Metaverso: o guia completo para iniciantes

Divaldo Oliveira, CEO da Wedoiti, agência de marketing digital.

O metaverso é hoje uma imensa promessa na qual muitas empresas estão fazendo grandes apostas. Porém, no momento, poucas pessoas têm uma visão abrangente e aprofundada sobre o metaverso e suas implicações para a humanidade. Da mesma forma, menor ainda é número de pessoas que conseguem imaginar o que o metaverso será num horizonte entre 5 e 10 anos.

Atualmente, falar sobre o que significa o metaverso é um pouco como ter uma discussão sobre o que significava a internet nos anos 1970. Naquela época, os elementos que viriam a compor uma nova forma de comunicação estavam em processo de construção, mas ninguém sabia realmente como seria a realidade. Então, embora fosse verdade, na época que a internet estava começando, nem toda ideia de como ela seria se tornaria verdade.

O que significa metaverso?

metaverso - homem vestindo oculus de realidade virtual

O metaverso é uma realidade digital que combina redes sociais, jogos, realidade aumentada, realidade virtual e criptoeconomia para permitir que os usuários interajam virtualmente. Para ajudá-lo a desmistificar o termo metaverso, propomos que você faça este pequeno exercício: substitua a palavra metaverso em uma frase ou texto por ciberespaço.

Em primeiro lugar fizemos o exercício proposto com um trecho de uma página do Facebook. Confira: “Apresentamos o Horizon Home, nossa visão inicial para uma base no ciberespaço. Essa é a primeira coisa que você vê quando coloca o headset Quest. Até agora, só se chamava Home porque a experiência não era social. Em breve, você poderá convidar seus amigos para acompanhá-lo no Horizon Home, onde você pode sair, assistir a vídeos e entrar em jogos e aplicativos juntos. Horizon Home é a mais recente adição ao Horizon, nossa plataforma social para ajudar as pessoas a criar e interagir umas com as outras no ciberespaço.”

Em seguida, fizemos o mesmo exercício com um trecho de uma página da Microsoft: “os aplicativos para o ciberespaço são o culminar da nuvem inteligente e da borda inteligente trabalhando em harmonia – em sua base estão os gêmeos digitais. Os gêmeos digitais permitem que você crie modelos digitais avançados de qualquer coisa física ou lógica, desde ativos ou produtos simples, até ambientes complexos. Esses ambientes podem ser redes de distribuição de energia, armazéns ou fábricas – qualquer coisa que seja importante para você. Essa ligação inicial do físico e do digital é fundamental para habilitar aplicativos no ciberespaço.”

Portanto, na maioria das vezes, o significado de metaverso pode tranquilamente ser entendido como ciberespaço, por se tratar de uma ampla mudança na forma como interagimos com a tecnologia.

Metaverso é um tema central para o marketing

Antes de mais nada, é importante pontuar que os profissionais de marketing têm um grande papel a desempenhar na construção do futuro do metaverso. Nesse sentido, serão eles que trabalharão na criação de espaços de convivência, entretenimento, eventos, publicidade e vendas para os consumidores do metaverso. Porém os profissionais de marketing devem saber separar o joio do trigo. Em outras palavras, há excesso de informação sobre o metaverso e isso leva à desinformação. Como consequência, há muito hype de marketing envolvido na ideia do metaverso. Provocado principalmente pelo Facebook ultimamente.

metaverso facebook

Metaverso é a aposta do futuro do Facebook

À primeira vista, batizar a holding que controla o Facebook, Instagram e WhatsApp de Meta foi uma jogada inteligente. Principalmente em um momento no qual o Facebook passa por um processo de declínio lento e consistente, como mostraram os resultados do último trimestre de 2021 divulgados nesta semana. Da mesma forma, mas em escala bem menor, o alcance do Instagram também está em declínio desde 2019. A princípio, tanto por causa do sucesso do TikTok, como também pela simples razão de que as pessoas estão se cansando dos anúncios no Instagram e de seus influenciadores. Em suma, é fato que o Instagram já não é tão popular quanto costumava ser.

