Mesmo sem considerar o quanto uma pessoa está animada ou desanimada em relação à Web3 e à tecnologia descentralizada, mentes que pensam de forma razoável podem concluir que o metaverso será o centro da gravidade para o qual diferentes setores migrarão nos próximos anos.
A questão é: quando a adoção em massa vai acontecer? De acordo com as previsões geopolíticas, tendências macro e microeconômicas, há alguns pontos que precisamos considerar como sendo uma bússola e checar quando o “MetaFi” estiver na porta da sua casa, desalojando as estruturas físicas como nós descentralizados e realidade misturada.
Em primeiro lugar, vamos desempacotar e definir o termo “MetaFi”. Esse termo é uma combinação de dois subtemas, ou seja, metaverso e finanças descentralizadas (DeFi). Minha definição pessoal de metaverso é “o conceito e aplicação de espaços de tecnologia virtual criando novas interações da internet por meio de blockchain e tecnologias baseadas em realidade estendida (XR, na sigla em inglês), ou seja, realidade artificial, virtual, mista e outras relacionadas a esses segmentos. E tudo isso servindo para escalar negócios e transformar projetos digitais.
E eu definiria finanças DeFi como “um termo guarda-chuva que cobre aplicações de blockchain e criptomoedas orientadas a transações peer-to-peer (P2P) sem um banco, corretora ou outra terceira parte como intermediário.
Agora que temos esses sub-termos detalhados, podemos definir MetaFi como “a amálgama da Web3 descentralizada e das aplicações de tecnologias estendidas que focam na escalagem e na evolução das instituições, produtos e serviços financeiros, num contexto interativo e do metaverso”.
Em segundo lugar, agora que temos a definição de MetaFi, vamos verificar os sinais que hoje prenunciam a imersão da sociedade no metaverso, em especial em finanças. Notícias recentes mostram que instituições financeiras tradicionais estão iniciando seus próprios projetos, como o JPMorgan Chase¹ e a Mastercard² – ambos tem seus espaços no Decentraland. A American Express pediu registro de várias patentes ligadas ao metaverso e o HSBC fez uma parceria com a The Sandbox no começo do ano. No Brasil, vemos movimentos similares.
Para a Fidelity Investments, “o metaverso é a próxima evolução da internet, um modelo 3D da internet”³. E de acordo com Sarah Biller, investidora e co-fundadora da Sandbox, “a Renascença, um dos períodos mais monumentais para as finanças e para a ciência, matemática e artes, fez a mesma coisa. Gênios como Michelangelo e Leon Alberti (arquiteto, urbanista, escultor, pintor e músico) aperfeiçoaram o uso da perspectiva linear como forma de representar a profundidade tridimensional na arte. Hoje, o metaverso nos coloca na mesma trajetória e as fintechs poderiam muito bem ser o meio para se chegar lá”4.
Estamos, então, entrando numa nova renascença tecnológica? E se a reposta for sim, quem vai ficar para trás?
Referências:
- https://www.bankingdive.com/news/banks-eye-first-mover-advantage-to-embracing-the-metaverse/624804/
- https://www.americanbanker.com/payments/news/mastercard-unveils-a-pride-plaza-in-the-metaverse
- https://clearingcustody.fidelity.com/app/item/RD_9895570/enter-the-metaverse.html
- https://fintechmagazine.com/crypto/is-the-metaverse-the-next-renaissance-in-financial-services
Adam C. English, JD (Juris Doctor), é fundador e host do podcast e livestream “Crypto With English”.