O Brasil ganhará oficialmente, nesta quinta-feira (18), em Brasília, o movimento “Juntos por Cripto“, que nasceu nos Estados Unidos (EUA) em 2023. A organização sem fins lucrativos busca mobilizar quem tem e negocia cripto a pressionar os legisladores por um ambiente para expansão do setor. A iniciativa foi da Coinbase e outras empresas se juntaram, como Kraken, Paradigm e Anchorage. O movimento já atua no Canadá, Austrália, Reino Unido e União Europeia.
No Brasil, um dos maiores mercados do mundo de cripto com mais de 20 milhões de usuários, segundo estimativas, a diretora do movimento é Marina Fuzeti Fagali, que era a responsável por assuntos corporativos e comunicação da Chiliz no Brasil.
“A comunidade de cripto é variada, de traders, de holders, mas não participam da discussão sobre o setor. O movimento é para inverter a ordem e representar a comunidade no debate regulatório”, disse ao Blocknews. Quem faz o corpo a corpo com os parlamentares são as empresas do setor ou terceiros que as representam como empresas de relações governamentais. Na sexta-feira (19), o lançamento é para a comunidade.
100 mil apoiadores
A meta anunciada é alcançar 100 mil apoiadores antes das eleições de outubro de 2026 e a captação de membros já começou em eventos como o Tokennation. Para se inscrever, é preciso acessar a plataforma do movimento.
Além de ter como fator de pressão o tamanho estimado do mercado brasileiro, o movimento trabalhará com dados como R$ 1,5 bilhão por ano em impostos recolhidos e aproximadamente 147 mil empregos anuais em tecnologia, incluindo blockchain. Além do crescimento anual de cerca de 25% do mercado cripto, ritmo comparável ao observado na inteligência artificial.
O momento do lançamento tem dois pontos cruciais: as discussões sobre regulação do setor, com temas que passam pelo Congresso, que é o foco. Isso porque os legisladores são eleitos e, por definição, devem escutar a população. Outro ponto é que este é ano de eleição no Congresso e portanto, um momento para informar os parlamentare e buscar posicionamentos. De acordo com Marina, o movimento é suprapartidário. “Cripto gera benefícios para qualquer lado”, completou.
Aliás, uma das ferramentas da plataforma nos EUA mostrou quem foram os congressistas pró e contra cripto nas últimas eleições. Aqui, também terá ferramentas que mostram o posicionamento dos congressistas e votação pelos membros da comunidade. O foco não são reguladores como o Banco Central (BC) pois esses conversam diretamente com as empresas.
Plataforma ativa
A plataforma terá ainda envio rastreável de mensagens a parlamentares, eventos presenciais, campanhas online e parcerias institucionais. O movimento também pretende apresentar compromissos concretos para candidatos e parlamentares ligados à pauta dos ativos digitais.
De acordo com o movimento, a principal preocupação é que a regulamentação do setor esteja sendo construída sem ampla participação dos milhões de brasileiros que utilizam ativos digitais. O documento afirma que esse cenário pode comprometer a competitividade nacional, afastar investimentos e incentivar a migração de talentos para outros mercados.
A agenda do movimento com o Congresso inclui garantir o direito dos brasileiros de usar e transacionar ativos digitais com segurança, leis que garantam segurança jurídica e promoção da liderança do país em finanças e tecnologia nas próximas décadas. Um manifesto será divulgado no lançamento.