Senado argentino barra investigação de Milei sobre cripto

Senado argentino barra investigação contra Milei por um voto no caso LIBRA
Imagem destaque: InfoMoney

O Senado da Argentina rejeitou, nesta quinta-feira (21), por apenas um voto, a criação de uma comissão para investigar o presidente Javier Milei e sua irmã, Karina Milei, secretária-geral da Presidência, pelo caso da criptomoeda libra. A proposta necessitava de 48 votos, mas teve 47 votos.

Em meio à tentativa de defesa de Milei, uma pesquisa da Opinaia indicou que 3 de cada 10 eleitores de Milei e do Pro acreditam que o caso afetou a credibilidade do presidente. E menos de 20% da população acredita nos seus argumentos.

O episódio foi apelidado de “Libragate” e explodiu após Milei promover, em rede social, o token, que estaria vinculado ao projeto Viva la Libertad, que prometia financiar pequenos empreendedores. Em minutos, a libra disparou para US$ 4,50, mas colapsou para menos de US$ 0,20 horas depois. A rápida oscilação pode ser uma prática de pump-and-dump — estratégia de manipulação de mercado. A exclusão do post presidencial sobre a cripto ajudou a fortalecer a ideia de fraude e pedidos de impeachment.

Por trás do caos, investigações também apontaram que o projeto foi gestado por meses, segundo o Cointelegraph e a mídia argentina. Desenvolvedores do token encontraram-se com Milei já em junho de 2024, com destaque para o streamer Manuel Terrones Godoy e Mauricio Novelli, trader próximo ao presidente.

Em outubro, o chefe do KIP Protocol, Julian Peh, discutiu com o governo a iniciativa, apresentada como impulsionadora da economia local. Mas o envolvimento com Hayden Davis, da Kelsier Ventures, foi um dos pontos que mais chamou a atenção, uma vez que ele foi acusado por Dave Portnoy, fundador do Barstool Sports, de orquestrar um rug pull semelhante com o token Enron.

A teia de conexões ficou mais forte em janeiro de 2025, quando Hayden reuniu-se com Milei em Buenos Aires, alegando assessorá-lo em blockchain. Portnoy, que participou de conversas com o empresário, afirmou que ele usou o nome do presidente para legitimar a LIBRA, apontando inclusive para uma entrevista pública entre ambos.

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