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De Clementina a Áurea, NFTs de mulheres que não deixam o samba morrer

Taynaah Reis, fundadora da Moeda Seeds.

Desde meus primeiros estudos sobre o blockchain, enxerguei na tecnologia um potencial enorme para corrigir alguns rumos que a sociedade e a economia estavam trilhando. Se por um lado as criptomoedas acabaram por acelerar a popularização do público em geral com o blockchain, ela restringiu sua compreensão ao sistema monetário.

Eis que em 2021 muita coisa mudou. Palavra do ano, escolhida pelo Dicionário Collins, o NFT (token não-fungível) deu um salto ao blockchain. Seu amplo alcance fez com que o público consumisse ainda mais as vertentes e capacidade que a tecnologia tem. Os projetos foram surgindo e se espalhando com diferentes formatos, designs e objetivos.

Em uma Marquês de Sapucaí radiante pela volta dos desfiles das escolas de samba, o camarote NOSSO, abriu espaço para celebrar vozes que resistiram, em diferentes épocas, ao racismo, machismo e outras tantas doenças sociais.

“Mulheres do Samba” é a primeira fase da coleção de NFT Women4PWR e foi lançada no carnaval – adiado pela pandemia – de abril, estampando quatro grandes sambistas brasileiras. São elas Clementina de Jesus, Leny de Andrade, Leci Brandão e Áurea Martins.

NFTs que se revertem em crédito a mulheres

É importante, quando olhamos para a biografia dessas mulheres incríveis, entender o potencial dos NFTs na correção de injustiças. Nas trajetórias, as barreiras se impuseram mais veementemente por questões de gênero, raça e sociais. Quando pensamos na tokenização como uma democratização do espaço, sabemos que a luta pode ser menos desigual, com por exemplo neste caso, com artistas mais empoderadas e conectadas diretamente com seu público.

Áurea Martins é um destes exemplos. A voz encantadora, comparada a de Elis Regina por Aldir Blanc, que conquistou as noites do Rio de Janeiro ficou restrita justamente à boemia carioca. De acordo com o próprio Blanc, “em qualquer país que preze sua cultura, Áurea Martins seria incensada. Mas, no Brasil, não aparece nas rádios nem na televisão. É como se privássemos o povo a beber em fonte límpida”.

Com a digitalização e a tecnologia dos NFTs, o talento de Áurea deixa, portanto, de ser limitado e pode ganhar o mundo de maneira mais rápida. Além disso, os já apreciadores de sua arte participam diretamente da valorização sem o intermédio de gravadoras ou veículos – descentralizando os rumos das carreiras.

Tokens democratizam ambientes real e virtual

A coleção Women4PWR foi lançada no espaço que recebeu mais destaque da Sapucaí, o “NOSSO Camarote”. Que, por sua vez, contou com uma série de novidades no metaverso. Da exposição da coleção “Mulheres do Samba”, por exemplo, a filtros de realidade aumentada, ao desfile das escolas de samba e outras ações. Tudo no mundo virtual e interagindo com todo o planeta.

Dessa forma, reafirmando o potencial desses tokens, do metaverso e tudo o que envolve a chamada Web 3.0 em construir um ambiente tanto virtual, quanto real mais democrático e diverso, as vendas dos tokens Women4PWR terão parte de seus valores revertidos às “Finanças Descentralizadas para o Empreendedorismo Feminino”. Assim, esses NFTs flexibilizam e assessora o microcrédito a mulheres empreendedoras com acesso limitado ao sistema bancário tradicional.

A coleção “Mulheres do Samba” é o abre-alas do Women4PWR que veio para mudar a maneira que nos relacionamos com as mulheres que alteraram o curso de suas histórias com resistência e muita luta e abrir espaço para que muitas outras possam ser protagonistas.

*Taynaah Reis é colunista do Blocknews. É CEO e co-fundadora da Moeda, fintech baseada em blockchain e com foco em impacto social positivo em comunidades.  

Outros artigos da colunista:

Blocos que constroem pontes: blockchain no combate às desigualdades

O valor do propósito no posicionamento de empresas e marcas no metaverso

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