Twitter adota mecanismo para se proteger de proposta de compra de Elon Musk

Elon Musk, que mexe o mercado quando fala de criptomoedas.

“Obrigada pelo apoio”, escreveu, na sexta-feira (15) num post no Twitter o bilionário Elon Musk. Assim, se referia à pergunta do perfil Bitcoin Archive “Você quer que Elon Musk compre o Twitter”, em que 77% de quem respondeu “sim”. Foi a primeira vez que se manifestou depois que o conselho de diretoria da rede social adotou, no mesmo dia, um plano por tempo limitado de direitos dos acionista.

O objetivo do plano, chamado de “Pílula Venenosa” é proteger os acionistas de uma oferta “não solicitada, não-firme”. Inclusive se a oferta for hostil, ou seja, se o comprador adquirir ações no mercado, de acionistas, sem perguntar se a administração da empresa quer vender o negócio. O plano se refere a Musk, mesmo sem o comunicado citar o empresário.

O direito limitado se aplicará se alguém tiver 15% ou mais do Twitter numa operação que a administração da empresa não aprovou. E deve reduzir a chance de um comprador que fizer uma oferta hostil não pagar a todos os acionistas um prêmio por isso ou sem dar à administração da empresa tempo suficiente para tomar decisões em favor dos acionistas. Em ofertas hostis, quem não vende ações ao comprador pode ser prejudicado. Portanto, o conselho tornou mais cara a compra do Twitter. A regra vale até 14 de abril de 2023.

Logo depois que Musk fez a proposta pelo Twitter, o príncipe saudita Alwaleed bin Talal mandou avisar que como um dos maiores acionistas da rede social, rejeitava a proposta. “Não acredito que a oferta proposta por Elon Musk (de US$ 43 bilhões, US$ 54,20 por ação) chegue perto do valor intrínseco do Twitter, dadas suas perspectivas de crescimento”. O empresário não demorou a responder com duas perguntas: quanto seu reinado tinha da empresa e qual sua visão sobre liberdade de imprensa.

9% é pouco. Musk quer 100%

O fundador da rede blockchain Tron, Justin Sun, disse que ofereceria US$ 60 pelo Twitter.

Todas essas conversas estão acontecendo pelo próprio Twitter. E tudo começou depois que Musk adquiriu 9% do Twitter no início deste mês. Não se deu por satisfeito e quer comprar 100% da rede social fundada por Jack Dorsey. O dono da Tesla e da SpaceX fez uma oferta de US$ 43 bilhões pelo Twitter, o equivalente a US$ 54,20 por ação. Com isso, as ações da empresa na Bolsa de Nova York subiram dos R$ 106 de quarta-feira para R$ 115 na manhã de quinta-feira (14). Depois, recuaram depois para a faixa de R$ 110 (valor às 11h45h).

Ao tornar-se recentemente o maior acionista do Twitter, Musk desconsiderou aceitar uma cadeira no conselho da empresa. Isso limitaria sua participação como acionista a um patamar de 15%. Agora, além da oferta de compra, ele propõe o fechamento do capital da empresa.

É uma sinalização de que pretende ter autonomia para implantar mudanças efetivas na rede social, que mora no fundo do seu coração. E de onde manda recados. O empresário é muito ativo no Twitter, onde tem 81,6 milhões de seguidores. Inclusive foi nela que avisou sobre a oferta de compra, num tweet que só dia: “fiz uma oferta”, com link para o pedido à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA.

Musk é crítico do Twitter

A oferta de Musk expõe a ousadia com que atua em seus negócios de forma acelerada. A compra de 9% de ações do Twitter, por exemplo, não está isenta de questionamentos. Uma ação junto ao Tribunal Federal de Nova York aponta que o empresário descumpriu a regra estabelecida pela SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, que prevê a divulgação pública quando se atinge participação de 5%. Musk, no entanto, veio a público somente quando esse patamar chegou em 9% de participação.

De acordo com carta endereçada ao presidente do Twitter, Bret Taylor, Elon Musk diz que se a oferta de compra não for aceita ele deve reconsiderar sua posição como acionista. “Desde que fiz meu investimento, agora percebo que a empresa não prosperará nem atenderá a esse imperativo social em sua forma atual. O Twitter precisa ser transformado em uma empresa privada”, disse Musk na carta.

Musk comprou os 9% depois de criticar a rede. E assim, colocou os pés na empresa que Jack Dorsey, outro admirador de criptomoedas como ele, fundou. Mas, Dorsey agora se dedica à empresa de soluções de pagamentos Block, depois de deixar o cargo no Twitter no final do ano passado. Seu foco está em criptomoedas e na construção de uma rede social descentralizada, seguindo os princípios de blockchain. Seria, portanto, a construção de um ringue de disputas entre os dois.

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