Mercado de Criptomoedas por TradingView

Helô Passos, a jogadora que virou empresária e referência de games que rodam em blockchain

Helô Passos, de gamer a CEO da Sp4ce Games.

Heloísa Passos de Sousa, a Helô Passos, hoje é uma referência no cenário de games no Brasil. O motivo? Visão e capacidade de superar obstáculos, um a um. Assim, chegou ao seu mais recente feito, a idealização e fundação, com mais dois sócios, da Sp4ce Games, plataforma para jogos em blockchain com tokens não-fungíveis (NFTs).

A paulistana que passou de gamer a empreendedora em blockchain conheceu as criptomoedas em 2017. O contato foi por meio dos desenvolvedores da startup de crédito em que trabalhava na época. A CEO da Sp4ce Games não entendeu todo os detalhes das moedas digitais, já que não vem da área de exatas, economia ou finanças. Mas compreendeu que havia algo muito inovador ali.

Só que passados alguns anos e com a evolução de blockchain para áreas como NFTs e games, sua formação em desenho de animação multimídia com pós graduação em gestão em economia criativa, tudo pela Belas Arte de São Paulo, caiu como uma luva.

“Fui a primeira pessoa da família a fazer faculdade e a viajar para fora do país”, disse Helô ao Blocknews, o que já indica os obstáculos que conseguiu saltar. Ao longo da carreira, teve experiências como diretora criativa e consultora de empresas de peso como Magalu e Stone. E na vida pessoal, a co-fundadora da Sp4ce Games sempre gostou de jogos.

Por entrar em criptos depois de muita gente do ecossistema, no começo Helô tinha um sentimento de não pertencimento. “Porém, isso mudou quando fui tomando o espaço, estudando, conforme foram me vendo como autoridade”. O universo blockchain, lembra dela, “é masculino e isso é difícil. Mesmo assim, há mulheres fazendo coisas geniais”. Isso tende a ser barreira de entrada para as mulheres, uma vez que as pessoas “costumam explorar mais os territórios em que conseguem se ver”, completa.

Sp4ce quer ser ecossistema para games

Dessa forma, superando obstáculos, entrou na sua atual fase dos jogos em blockchain em 2020. Isso porque ajudou a preparar o material de marketing do Nexus Class, projeto educacional sobre criptomoedas, com Bruno Henrique. Estruturando o modelo de negócios, olharam para o jogo Axie Infinity, projeto de NFT mais bem sucedido do mundo até agora e que explodiu em uso em 2021. “Na época, tinha cardano (criptomoeda). Liquidei tudo e testei Axie”, relembra a CEO da Sp4ce Games.

Assim, testaram o sistema play to earn (ganhe para jogar) do Axie Infinity e o sistema de bolsas (scholarships). No modelo atual, o jogador compra e então troca, vende, coleciona ou faz batalha com criaturas que são NFTs. Há quem ceda bolsas (os NFTs) para jogadores e o que esses ganharem, dividem os donos dos tokens. Esse foi o modelo que a Nexus adotou. E essa foi a entrada de Helô numa das fronteiras mais recentes de blockchain.

Axie Infinity foi o começo do projeto da Sp4ce Games.

Juntos, Helô e Bruno criaram então a comunidade do Axie Infinity, que acabou se tornando a segunda maior do mundo no Instagram. Soma cerca de 30 mil pessoas. Em tamanho, só perde para a do Vietnã, onde nasceu a Axie. Bruno continuou com as scholarships na Nexus e Helô ficou com o gerenciamento da comunidade. E decidiu criar a Sp4ce Games.

A ideia inicial era criar um ecossistema gamer com um banco para o segmento e iniciativas como marketplace de jogos e parcerias com lojas, por exemplo. Mas, no mundo descentralizado a ideia de banco não costuma ser bem aceita.

Agora, a Sp4ce Games inclui um aplicativo financeiro para intermediar o usuário e uma exchange para facilitar a liquidação financeira de tokens, que deve sair do forno no final deste semestre. Além disso, inclui um game próprio, com lançamento previsto em agosto, tokenização, educação, scholarships e soluções para games.

