Metaverso: coleta de dados, que vai de compras a movimentos dos olhos, exige ações de segurança, diz consultoria

Capco chama atenção para ações de segurança no metaverso. Imagem: Pete Linforth, Pixabay.

O metaverso abre uma série de possibilidades para negócios, investimentos e relacionamentos, há instituições financeiras que já fazem simulações para entenderem seus potenciais benefícios, mas é preciso ter em mente que esse novo ambiente também tem riscos de segurança. O alerta é da Capco, consultoria global de gestão e tecnologia dedicada ao setor de serviços financeiros do Grupo Wipro, na análise Metaverse: A Double-Edged Sword” (em tradução livre: “Metaverso: Uma Faca de dois Gumes”).

De acordo com o estudo da Capco, o valor de mercado do metaverso em 2020 era de US$ 48 bilhões (cerca de R$ 264 bilhões) e deve crescer acima de US$ 800 bilhões (em torno de R$ 4,4 trilhões) até 2028 com o investimento de grandes players como a Meta (ex-Facebook), Google, Microsoft e Nvidia.

Isso vai acontecer ao mesmo tempo em que empresas financeiras, por exemplo, exploram esse universo para descobrir como oferecer seus produtos e serviços nesse mercado potencial. “As organizações que tomarem a dianteira para mitigar esses problemas terão vantagem competitiva por oferecer estabilidade e segurança para seus clientes. Isso, portanto, certamente vai acarretar resultados financeiros positivos, reputação no mercado e liderança estratégica”, afirma a Capco.

A análise da consultoria salienta essa necessidade diante de um fato mundial: à medida que a tecnologia foi avançando e trazendo para o cotidiano todo tipo de facilidade, toda a sociedade foi se tornando cada vez mais dependente de dados. Da simples conversa nos aplicativos de mensagens instantâneas às transações comerciais e financeiras, tudo passa por uma cadeia de informações de alto valor que precisam de proteção.

A Capco lembra que alguns passos importantes já estão em prática com a regulamentação de leis criadas em todo o mundo especialmente para o tratamento e proteção das informações, como é o caso da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor no Brasil em agosto de 2020.

Segurança no metaverso deve ser prioridade

Conforme esse ambiente se desenvolver, agregar participantes e se parecer cada vez mais com a realidade, vai coletar uma infinidade de dados. “Assim, será um ambiente que tende a ter cibercriminosos atuando para encontrar formas de hackear e dominar ambientes nesse universo virtual”, afirma a consultoria. Por isso, a prevenção de lavagem de dinheiro, de microtransações, do uso indevido de propriedade intelectual e de roubo de identidades devem ser prioridades para empresas e instituições financeiras no metaverso

. Isso porque sem o sentimento de segurança, difícilmente os usuários vão circular e usar o que está disponível nesse ambiente.

Em sua análise, a Capco diz ainda que todos os dispositivos que se usam nessa nova tecnologia devem estar configurados de forma responsável e ética. Assim como devem contar com controle de segurança e meios de rastreamento. A razão para isso é que nessa dimensão de realidade mista são rastreados os movimentos corporais e padrões de ondas cerebrais. Mas, também é feito o monitoramento do que os usuários dizem, olham ou pensam. Dados tão valiosos permitirão a quem os controlar a capacidade de controlar toda a sua realidade.

Ações necessárias incluem ID e privacidade

De acordo com a Capco, as ações de segurança em que as instituições financeiras devem focar no metaverso incluem:

 Cibersegurança: As empresas têm infraestrutura moderna para proteger seus sistemas de TI, mas constantemente estão sob ameaça de ataques. É necessário ter maneiras inovadoras de impor segurança cibernética, fortalecer a estrutura, melhorar análise de risco e monitorar de forma constante as ameaças para mitigar os danos.

– Gerenciamento de Identidade: O avatar pode ser uma escolha pessoal, mas é fundamental associá-lo a uma identidade distinta do mundo real. Da mesma forma, é aconselhável fazer isso com métodos de verificação como dados biométricos aprimorados para garantir sua legitimidade.

– Criptomoeda e Pagamentos: A verificação dos pagamentos em moeda digital devem acontecer antes do processamento para evitar fraudes. A autenticidade da pessoa física ou jurídica é primordial para garantir que o mercado esteja operando em um padrão justo e eficiente.

– Regulamento: Enquanto não existirem regras claras de funcionamento, os prejuízos devem recair sobre as empresas que investem em inovações. Por isso é importante haver um padrão no setor, que haja leis e regulamentos para combater fraudes que venham a levar a um tratamento desigual.

 Propriedade Intelectual: Uma propriedade intelectual que é criada, comprada e/ou vendida precisa ser verificada e validada com vínculo à identidade do mundo real. Se essa medida não for tomada, pode ocorrer violação de propriedade intelectual, conflitos de comprovação de propriedade, disputas, fraude ou lavagem de dinheiro.

– Privacidade do Consumidor e Gestão: Dados valem muito. Informações confidenciais coletadas por dispositivos VR/MR, como informações biométricas para identificar o usuário, podem ser armazenadas em um cofre robusto de blockchain. E isso pode acontecer por trás de várias camadas de segurança, contribuindo, inclusive, para melhor gestão desses dados.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *