O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou hoje (15) que haverá um processo de tokenização de ativos, portanto um aumento do número de contratos inteligentes. E a moeda digital de banco central (CBDC) brasileira se encaixa nesse contexto de negociações digitais.
A CBDC precisa acompanhar o movimento de inovação da indústria financeira, disse o presidente do BC. O banco começará a “soltar quais são os pilares do projeto”. Os debates na instituição “são intensos”, afirmou.
“O projeto inclui internacionalização e conversibilidade e a moeda digital faz parte desse processo”. Campos Neto fez as afirmações na abertura do Fintouch 2021, evento da Associação Brasileira de Fintechs (Abfintechs), que acontece hoje e amanhã (16).
Segundo Campos Neto, o número de fintechs pedindo autorização para operar tem sido tão grande que o BC tem até dificuldade de aprovar todas em curto prazo.
Além disso, deu uma dica: um casamento de sucesso que não tem aparecido muito no BC é o de fintechs, crédito e agronegócio. “É certeza que esse setor vai crescer”. Isso porque o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo.
Moeda digital é parte da inovação
“O mundo fala muito de interação entre fintechs e banco. Mas a que está acontecendo de forma mais acelerada é entre mídia social e o mundo financeiro. Vemos isso claramente no mundo de pagamentos, com tecnologias de pagamentos e conteúdos”, completou.
Por isso é que, recentemente, o BC aprovou que a realização de pagamentos pelo Whataspp. Mas, Campos Neto citou outros que existem, como o Google Pay. “Quem vai ser o ponto de entrada no mundo financeiro? Banco, mídia social? Isso é indutor de geração de dados e voltamos no ponto que é a capacidade de analisar dados para oferecer melhor produtos.”
Com o Pix, o brasileiro parece ter confirmado sua facilidade em usar o celular – os que têm o aparelho e internet. Isso porque os números atingidos até agora eram inimagináveis pelo BC. Tem sido “impressionante”, afirmou.
Campos Neto afirmou ainda que em poucos dias o uso do Pix atingiu as expectativas para os seis primeiros meses. Hoje, há o registro de mais de 206 milhões de chaves de 75 milhões de pessoas e de 5 milhões de empresas. O Pix foi aceita inclusive por pessoas de maior faixa etária.
Sobre o open banking, Campos Neto afirmou que é um processo permitido pelo aumento da capacidade computacional. Portanto, maior geração, armazenamento e análise de dados. Então “a gente começa a ver soluções que podem ser desenvolvidas com open banking”.