Oobit calcula custo de operação internacional no sistema tradicional

Imagem: Giorgio Trovato

Pegue uma empresa brasileira de porte médio, com US$ 20 milhões em saída de caixa internacional por ano, sendo 75% importação de bens e 25% serviços, software e contratados no exterior. O fluxo de bens é isento de IOF; o de serviços, não. Cerca de 400 pagamentos por ano. O custo total das operações no sistema de pagamentos tradicional é de US$ 1,010 milhão, 5% do transacionado, com premissas conservadoras e sem contar IRRF e outros tributos sobre a operação.

O cálculo é da Oobit, fintech de pagamentos internacionais. De acordo a empresa, a maior parte do custo das transações internacionais é invisível num extrato bancário e cerca de 30% dela, o carrego do float, o processamento manual e o retrabalho, não aparece em nenhum extrato.

As stablecoins surgiram como alternativa mais rápida e mais barata, o uso no Brasil está crescendo, mas a nova regulação coloca limites no que é possível hoje. “Qualquer empresa brasileira avaliando a liquidação via stablecoin no segundo semestre de 2026 está pisando em um terreno que mudou duas vezes em cinco meses. Entender onde as linhas caem agora não é nota de rodapé regulatória. É a decisão em si”, diz o levantamento.

Em fevereiro, o Banco Central (BC) enquadrou as stablecoins como operações de câmbio e determinou uma série de informações e processos que precisam ser contemplados. Em abril, o BC vetou o uso de ativos virtuais como trilho de liquidação, dentre outras determinações. O que a resolução encerra é um arranjo específico: pegar reais de um cliente, converter em USDT ou USDC, e liquidar a obrigação no exterior on-chain. Empresas que haviam desenhado parte do fluxo dessa forma precisam migrar para a liquidação convencional até o próximo 1 de outubro de 2026.

Uma proposta do BC é também reter por até 24 horas transferências de stablecoins para carteiras de autocustódia ou para o exterior acima de US$ 10 mil, ou acima desse valor em soma diária por cliente, para revisão preventiva. Além da possibilidade de operações de stablecoin terem de pagar IOF, uma proposta que pode voltar após as eleições deste ano.

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