Como resultado, paira uma nuvem de dúvidas quanto ao futuro da Meta. Neste momento, seus melhores dias já ficaram para trás. Esse cenário de baixo crescimento vem influenciando cada prioridade e decisão estratégica da empresa, uma vez que isso já atingiu os resultados do seu balanço. Então, em resposta ao declínio de seus principais produtos, a Meta vem trabalhando na construção de um novo produto, mais especificamente, o metaverso. Nesse sentido, seus esforços estão direcionados para o domínio da realidade virtual (RV) e da realidade aumentada (RA). Ambos são elementos essenciais na sua nova estratégia de metaverso.

metaverso second-life

As origens do metaverso

O público mais jovem já está habituado ao conceito de metaverso através de plataformas de jogos como o Fortnite e o Minecraft. Antes de mais nada, vale ressaltar que essas plataformas já exercem forte influência sobre os hábitos de compra de seus usuários. Nesse sentido, elas se tornaram instrumentos para a criação de metaversos mais amplos.

Só que o metaverso não é uma ideia tão nova quanto parece. Desde 2003, usuários ao redor do mundo se reúnem para vivenciar experiências de metaverso no Second Life. Porém, seus criadores fazem um grande esforço para enfatizar que o Second Life não é um jogo como o Fortnite ou o Minecraft, uma vez que não há metas por alcançar. Habitar o metaverso do Second Life é simples. Em primeiro lugar os usuários devem criar um avatar digital para representá-los. Logo a seguir, são livres para explorar o mundo, conhecer outros usuários, criar seu próprio conteúdo digital e até negociar bens e serviços na moeda do Second Life, o Linden Dollar.

O Second Life teve seu auge por volta de 2010. Todavia, a experiência disponibilizada por ele é muito rudimentar. Ou seja, sua interface gráfica está muito longe da visão atual dos universos imersivos transmitidos por fones de ouvido e óculos especiais de realidade virtual que a Meta e a Microsoft estão divulgando.

Principais tecnologias do metaverso

Com o surgimento da internet vieram uma série de inovações tecnológicas. Como permitir que computadores que falavam linguagens diferentes passassem a falar uma linguagem única. Logo depois, a se comunicarem intensamente e a grandes distâncias. Da mesma forma, a capacidade de ir de um computador ou página web, para outro, pelo uso de hyperlinks.

Simultaneamente ao desenvolvimento da internet ocorreram tremendas inovações na interação dos usuários com seus computadores. Ou seja, nas telas que se tornaram sensíveis ao toque passando por teclados e mouses mais funcionais e inteligentes. Atualmente, há um entendimento geral implícito de que as tecnologias que compõem o metaverso incluem tanto a realidade virtual, como a realidade aumentada sobre as redes sociais e os jogos.

realidade virtual

O que é Realidade Virtual?

Realidade Virtual (RV) é o uso de tecnologias para criar um ambiente simulado. Ao contrário das interfaces de usuário tradicionais, a RV coloca o usuário dentro de uma experiência imersiva. Em vez de ver uma tela na frente deles, os usuários estão imersos e capazes de interagir com mundos 3D. Ao simular o maior número possível de sentidos como visão, audição, tato e até olfato, a computação se torna a fundação desse mundo artificial. Os únicos limites para experiências de RV quase reais são a disponibilidade de conteúdo e a capacidade de computação.

realidade aumentada

O que é Realidade Aumentada?

Realidade Aumentada literalmente significa “Aumentar a Realidade”. Em outras palavras, apresenta o mundo real com camadas extras de informações digitais projetadas nele. A RA combina o mundo físico com sobreposição de elementos virtuais gerados por computador. Esses conteúdos virtuais 2D ou 3D são projetados na realidade dentro do campo de visão das pessoas. Principalmente através de câmeras de smartphones ou óculos inteligentes. A intenção é fazer com que o mundo físico e o virtual se reconheçam e interajam juntos com a ajuda da visão computacional e do ramo da inteligência artificial de aprendizado de máquina.

