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Blocos que constroem pontes: blockchain no combate às desigualdades

Taynaah Reis discute o poder de blockchain de bancarizar os excluídos do sistema financeiro.

Um recorte simples dos últimos três séculos nos força a compreender e analisar como o cenário econômico mundial foi se organizando à base da exclusão. Desde a primeira grande revolução industrial, passando por regimes políticos e guerras mundiais, sempre grupos sociais foram abandonados à sorte de buscar o mínimo de sobrevivência, enquanto predadores foram concentrando o poder financeiro, territorial e administrativo.

Engrenagem fundamental deste funcionamento, o sistema monetário potencializa as desigualdades: a nível macro com as instituições públicas centralizadoras e no dia a dia de cada cidadão dependente de bancos burocráticos, lentos e muitas vezes inacessíveis.

Irracional e pouco vantajoso, o mercado facilita transações dos grandes rendimentos e pressionam as taxas e juros justamente de quem mais precisa de apoio. Estas pessoas são chamadas de sub-bancarizadas, termo que contempla aquele cidadão que até possui conta em uma ou mais instituições, mas que está margeada pelas barreiras de acesso a crédito, flexibilidade de pagamentos e outros serviços.

E quem diria que a tecnologia, muitas vezes utilizada para segregar e impor ainda mais desigualdades, teria o potencial de desconstruir esses muros? O blockchain, apontado por muitos como o mais disruptivo lançamento deste século, pode ser o responsável por finalmente democratizar e transformar o ambiente econômico mundial, reduzindo as desigualdades.

Em primeiríssimo lugar pela transparência e segurança da rede. O blockchain registra permanentemente os dados e movimentações – nada foge ao seu controle. O mecanismo viabiliza e legitima empréstimos, cessão de créditos e aproxima quem realmente precisa de apoio financeiro das instituições, eliminando a tão conhecida burocracia.

Descentralização é chave no uso de blockchain contra desigualdades

Em seguida, vem o que eu considero mais promissor: a descentralização. Se as criptomoedas já romperam com o mercado monetário engessado e desigual, as redes DeFi vão além. Com elas, intermediários são eliminados dos acordos, suprimindo custos e agilizando processos.

Para empoderar ainda mais a participação dos usuários, a concentração de decisão das empresas é dissolvida e passa a ser compartilhada. O blockchain deu vida às DAOs (organizações autônomas descentralizadas), em que os ativos digitais representam as definições da comunidade dos rumos dos projetos nas áreas de governança, operações ou liderança.

Por fim, mas não menos importante, a democratização conquistada a partir do blockchain. Os NFTs talvez sejam o exemplo mais recente e completo sobre este tópico. A tecnologia empodera criadores a serem protagonistas de suas obras, criando uma conexão muito mais rentável com o público.

As iniciativas ESG (sigla para, em livre tradução, responsabilidade ambiental, social e de governança) dentro do universo blockchain estão em plena expansão. O fantástico é ver como a comunidade cria uma nova percepção de envolvimento e engajamento às causas.

Cerveja artesanal idealizada com criptomoedas

Por exemplo, a BaruBeer, cerveja artesanal premiada como a melhor do país em 2021, foi idealizada a partir de um pool de investidores com diferentes criptomoedas – boa parte deles internacionais (possível graças à descentralização).

Toda a produção é protagonizada por mulheres – da colheita à cervejaria. No ato da compra, um split de pagamento já distribui os consequentes rendimentos para cada participante. Integralmente registrado e reportado aos investidores.

O blockchain rompe barreiras porque é acessível. Ele convida cada indivíduo a se envolver com aquilo que está consumindo e participar ativamente das escolhas e mudanças para um mundo mais justo e igualitário.

*Taynaah Reis é colunista do Blocknews. É CEO e co-fundadora da Moeda, fintech baseada em blockchain e com foco em impacto social positivo em comunidades.  

Outro artigo da colunista:

O valor do propósito no posicionamento de empresas e marcas no metaverso

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1 comentário em “Blocos que constroem pontes: blockchain no combate às desigualdades”

  1. Georgia Maria Ferro Benetti

    Cumprimentos pelo artigo Taynaah, olhar para a tecnologia como determinante de possibilidades de equidade e diversidade é cada vez mais importante. Então parabéns por trazer o tema como um ponto de atenção e discussão.

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