BC discute com BRICS integração do PIX e CBDCs, sem stablecoins em pagamentos internacionais

BRIC inclui 11 países, entre eles Brasil, China e Índia.

O BRICS, grupo de onze países incluindo o Brasil, Rússia, Índia e China, estão discutindo possíveis integrações entre seus sistemas de pagamentos instantâneos e moedas digitais locais de bancos centrais (CBDCs). O foco é nos pagamentos transfronteiriços, de acordo com o presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, em um evento de cúpula do grupo nesta terça-feira (11)segundo a Reuters. No caso do Brasil, o sistema é o Pix.

Hoje, os pagamentos internacionais contam principalmente com o sistema tradicional, que os usuários consideram caro e demorado. As stablecoins surgiram como um alternativa mais barata e rápida, tanto que o uso está crescendo. Mas, o Banco Central (BC) está criando uma regulamentação para esse segmento que limita ou dificulta as operações. ,

O mercado até esperava que no futuro, o Drex poderia fazer essas operações, mas o BC paralisou o projeto do Drex em blockchain. Agora, a discussão com o BRICS parece indicar que o Drex pode ressuscitar, talvez em outros termos.

BC olha para BRICS

Com a informação das conversas no BRICS e o uso de moedas locais para pagamentos, fica claro que o regulador quer segurar o uso das stablecoins nos pagamentos internacionais. Um dos motivos é que são privadas, portanto, emitidas e controladas por terceiros, como a USDT (Tether) e USDC (Circle), sem seguirem regras do BC. Portanto, correm em trilhos fora – e sem controle – do sistema do BC.

Assim, a declaração de Malhotra está em linha com a informação do Banco Central (BC) no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025. No documento, o BC afirma que “avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições. Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais”.

Com isso, os BCs resolveriam aquilo que os usuários do sistema tradicional geralmente apontam como falhas que as stablecoins resolvem. “Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos. A interligação de sistemas de pagamentos instantâneos tem o potencial de diminuir as tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência de transações transfronteiriças”.

Na agenda do G20

Além dos quatro países fundadores, uma integração dos sistemas de pagamentos instantâneos do BRICS envolveria também a a África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU). “Pagamentos transfronteiriços são uma área de interesse para todos nós, incluindo os BRICS, porque sentimos que há muito espaço para a redução de custos”, disse Malhotra em Mumbai.

É um assunto considerado tão imporante que entrou na agenda do G-20, a pedido do Banco Central, quando Brasil presidiu o grupo. Oo cronograma original visa que 75% das remessas internacionais sejam liquidadas em até 1 hora até o final de 2027.

Já houve melhorias no tempo de envio de pagamentos no atacado e a expectativa é de que isso leve a uma melhora também no varejo. Mas, organização global Financial Stability Board (FSB) acredia que as metas, boa parte delas para o final do próximo ano, não se cumprirão. Isso porque houve avanços pequenos em 2025.

Em relação às regras para stablecoins, uma das decisões do BC foi, por exemplo, inserir essas moedas digitais no mercado de câmbio o que, entre os impactos, está o de uma possível taxação do IOF (Imposto sobre Transações Financeiras).

Além disso, há limites de uso para pagamentos internacionais e o BC quer travar em até 24 horas as operações para averiguações. Com a paralisação do projeto do Drex, o mercado passou a confiar ainda mais nas stablecoins para o futuro desses pagamentos.

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