A RA é tecnicamente um grande desafio, pois nela o mundo virtual e o real devem coexistir perfeitamente e a informação digital tem que reconhecer o mundo real, com seus obstáculos, objetos naturais, gestos de pessoas, rostos e interações com elas. Do mesmo modo, tudo deve acontecer em tempo real, o que a faz bastante complicada por enquanto.

Quais são as diferenças entre realidade aumentada e virtual?

Sobretudo, ambas oferecem novas maneiras de imergir as pessoas e aprimorar sua visão com a ajuda da tecnologia. Todavia, fazem isso de maneiras realmente diferentes. Enquanto a realidade virtual substitui completamente o que as pessoas veem e experimentam, a realidade aumentada acrescenta algo a ela.

metaverso dois desafios tecnológicos

Os dois grandes desafios tecnológicos para o metaverso

As inovações que permitiram que computadores se comunicassem e as que facilitaram a interação dos usuários com eles foram os principais elementos usados para criar as estruturas fundamentais pelas quais conhecemos a internet atualmente. Nesse sentido, sites, aplicativos, plataformas de redes sociais, etc. existem por conta dessas inovações. Sem elas o mundo não seria como é hoje.

O metaverso, no seu sentido mais amplo, para começar a entregar as experiências imersivas que vemos nas propagandas da Microsoft, Meta e outras empresas, exige a adição de alguns novos elementos de tecnologia. Essas novas tecnologias são muito empolgantes, mas ainda são grandes promessas em desenvolvimento nos laboratórios.

Em primeiro lugar está o elemento relacionado com a capacidade dos servidores processarem as interações de milhares a milhões de pessoas, em um dado metaverso, em uma única instância. Atualmente, são capazes de lidar no máximo com algumas poucas centenas de pessoas ao mesmo tempo de forma eficaz. Em segundo lugar veem as tecnologias de processamento de rastreamento de movimento que podem distinguir onde uma pessoa está olhando ou onde estão seus pés e suas mãos. Desenvolver aplicações que rastreiam e reconstroem o movimento humano de maneira simples e eficaz ainda é um imenso desafio tecnológico a ser vencido.

ABBA Voyage

O futuro do metaverso envolve hologramas

A Evercoast é uma empresa de software que tem como missão mudar a forma como as pessoas se comunicam de 2D para 3D. Sua tecnologia se propõe a dar vida a novas experiências de compras, impactar em treinamentos corporativos, entre outras possiblidades. Por exemplo, você pode enviar uma mensagem para amigos, pedir feedback em tempo real, comunicar-se com seu chefe holográfico ou com seu médico 3D.

Definitivamente essas possibilidades brilham aos olhos de qualquer executivo. Em um dos episódios da série Black Mirror, uma personagem interpretada pela Miley Cirus é recriada na forma de uma boneca-falante. Enquanto a personagem é mantida em coma, seu holograma interpreta músicas extraídas a partir de suas ondas cerebrais. Os hologramas não estão apenas em séries e filmes de ficção científica, eles já são usados há algum tempo para substituir pessoas que não podem comparecer a eventos e até trazer pessoas que já morreram “de volta”.

Em 2022, começa pela Inglaterra uma nova turnê do ABBA. Durante todos os shows haverá a presença física da banda de acompanhamento do grupo e da plateia. Mas, os quatro músicos suecos participarão de forma digital, como holografias, com a aparência de 40 anos atrás. Para criar essa magia, os artistas do ABBA tiveram sua performance gravada em 3D utilizando 160 câmeras para não deixar passar nenhuma captura de movimento. Quem assistir ao evento terá a ilusão de que a banda foi teletransportada dos anos 70 para a década de 2020 sem qualquer marca de envelhecimento.

