A B3 anunciou hoje (16) o lançamento de uma solução de ativos tokenizados para plataformas de crowdfunding. O foco, portanto, é em empresas de pequeno e médio porte (PMEs), o que inclui as startups. Com isso, a bolsa está mirando as mais de 60 plataformas de crowdfunding reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que fazem captações primárias de recursos e que podem também fazer as chamadas transações subsequentes desses ativos – no formato tokenizado.
“A solução desenvolvida pela B3 possibilitará a tokenização dos Contratos de Investimento Coletivo (CICs) e dos ativos emitidos nas plataformas de crowdfunding durante as captações primárias”, disse a B3 num comunicado à imprensa.
Para uma fonte do mercado, a solução da B3 pode apoiar as plataformas de crowdfunding a viabilizar operações com tokens e num mercado subsequente. “Muitas ainda não se estruturaram para isso”, afirmou a fonte.
De acordo com a Resolução 88, as plataformas de crowdfunding podem intermediar transações de compra e venda de ativos mobiliários “já emitidos publicamente por sociedade empresária de pequeno porte que tenha realizado ao menos uma oferta pública de distribuição no ambiente da plataforma”. Essas são as transações subsequentes.
Pela regra da CVM, nas negociações subsequentes, o vendedor tem que ser o dono do ativo e o comprador, um investidor da plataforma. Assim, a plataforma não pode ser um mercado regulado e centralizado como são a B3 ou mesmo a Bee4 e a Estar Finance.
Essas duas últimas estão no sandbox da CVM e, assim, são mercados regulados em teste. No caso das BEE4, viabiliza o IPO de PMEs, portanto, no espaço entre os opções como crowdfundings e a B3.
A Estar Finance, que faz parte do grupo SMU e que teve a primeira plataforma de crowdfunding regulada do país, também faz captação e depois tokenização dos recursos levantados dos investidores para os projetos Para o CEO da startup, Pedro Rodrigues, o movimento de uma instituição como a B3 para criar uma infraestrutura para plataformas de crowdfunding poderem ter um mercado subsequente, “só mostra que estamos no caminho certo no que desenvolvemos nos últimos anos”.
Além disso, Rodrigues vê nesse movimento pode ser também uma forma de se antecipar às mudanças na Resolução 135, que regula os mercados de bolsa e balcão. A Resolução estava em consulta pública até esta semana.
A CVM deu a autorização para a B3 oferecer o serviço no último dia 2 de abril. De acordo com a bolsa, “a solução é customizável e poderá atender qualquer plataforma de financiamento coletivo”. O desenvolvimento foi com a B3 Digitas, braço do grupo especializado em soluções e produtos para a cadeia de tokenização, e com a Kria e EqSeed, plataformas de investimentos em startups.
“Estamos trazendo para o mercado uma solução white label (produto adaptável às necessidades de cada cliente) ágil e segura, que possibilita ao setor de crowdfunding oferecer um ambiente para que os investidores possam transacionar sua participação em startups e pequenas e médias empresas. O uso de plataformas de financiamento coletivo muitas vezes é o primeiro passo das empresas no mercado de capitais”, diz Jochen Mielke de Lima, CEO da B3 Digitas.
Segundo Camila Nasser, cofundadora e CEO do Kria, “desde quando começamos o Kria, em 2014, o maior desafio que encontrávamos com os investidores dizia respeito à liquidez dos ativos. Agora, estamos dando um passo certeiro para o desenvolvimento de um mercado de investimentos de crowdfunding com maior liquidez. Isso trará mais segurança aos investidores e impulsionará nossas captações. Essa parceria é um marco para nosso negócio e para o mercado”.
“O movimento da B3 comprova a relevância e o potencial do mercado de crowdfunding de investimento. A B3 se apresenta como a parceira ideal para implementar uma solução tokenizada que facilita transações secundárias – aumentando liquidez e atraindo cada vez mais investidores ao mercado”, diz Greg Kelly, CEO da EqSeed.