Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Zro Bank vai oferecer tokens de dólar, euro e ouro de olho em novos usuários de criptomoedas

Cazou Vilela, CMO do Zro Bank, diz que novo serviço é muito escalável.

O Zro Bank vai oferecer tokens de dólar, euro e ouro para seus clientes. A estratégia da fintech é oferecer produtos que facilitem a entrada do investidor no mundo das criptomoedas, ou seja, seu foco é no usuário “entrante”.

As stablecoins (moedas estáveis) serão o celo dólar, a USDC (cada token equivale a US$ 1) e a PAX Gold (PAXG), em que cada token vale 1 onça ou 31,1 gramas de ouro. A empresa diz que ainda define qual será o token de euro.

A escolha desses tokens se deve ao fato de dólar, euro e ouro serem ativos que os clientes reconhecem com mais facilidade, além de serem desejáveis. Tem quem costuma comprar para viajar ou investir. Mas comprar dólar e euro em quantidades maiores, sem viajar, pode ser mais caro do que o preço oficial.

De acordo com Cazou Vilela, que assumiu a posição de Chief Marketing Officer (CMO) do Zro, essa estratégia de facilitar a entrada dos investidores em criptos deve durar pelos próximos dois anos e com o lançamento de outros tokens. Outra opção seria a fintech disputar os já investidores de criptomoedas com as corretoras estabelecidas.

Foi daí que saíram iniciativas como o cashback em bitcoin para quem compra com o cartão da fintech. A ideia é que quem ganha seus satoshis, os “centavos” do bitcoin, se anime e passe a negociar essa e outras moedas.

Afinal, é assim que o Zro ganha dinheiro, na troca de moedas. Tanto que a fintech é do grupo B&T, o maior em câmbio do país, e se define como multimoeda, ou seja, uma empresa que fornece diferentes moedas fiduciárias e digitais.

Zro Bank aposta em crescimento do mercado de tokens

Para Vilela, deve acontecer com criptomoedas o que aconteceu com o comércio eletrônico. “As pessoas começaram comprando coisas pequenas para experimentar e depois passaram a comprar TVs e celulares”, disse ele ao Blocknews.

Com os novos tokens, “é uma experimentação do mercado de criptomoedas mais leve e mais compreensivo do que entrar direto em criptomoeda, que é uma disrupção”, completou.

Vilela, que trabalhou com o mundo digital na agência de publicidade que teve, e depois passou a trabalhar com bancos, diz que o Zro tem dois tipos de clientes. Um deles usa a fintech como porta de entrada, compra criptomoedas e fica “parado”.

E tem o ressabiado, que usa o cartão, ganha bitcoin, e vende seus satoshis, ganha dinheiro, acha interessante a liquidez e passa a usar mais o cartão e a comprar a moeda. A principal faixa de idade dos clientes do Zro Bank, cerca de 30% do total é de 35 a 40 anos.

O Zro pretende continuar investindo em criptos e tokens porque a maioria do mercado está fora desse mundo, inclusive as empresas. Assim com para pessoas, para o mundo corporativo os tokens podem mudar a forma como administram seus fluxos de caixa.

Comprar carro com token de soja

Só para dar alguns exemplos, Vilela cita soja e café. Em regiões produtoras dessas commodities, é possível pagar carros e outros produtos com o equivalente a sacas do produto. Isso significa que isso pode ser feito com um token. A cooperativa de café Minasul já vai nessa direção.

E se uma cadeia inteira de produção, ou parte dela, começa a usar o token, trava o valor do produto. Assim, compra um token de grão de soja num valor específico em real. Se o preço da soja subir, a compra já foi feita lá atrás. Se cair, claro, há prejuízo.

“Queremos trazer outras commodities com sinergia com outros mercados que já negociam esses produtos”. Porém, o Zro quer oferecer tokens e não emitir, como já faz, por exemplo, o Mercado Bitcoin.

Os tokens são uma representação dos ativos. Além disso, quem tem o token não tem poder de mexer no valor do que representa, como o dólar. Dessa forma, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite os tokens ao não não classificá-los como investimento.

O Zro Bank atingiu 200 mil downloads do seu aplicativo e, segundo Vilela, o número dobra a cada três meses.

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