Hologramas precisam ultrapassar limitações atuais

A ocultação do estágio atual de desenvolvimento da holografia e suas limitações de tecnologia estão frequentemente presentes nas propagandas de como o metaverso irá funcionar. Por exemplo, um dos vídeos da Meta mostra personagens flutuando no espaço e outra uma pessoa representada em um holograma. No entanto, existem limitações atualmente que parecem impossíveis de superar. Por exemplo, não somente os headsets de RV, assim como os óculos de RA, ainda são muito desajeitados e desconfortáveis. Ao mesmo tempo em que a maioria das pessoas sente enjoo ou dor se os usar por muito tempo.

Então, como as empresas que estão investindo no metaverso mostram a ideia de sua tecnologia sem mostrar a realidade dos grandes headsets e de óculos que o fazem sofrer e sentir dor? Atualmente, a única saída parece ser simplesmente fabricar tecnologia a partir do zero. Entre as tecnologias prioritárias a serem desenvolvidas para o metaverso está a holografia. É uma frente com muita propaganda e muito investimento. Entretanto, ainda não é viável mesmo nas versões mais avançadas das tecnologias existentes.

Nesse sentido, não há, pelo que se sabe, uma solução que faça uma imagem tridimensional aparecer no ar que não seja em circunstâncias rigidamente controladas. Definitivamente, a holografia é a chave para o futuro do metaverso.

A criptoeconomia é a base financeira do metaverso

criptoeconomia

O potencial disruptivo das tecnologias de contabilidade descentralizada e ativos digitais habilitadas a partir da criação da blockchain estão transformando o mundo, a economia e o mercado financeiro como o conhecemos. No início de janeiro de 2022, o mercado de criptomoedas estava avaliado em mais de US$ 2,5 trilhões, havia mais de 12 mil projetos de criptomoedas contabilizados e este é apenas o começo do que está por vir.

A partir de 2021 vimos a injeção de mais de US$ 25 bilhões em investimentos em criptomoedas feitos por empesas de capital de risco. O número de empresas unicórnio na área de criptos aumentou 491% somente em 2021. As fusões e aquisições no setor estão aumentando significativamente com quase 200 negócios feitos ao longo de 2021. Em síntese: as criptomoedas chegaram para ficar e impactar quase todos os setores da economia global.

A adoção de ativos digitais está aumentando exponencialmente entre investidores institucionais. Eles estão aumentando a parcela de ativos digitais em seus balanços. Da mesma forma grandes bancos estão emitindo relatórios dedicados a investimentos em criptomoedas. É cada vez maior a quantidade de varejistas aceitando criptomoedas e até alguns países já começaram a aceitar criptomoedas como moeda legal.Como consequência, cada vez mais governos, fundos de investimento e empresas estão formulando sua estratégia para a criptoeconomia e fazendo investimentos para garantir que estejam bem-posicionados no futuro.

O que é finanças descentralizadas (DeFi)?

As finanças descentralizadas (DeFi) são um conjunto de tecnologias financeiras emergentes baseadas em blockchain. Nesse sentido, são semelhantes às usadas por criptomoedas. O DeFi remove o controle que bancos e instituições têm sob o dinheiro, produtos financeiros e serviços financeiros. Algumas das principais atrações do DeFi para os consumidores são:

  • Eliminar as taxas que os bancos e outras empresas financeiras cobram pelo uso de seus serviços;
  • Manter seu dinheiro em uma carteira digital em vez de mantê-lo em um banco;
  • Usar sem precisar de aprovação, bastando ter uma conexão à internet;
  • Transferir fundos em questão de segundos e minutos.

No início de 2022, já passava de US$ 250 bilhões as aplicações de DeFi em bolsas descentralizadas, empréstimos, financiamentos coletivos, seguros entre outros. Os aplicativos de DeFi não apenas eliminam o intermediário, mas também melhoram a remuneração dos provedores de liquidez nesse ecossistema.

O que é tokenização de ativos?

O conceito de tokenização de ativos refere-se à digitalização de ativos do mundo real e à capacidade de fracionar sua propriedade. A propriedade fracionada, quando formalizada, também pode ser negociada em um mercado aberto, criando flexibilidade e liquidez para os proprietários de tais tokens. Representa uma mudança de paradigma de como os ativos podem ser gerenciados, negociados e financiados para a maioria das classes de ativos do mundo, desde a indústria e infraestrutura de energia até imóveis e arte.

