busca de investimentos, inclusive os alternativos.

Mas, não é só o fato de haver dinheiro no mercado de capitais. A questão é também que as taxas baixas de retorno em outros investimento têm feito os investidores buscarem mais retorno e para isso, estão olhando para ativos mais arriscado.

O bitcoin já tinha experimentado um aumento no primeiro semestre com a expectativa do halving, a redução pela metade dos bitcoins ganhos em mineração. Ou seja, de novas entrando no mercado.  

Há quem questione se esse pico de preços é semelhante ao de 2017. Naquela época, o bitcoin chegou a US$ 19,8 mil. Depois caiu para menos de US$ 4 mil. A diferença, aparentemente, é que agora quem puxa a alta são os investidores institucionais. Mas até o fundador da Coinbase, maior exchange dos Estados Unidos, lembra que a alta não deve ser um sinal para que se coloque tudo em bitcoins ou outras criptos.

“Não há como enfatizar o suficiente o quanto é importante entender que investir em criptomoedas não deixa de ter riscos. Criptos podem ser ativos voláteis, em geral mais do que os instrumentos financeiros tradicionais que a maioria dos investidores está acostumado”, o co-fundador e CEO da Coinbase, Brian Armstrong.

Gestora de investimentos Magnetis inclui criptomoedas em seu portfolio

A Magnetis, fintech criada em 2015 e que faz gestão de investimentos, decidiu incluir criptoativos na sua estratégia de alocação de recursos. As moedas digitais como bitcoin farão parte do fundo Magnetis Diversificação Ações, focado em renda variável. Esse fundo inclui cotas de fundos de ações e ETFs (Exchange Traded Funds), que são baseados em índices de bolsas de valores. acompanham índices.

De acordo com Marcelo Romero, diretor de investimentos da Magnetis, a alocação em criptos será pequena. O percentual vai variar de 0,45% a 2,02% conforme o perfil do cliente. E como essas moedas não têm relação com os outros ativos, podem melhorar o rendimento das carteiras sem aumentar o risco, completou Romero.

Os valores serão alocados num investimento que replica a carteira do índice HDAI, da gestora Hashdex.

Segundo Romero, a criação desses veículos de investimento no Brasil permitiu adicionar as criptomoedas nas carteiras da Magnetis. Ele disse que a alta do bitcoin, que bateu recorde em reais recentemente, não foi o motivo para incluir criptos na carteira da gestora.

Até então, a Magnetis investia os recursos dos clientes em ações no Brasil e no exterior, renda fixa e previdência.

A fintech foi fundada por Luciano Tavares, que trabalhou 25 anos no mercado financeiro. Ele foi vice-presidente da Merrill Lynch no Brasil e fundador da gestora Nest Investimentos.  A empresa diz já ter montado mais de 400 mil planos de investimento e tem R$ 500 milhões sob gestão.

A fintech recebeu investimentos dos fundos Monashees, Vostok Emerging Finance e Redpoint E-ventures, além da aceleradora 500 Startups e de investidores-anjo.

Consensys lança solução para atrair investidor institucional para finanças descentralizadas

ConsenSys vai oferecer uma versão da carteira de criptomoedas da MetaMask para investidores institucionais. A MetaMask tem mais de 1 milhão de usuários ativos, sendo uma das mais populares de finanças descentralizadas (DeFi) na rede blockchain Ethereum. Esse passo busca atrair pelo menos parte da gigantesca quantia de US$ 70 trilhões alocados pelos investidores institucionais. Por exigirem segurança e boas práticas, eles têm se mantido distante dos criptoativos.

Com essa solução de DeFi, a empresa vai oferecer fundos de criptomoedas e custódia que buscam dar mais segurança, afirmou. Isso inclui soluções que envolvem questões como compliance, pagamento de impostos e relatórios de perdas e lucros. Todas são exigências dos investidores institucionais em suas alocações e a falta desses quesitos é um dos motivos para mantê-los longe das criptos.

A primeira de muitas

Será possível trocar, emprestar, tomar emprestado e investidor em aplicações Ethereum com as características operacionais, de segurança e controle de uma mesa de trading tradicional, disse a Consensys. A empresa, que é referência em solução em Ethereum, está agora com um programa de early adopters que queiram experimentarem a solução.

De acordo com Maurício Magaldi, mentor de startups baseadas em blockchain e host do BlockDrops Podcast, ainda não se tinha visto uma infraestrutura de DeFi para os investidores institucionais. “Essa versão cuida de ferramentas importantes para investidores corporativos e replicam o funcionamento de mesas de trading tradicionais”, completou.

Segundo ele, o mercado vai começar a ver outros tipos de estruturas como essa, já que as mesas de trading tradicionais têm entendimento muito apurado da dinâmica do dinheiro.

Explosão de DeFi

Os valores alocados em DeFis explodiram nos últimos meses. Passaram de US$ 690 milhões no dia 1 de janeiro deste ano, para US$ 14,3 bilhões em 13 de dezembro, segundo o DeFi Pulse. É mais do que hora de mostrar que esses investimentos têm riscos, mas que é possível diminui-los.

Em meio a essa explosão, que aconteceu a partir de setembro passado, a MetaMask lançou o MetaMask Mobile e uma solução de swap de tokens para facilitar a operação com criptoativos. Também criou o MetaMask Version 8, que segundo a empresa, aumentou a privacidade de sua Web3. 

O co-líder global de fintechs da Consensys, Patrick Berarducci, afirmou que o projeto inclui também a Curv. A empresa é especializada em infraestrutura de segurança de ativos digitais,

Bancos J.P. Morgan e BBVA anunciam que passarão a oferecer serviços com criptomoedas

Reportagem atualizada às 17h34 com informações sobre o J.P. Morgan

O J.P. Morgan e o banco espanhol BBVA anunciaram, nesta quarta-feira (10), que pretendem operar com criptomoedas. Essa é mais uma demonstração de que o mundo das finanças tradicionais está aderindo à criptoeconomia.

De acordo com o líder de pagamentos globais do JP, Takis Georgakopoulos, o banco quer oferecer serviços de pagamentos e de moedas digitais para as maiores plataformas de e-commerce do mundo. A afirmação foi feita durante o Singapore Fintech Festival, segundo o site e notícias Ledgers Insights.

Já o BBVA começa, em janeiro de 2021, a operar compra, venda e custódia de criptomoedas. Com isso, competirá com as exchanges de moedas digitais e será a primeira instituição financeira espanhola a entrar nesse mercado. Mas, a operação se dará pelo BBVA Suíça, onde a legislação é favorável a negócios – sérios – com criptoativos.

Como a Espanha ainda estuda a permissão de operação de criptomoedas, o caminho foi usar o hub internacional do BBVA na Suíça. Já a Comissão Europeia também propôs uma regulação em setembro. A reportagem completa sobre o BBVA está no BlockEconomia, site espanhol parceiro do Blocknews.

“Como você disponibiliza dinheiro?”

Enquanto isso, nos Estados Unidos (EUA) há serviços com criptomoedas permitidos. Tanto é que o JP Morgan já abriu contas de exchanges e tem sua própria moeda digital, a JPM Coin. Seu concorrente, o Goldman Sachs, também está investindo no tema para acelerar o uso de blockchain. Apesar disso, os reguladores disseram, na semana passada, que deverá haver uma nova regulação sobre o assunto nos EUA.

O plano do JP é separado do Projeto Ubin, um sistema de pagamentos de múltiplas moedas que o banco comercializa com o DBS Bank e a empresa de investimentos Temasek, em Singapura. Sua moeda JPM Coin também participa do projeto. 

“Como você disponibiliza o dinheiro? Não apenas por cartões de crédito, mas também por carteiras, criptos e tudo o mais”, disse Georgakopoulos. “E como você envia dinheiro e se conecta com todos os sistemas de pagamentos em tempo real e as com as CBDCs (sigla em inglês de Moedas Digitais de Bancos Centrais) que serão criadas em todo o mundo? E então, como você permite que vendedores e compradores nesses marketplaces interajam entre eles com a moeda que essa plataforma quer ter, fazendo isso de uma forma eficiente e em tempo real, permitindo que a plataforma traga todos os serviços de valor agregado que querem?”

Projeto multimoedas Ubin

O projeto Ubin foi coordenado pela Autoridade Monetária de Singapura (MAS) para o estudo de blockchain e DLT em clearing e liquidação de pagamentos e títulos. Foram cinco fases, a primeira lançada no final de 2016 com um grupo de instituições financeiras, entre elas o JP. A última fase foi finalizada em julho deste ano. Nessa ocasião, foi divulgado um relatório sobre o uso dessas tecnologias em sistemas de pagamentos multimoedas.

O objetivo era o eventual desenvolvimento de sistemas mais eficientes baseados em tokens, que sejam alternativos aos sistemas baseados no banco central.

Logo após esse anúncio, o JP informou, hoje, que fez a primeira operação intraday de recompra de títulos com blockchain.