Primeiro time de e-esportes em blockchain do Brasil

A empreitada começou a sair do papel no final do primeiro semestre de 2021. E nela, Helô tem como parceiros João de Angeli, dono da Angeli Filmes. Também entrou na sociedade Alexandre Gonçalves, sócio do fundo de investimento Select, a quem apresentou o projeto.

O Select investiu R$ 35 mil e Gonçalves colocou R$ 400 mil ao comprar participação no jogo Boom Bungers. Helô começou a desenvolver a jogo a partir de um projeto de iniciação científica na Belas Artes e agora faz parte da Sp4Ce Games.

E como monetizar a Sp4Ce Games logo no início? De novo, pelo sistema de bolsas que Helô ja tinha testado e aprovado com a Nexus. Além disso, começar a startup nesse modelo permite não precisar de cheques polpudos de investidores, que podem pressionar as startups em relação a prazo de lançamento e receita.

E assim, para colocar em prática as bolsa, criou o primeiro time de e-esportes de jogos em blockchain do Brasil. No começo eram 10 jogadores, mas agora já são 35. O time principal, que representa a Sp4ce Games em competições continua a ser de dez pessoas. Metade hoje é de mulheres, já que Helô tenta diversificar suas equipes.

Agora, o projeto já se paga com ações como as bolsas para jogos como Axie e Tetham Arena, a mineração de tokens como o do jogo Gala, patrocínio do time de e-esportes e staking, ou seja, deixar uma criptomoeda num protocolo e receber recompensa por isso).

Diversificação de jogos

Bolsas da Sp4ce Games também são para o Tetham Arena.

A mudança econômica prevista no Axie Infinity, anunciada no início de fevereiro, não deve impactar o modelo de negócios da Sp4ce Games, afirma a CEO. A alteração prevê menos ganhos de tokens e mais foco de recompensas para quem joga na arena. Isso se deve à queda de preços dos tokens ligados ao Axie no final de 2021, pelo excesso de tokens no mercado, os Smooth Love Potion (SLP), que jogadores ganham. E que veio após o sucesso do jogo fazer os preços dispararem em meados do ano passado. As vendas de NFTs do Axie já chegaram a US$ 4 bilhões.

“Nunca baseei a Sp4ce Games em cima do Axie porque isso seria basear meu negócio em cima de outro negócio que não é nosso.” Tanto é assim que além de outros jogos, vai haver o proprietário Boom Bungers.

De acordo com Helô, a necessidade de o projeto ter ações de educação e o aplicativo financeiro se deve ao fato de muita gente não entender do mundo digital. “Pegar a grana da carteira, mandar para a corretora, vender por dólar, real, mandar Pix.. é muito complicado”, afirma.

“Fizemos um modelo de negócios para fomentar o ecossistema de blockchain games no Brasil e isso tomou uma proporção para não focar só nisso. Mas em blockchain para pessoas jogarem e participarem dessem mundo, facilitando o acesso à criptoeconomia”, diz a co-fundadora da Sp4ce Games.

Ela conta que um motorista de aplicativo, por exemplo, pediu informação sobre o jogo. Isso porque o vizinho estava ganhando dinheiro. Uma outra, do Acre, ganhou da comunidade um PC para jogar e ganhar dinheiro. São pessoas que podem ser ou se tornarem gamers casuais, não são atletas de alto desempenho. Mas podem até caminhar para isso.

Internet para quem não tem e quer jogar

E como equipamento sem internet não resolve nada, a Sp4ce Games quer ajudar a resolver esse problema. “Se um dos nossos negócios é blockchain games, precisamos disponibilizar a internet”, explica Helô. Para isso, a startup quer incentivar aqui o uso da rede de internet que a startup Helium criou.

A Helium é a primeira rede sem fio peer-to-peer (P2P) que recompensa quem se torna um operador. E faz isso usando blockchain. Por meio de antenas, os hotspots, que se instala em casa ou num escritório, é possível operar a rede para dispositivos com internet das coisas (IoT). Já há antenas no Brasil, mas são poucas. Cada uma tem um alcance de cerca de 1 a 2 quilômetros ligadas à rede e com nós validadores. Porém, o foco maior é em negócios e nos mercados dos Estados Unidos (EUA) e Europa.

Com tantas iniciativas em jogo, como diz Helô, na Sp4ce Games “tá tudo muito na boca do gol”. 

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.