Em suma, todos os ativos tangíveis e intangíveis podem ser tokenizados. A tokenização aumenta a eficiência operacional, transparência e liquidez e reduz as barreiras de entrada para os investidores. Além disso, os tokens podem ser atribuídos com os benefícios e derivativos relacionados que acompanham o ativo, por exemplo, lucro, dividendos ou direitos de voto. A tokenização, através do conceito de tokens não fungíveis (NFTs), é um elemento chave para a maioria das outras tendências na criptoeconomia.

Definitivamente estamos testemunhando a ruptura da forma como governos, empresas e pessoas interagem com produtos financeiros. Embora alguns setores sejam mais impactados do que outros, o futuro das finanças afetará quase todos eles.

A relação do metaverso com a criptoeconomia

As criptomoedas serão as moedas do metaverso. Além disso, a desintermediação promovida pelo DeFi e a capacidade de criar tokens não fungíveis (NFTs) acelera ainda mais a adoção e o desenvolvimento do metaverso. A OpenSea é o maior marketplace de NFTs atualmente. No início de 2022, sua avaliação já ultrapassava os US$ 13,3 bilhões.

A maneira mais simples de entender a escala da OpenSea é simplesmente verificar seu volume de transações em dezembro de 2021. A partir do valor obtido, aplique uma taxa de administração de 2,5%. De acordo com a Dune, a OpenSea registrou US$ 3,25 bilhões em volume de negócios nesse período. Isso resulta em um faturamento bruto mensal de US$ 81,25 milhões e de US$ 975 milhões em 12 meses.

Ativos digitais na forma de NFTs estão se tornando a norma para consumidores e até marcas de consumo de alta renda. As empresas não apenas precisam estar preparadas para montantes de receitas significativos no metaverso, mas também para uma expectativa crescente de estarem presentes nele. Há uma corrida entre um metaverso centralizado e outro descentralizado.

O Facebook, com sua estratégia e reposicionamento estratégico para a Meta, ambiciona se tornar um player dominante. Da mesma forma, há outras empresas trabalhando para um modelo de metaverso aberto. Estamos longe de saber quais serão os vencedores. Mas uma coisa é certa e pode ser resumida com um trecho de uma música do ABBA: “The winner takes it all, The loser’s standing small” (o vencedor leva tudo, o perdedor fica menor).

Metaverso como negócio e geração de receitas

Todas as empresas que estão investindo pesadamente no metaverso estão pensando em uma economia digital onde os usuários podem criar, comprar e vender mercadorias digitais. Nas visões mais idealistas de um grande metaverso, composto por metaversos menores, serão interoperáveis. De uma certa forma, como os computadores se comunicam na internet atualmente. Essa linha de pensamento nos permite imaginar transportar itens virtuais como roupas ou carros de uma plataforma para outra.

No mundo real, você pode comprar uma cerveja numa adega próxima a sua casa e depois levá-la para um churrasco na casa de amigos. Dois universos diferentes. Atualmente, em se tratando de metaversos, cada uma das plataformas tem identidades virtuais, avatares e inventários vinculados apenas a cada uma delas. Entretanto, um metaverso deve idealmente permitir que você crie um avatar que o possibilite levar para qualquer lugar com a mesma facilidade com que você copia sua foto de perfil de uma rede social para outra.

world of warcraft

A proliferação de metaversos

Imediatamente após a criação do primeiro computador, em meados do século XX, surgiram uma infinidade deles com marcas e modelos diferentes. Cada um com sua própria linguagem e criando seu próprio universo ou ecossistema. De lá para cá, evoluíram e falam entre si pela internet. Ao fazermos uma analogia do desenvolvimento da indústria de computação com o metaverso, percebemos o quão na infância o metaverso ainda está. O jogo World of Warcraft é um mundo virtual onde os jogadores podem comprar e vender coisas digitais. Nesse sentido, podemos dizer que é um pequeno metaverso ou ciberespaço exclusivo.

