Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Projeto de dólar digital vai realizar cinco pilotos com financiamento da Accenture

O Digital Dollar Project (DDP) vai lançar pelo menos cinco pilotos, nos próximos 12 meses, para testar um potencial dólar digital de banco central dos Estados Unidos (EUA). O DDP é uma parceria da Accenture com a Digital Dollar Foundation, que estuda o assunto.

Os três primeiros testes serão anunciados dentro dos próximos 60 dias. Os pilotos estarão abertos a participantes do mercado e governo que tenham interesse no projeto.

O governo dos EUA está estudando o tema, mas diz que uma vez que se tata de algo complexo, não tem pressa. No entanto, há informações de que o avanço da China no seu projeto de moeda digital de banco central (CBDC) levou Washington a acelerar esses estudos.

Isso porque uma CBDC chinesa poderá, em alguns anos, ganhar muito mais espaço no câmbio internacional. Esse câmbio é amplamente dominado pelos EUA.

Porém, estima-se que o iuan digital poderia subir muito no ranking e se tornar a terceira principal moeda até 2030, depois do euro. Assim, deixaria para trás, por exemplo, a libra esterlina. O Reino Unido, por sua, também anunciou recentemente que vai estudar a sua “britcoin”.

A DDP começou a operar em 2020, quando esquentaram as discussões sobre CBDC por conta do iuan digital e da Libra, agora Diem, anunciada pelo Facebook com outros parceiros.

Seu co-fundador é J. Christopher Giancarlo, ex-presidente da U.S. Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A CFTC é a reguladora do mercado norte-americano de contratos futuros e opções.

“Os EUA não precisam ser os primeiros a terem uma CBDC. Mas, precisam ser o líder em estabelecer padrões para o dinheiro digital do futuro. É por isso que nossos pilotos são críticos”, afirmou Giancarlo num comunicado.

De acordo com o comunicado, a Accenture vai financiar a primeira fase de dos projetos. Nessa fase, a DDP vai analisar e identificar questões técnicas e funcionais. Além disso, vai explorar os benefícios e desafios e testar aplicações no varejo e no atacado.

“As CBDCs vão ter um papel implorante em como vamos modernizar nossos sistemas financeiros”, afirmou David Treat, diretor-geral da Accenture e líder global da área de blockchain da empresa.

Vitreo lança primeiro fundo de investimento em DeFi do Brasil

A gestora Vitreo começou a oferecer, hoje (8), um fundo de investimento focado em finanças descentralizadas (DeFis). É o primeiro fundo desse tipo no Brasil. A empresa aproveita a explosão de valores aplicados em DeFi no mundo explodiram no segundo semestre de 2020.

O Vitreo Cripto DeFi FICFIM IE investe em produtos como empréstimos, seguros e pagamentos feitos de forma descentralizada na rede blockchain. De acordo com o site Defi Pulse, há US$ 50,9 bilhões alocados em finanças descentralizadas. Há um ano eram US$ 770 milhões.

De acordo com um levantamento da Binance Research, havia mais de um milhão de usuários de DeFis em 2020. Um crescimento de 2.300% em comparação a 2019.

O produto da Vitreo é mais uma demonstração de que o mercado brasileiro tenta acompanhar o movimento em outros países, como os Estados Unidos (EUA), em relação a oferta de investimentos em criptomoedas.

Recentemente, algumas gestores receberam autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para lançarem ETFs (Exchange Traded Funds), ou seja, fundos atrelados a determinadas classes de ativos, como bitcoin.

Já há no país fundos expostos a criptomoedas, como os da Hashdex e também da Vitreo. Além disso, nesta semana, por exemplo, o BTG começou a oferecer o primeiro fundo de bitcoin gerido e administrado por um banco local.

O novo fundo da Vitreo é para investidor qualificado, segundo a empresa. O investimento inicial é de R$ 5 mil, enquanto a taxa de administração é de 1,5% ao ano.

A taxa de performance é de 20% sobre o que exceder o índice americano ICE US Treasury Short Bond Index TR + mais 2%, mas paga em real. O índice acompanha títulos pré-fixados de crédito privado com período de duração de um a doze meses. 

Chegou agora a blockchain? Então corra para entender o uso da tecnologia

Para quem está chegando agora ao mundo da tecnologia blockchain, o ideal é fazer uma pesquisa do que aconteceu nos últimos anos para ver o que funcionou e ganhar tempo. “A gente tem uma janela de tempo se estreitando com a pandemia”, disse Liliane Tie, consultora e community builder da Women in Blockchain Brasil, em evento da Rede Brasileira de APL’s de TI.

Com as demandas online criadas pela pandemia, espera-se uma aceleração em projetos digitais. E quem sabe isso pode chegar até ao processo de reembolso de consultas médicas, que levam tempo com as checagem de dados. Nayam Hanashiro, diretor de Alianças na América Latina da R3, afirmou que esse é um dos casos em que a confiança de blockchain pode ser usada.

O vídeo do webinar está em https://www.youtube.com/watch?v=W7CfiS_YAGA&feature=youtu.be

Inscrições abertas do painel “Tokenização e Certificação” do simpósio de blokchain em energia

Estão abertas as inscrições para o painel “Tokenização e Certificação” do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético. O evento será dia 7 (terça-feira), das 14h00 às 15h30, online e gratuito. O link para inscrição é https://www.sympla.com.br/1o-simposio-o-potencial-da-blockchain-no-setor-energetico__896029

Participarão das discussões Fernando Giachini, diretor do Instituto Totum, Heloísa Ceni, da CoinFabrik, Rocelo Lopes, CEO da Stratum, e Rodrigo Csizmar, co-fundador e diretor geral da Spynns Swiss.

Durante o painel, a Stratum sorteará 2 pulseiras de pagamento por aproximação e o equivalente a R$ 30 em seu token Stratumblue, para que usuários experimentem como é possível utilizar a tokenização.

101 Blockchains realiza webinar internacional com mulheres que trabalham com a tecnologia

As mulheres estão buscando conquistar espaço no mundo da tecnologia e isso acontece também numa área tão nova quanto blockchain. E para contar o que e como elas estão operando nesse segmento, a 101 Blockchains, plataforma global de cursos e eventos, vai realizar nesta quarta-feira (20) um webinar com nomes importantes da blockchain internacional. Os temas vão de tática operacionais e estratégias a riscos a serem evitados e boas práticas para fazer com que seus negócios sejam sustentáveis.

O evento inclui a participação Alisa DiCaprio, Head de Comércio e Cadeia de Suprimentos da R3, Laura De Giovanni, CEO da Tiiqu, de identidade digital Mary Hall, Diretora de Marketing de Produtos Blockchain da Oracle, Leanne Kemp, CEO da Everledger, Krystal Webber, Líder Global de Design e Estratégia da IBM Blockchain Services e Montse Guardia Guell, Diretora Geral da Alastria Blockchain Ecosystem, rede que reúne empresas que usam ou fornecem a tecnologia.

As inscrições podem ser feitas pelo link https://bit.ly/2Xeer75.

A 101 Blockchains vai enviar o vídeo do webinar para quem se registrar, mesmo que não tenha assistido o evento.

Blockchain dá segurança ao investidor de títulos, diz Lombardi, da Piemonte

A tecnologia blockchain poderia ser aplicada para a emissão de títulos para o varejo, mas essa mudança deve acontecer de forma gradual, “do contrário, vai quebrar a perna de muita gente. Em blockchain se faz tudo online de forma transparente para títulos e investidores. No futuro, os serviços dos bancos vão ter de mudar.”

É o que disse ao Blocknews Alessandro Lombardi, CEO da Piemonte, gestora de recursos que fez a primeira emissão de debêntures em blockchain do Brasil, em dezembro passado.

Lombardi, italiano que vive no Rio de Janeiro, é formado em ciências contábeis. “Por ser uma pessoa que vive no débito-crédito da contabilidade, vi que blockchain é uma contabilidade de operações que é quase uma luz que se acende quando você a descobre”.

Decidiu investir numa plataforma blockchain quando viu a operação de 110 milhões de dólares australianos (cerca de US$ 60 milhões) em títulos emitidos pelo Banco Mundial nessa tecnologia. “Me convenci de que a blockchain é muito boa para o mercado de dívidas.” Então resolveu que tentaria se diferenciar no mercado, se antecipando ao que vê como uma tendência.

A Piemonte usou a plataforma Ethereum, usando o padrão ERC-20, e soluções da norte-americana Horizon Globex para compliance, custódia e negociação. Segundo ele, criar contratos inteligentes (smart contracts) na rede blockchain, com todos os dados dos títulos, envolvidos na operação e regras é a parte mais fácil. Foram criados tokens para a emissão de R$ 66 milhões em 440 títulos de R$ 150 mil, foi a parte mais fácil. Os títulos tiveram o valor de face ajustado alinhado ao câmbio do dólar/real. 

A questão mais difícil em investimentos em blockchain é associar a propriedade de cada token aos investidores que compraram. “Mas isso é possível e deixa o investidor com mais garantias de que o que é seu, ninguém pega e não se perde.”

O gestor diz que depois do lançamento foi procurado por muita gente, de investidores a bancos, que buscaram entender como funcionou a operação. A emissão foi privada para 5 investidores, sem esforço, portanto, de colocação no mercado.

Garantia de propriedade

No sistema da Piemonte, o investidor é cadastrado com seus dados numa carteira. A rede – neste caso de 5 investidores – vê que há carteiras, mas não sabe o que cada um tem. “O investidor tem acesso ao que é dele. Não tem como pensar em um título de investimento sem algo assim. O investidor tem que saber que ele é o dono dela e que só ele pode mexer”.

Na operação, a gestora acabou criando um mercado secundário, que pode ser mais ágil em checagem de dados e transferências de títulos.

Isso também facilita que reguladores tenham acesso aos dados, se necessário. E resolve a questão de cadastros mal feitos. Há diversas investigações de corretoras na CVM (Comissão de valores Mobiliários) por falta de informações completas do investidor, diz Lombardi, e isso o smart contract pode resolver.

Pela blockchain, é possível checar dados dos investidores e emissores, como balanços, com agilidade e maior segurança. Os dados ficam gravados na rede. Corta-se o trabalho do analista do mundo real, por exemplo.

Mesmo com tanta tecnologia, a escritura pública ainda precisa ser feita no mundo offline. No Brasil, a regulamentação ainda abre espaço para emissões públicas de títulos em blockchain, que poderiam cortar ou simplificar diversas etapas do processo.

“Emissão de debêntures públicas no mundo offline, só gigantes podem fazer por conta dos custos”, completa Lombardi. Com blockchain, isso pode mudar.