Dada a importância do dólar na economia global, os Estados Unidos (EUA) têm a obrigação de estar na vanguarda de políticas e tecnologias inovadoras, quando se fala em pagamentos internacionais e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Mas nesse caso, “é mais importante fazer direito do que ser o primeiro”.
“O dólar é a principal moeda de reserva e continuará a haver grande demanda por cédulas do Fed. Há cerca de 2 trilhões de notas em circulação e estimamos que quase metade desse valor está fora dos EUA.”
É assim que o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, coloca a posição do país sobre pagamentos transfronteiriços e CBDC, temas que a cada dia ganham mais corpo no cenário global, inclusive no Brasil. As afirmações foram feitas durante um painel sobre pagamentos internacionais no encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Ser o primeiro ou o melhor?
Fazer o certo não é so olhar em benefícios e riscos, disse ele. O Fed tem de olhar o impacto no exterior. Há perguntas difíceis operacionais que precisam ser respondidas, como a proteção da moeda digital de ataques cibernéticos e o impacto sobre a política financeira.
Segundo ele, o Fed está comprometido em avaliar a CBDC. Não há decisão sobre o assunto e há muito trabalho ainda para se fazer, inclusive uma consulta pública, antes de se tomar uma decisão. O Banco Central da União Europeia (BCE) lançou uma consulta pública no último dia 12.
Há benefícios de uma CDBC e incluem um sistema de pagamentos mais rápido e mais barato, fora outros macroeconômicos. Mas há também assuntos complexos, como o declino de dinheiro físico e a necessidade de atender pessoas não ou pouco bancarizadas.
Libra agitou os BCs
Como outros BCs, incluindo o Brasil, o Fed defende que a CBDC deve ser um complemento e não substituta do papel moeda e de outras formas digitais de dinheiro privado.
“A Libra mostrou a necessidade de melhorar os pagamentos transfronteiriços. É muito cedo para dizer como vai ter moldar o sistema de pagamentos. mas levou os reguladores a pensar nos riscos de inovações”, completou. E ele não disse, mas a Libra, moeda do Facebook e outras empresas, junto com a decisão da China de ter CBDC, fez os BCs a pensarem nessas moedas digitais.
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