O Fortnite é um outro metaverso, só que também fechado nele mesmo. Teoricamente você pode passar todo o seu tempo nele, socializando, comprando coisas, aprendendo e jogando. No Fortnite, é possível ter experiências virtuais como concertos e exposições. Porém, isso não significa necessariamente que tanto o Fortnite, como World of Warcraft fazem parte de um escopo e conceito maior de metaverso.

Quem está construindo o metaverso?

A princípio, podemos dizer que Amazon, Google e Microsoft são as empresas de maior significância na construção e evolução da internet atualmente. Dominam o negócio de data centers no mundo. Do mesmo modo, é igualmente correto dizer que a Epic Games, criadora do Fortnite, é uma das empresa mais importantes atualmente na construção de partes do metaverso.

A Microsoft e o Facebook também estão investindo muito para se posicionarem como tal. O movimento mais emblemático do Facebook foi mudar seu nome para Meta para refletir esse propósito, embora ainda não estejamos acostumados com essa ideia. Muitas outras empresas, incluindo a Nvidia, Unity e Roblox estão trabalhando na construção da infraestrutura que um dia poderemos chamar de metaverso, assim como chamamos o que é internet atualmente.

As diferentes visões de metaverso

Neste momento, cada empresa tem uma ideia própria sobre o que é e será o metaverso. Na verdade visões, enviesadas por conta dos seus objetivos de negócio. O Facebook, por exemplo, imagina que o metaverso incluirá casas virtuais nas quais você pode convidar todos os seus amigos para uma festa. A Microsoft tem um viés mais empresarial. Pensa o metaverso com salas de reuniões virtuais para atividades corporativas, para o treinamento de pessoas ou para promover o diálogo entre colegas de trabalho de forma remota.

Empresas de bens de consumo como a Coca-Cola, PepsiCo e Pizza Hut veem o metaverso como mais um canal de comunicação e monetização. No caso da Coca-Cola, por exemplo, ela se uniu à Tafi, que cria avatares e outros conteúdos virtuais, para ressuscitar um fac-símile pixelizado da lendária máquina de venda automática da Coca-Cola de 1956 para sua estreia em ativos digitais.

redes sociais - marketing digital

Metaverso é a vida que rola no ciberespaço

As visões de futuro de cada empresa para o metaverso variam em escala logarítmica. Há visões lúdicas como as da Meta. Em um dos seus vídeos, a empresa mostra um cenário em que uma jovem está sentada em seu sofá navegando pelo Instagram, quando vê um vídeo que um amigo postou de um show que está acontecendo do outro lado do mundo. O vídeo então corta para o show, onde a jovem aparece em um holograma no estilo dos Vingadores. Ela é capaz de fazer contato visual com seu amigo que está fisicamente lá, ambos são capazes de ouvir o show e podem ver o texto flutuante pairando acima do palco.

Na visão idílica da Meta e corporativa da Microsoft, todo ser humano poderá trabalhar, socializar, e tocar sua vida a partir dos escritórios, salas de conferências, salas de concertos e parques de diversões do metaverso. O problema é que quanto mais tempo, dinheiro, energia e engenhosidade gastarmos para viabilizar o metaverso, menos tempo, dinheiro, energia e engenhosidade teremos para investir no mundo real. Assim como a criptomoeda é o dinheiro que rola no ciberespaço transnacional, o metaverso é, basicamente, a vida que rola no mesmo ciberespaço.

Referências:

https://www.rolandberger.com/en/Insights/Publications/The-rise-of-the-Crypto-Economy.

htmlhttps://www.wired.com/story/what-is-the-metaverse/

https://techcrunch.com/2022/01/05/making-sense-of-opensea-at-a-13b-valuation0/

*Divaldo Oliveira, colunista do Blocknews, é CEO da agência de marketing digital Wedoiti Digital. Profissional de tecnologia, já atuou como CIO e diretor de TI e data center em grandes empresas dos setores de Telecom, Engenharia, Petróleo e Gás.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *