Situação de Milei se complica com entrevista editada e pedido de investigação nos EUA

Milei em entrevista à TN. Imagem: TN.

O presidente da Argentina, Javier Milei, está cada vez mais enrolado com a memecoin que divulgou na sexta-feira passada (14), a Libra. Primeiro, disse que não tinha nada a ver com a cripto que perdeu valor de mercado, numa suspeita do chamado rug pull. Hoje, em entrevista ao canal TN, do Grupo Clarín, afirmou que apenas compartilhou informações devido ao seu interesse em tecnologias emergentes. E que fez isso em seu perfil numa rede social, ou seja, na visão dele, não é o perfil do presidente, é o dele, como se fosse possível dissociar os dois. Pior, seu assessor pediu para editarem a entrevista nessa parte, e o Clarín editou.

Na prática, a equipe da presidência da república interferiu na entrevista, que inclusive teria perguntas já acertadas entre a TN e a Casa Rosada. Ao fazer o post, Milei fez o maior rug pull do início de 2025,que afetou 75 mil pessoas, resultando em uma perda estimada em US$ 286 milhões de pequenos investidores. Rug pull (puxada de tapete) é o termo do mercado financeiro que significa lançar um investimento, captar o dinheiro (em geral altos valores) e depois fazer o ativo perder valor – no caso isso aconteceu porque Milei tirou o post do ar.

Mas, a postagem do político fez com que o escritório de advocacia Burwick Law anunciasse um processo contra ele e a sua oposição iniciasse um pedido de impeachment.

Além do processo da Burwick Law e do possível enfrentamento de um impeachment, Milei pode ter problemas diretos com a justiça norte-americana. Isso porque uma denúncia foi enviada ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos e ao FBI, que pode resultar em uma investigação sobre crimes relacionados à LIBRA.

O relatório foi preparado por um escritório de advocacia argentino e, além do nome do presidente, ele menciona a irmã do político, Karina Milei, que ocupa um cargo no governo, Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy, antigos aliados do presidente, e atores internacionais envolvidos na memecoin, Hayden Mark Davis e Julian Peh.

O advogado Mariano Moyano Rodríguez, que representa os denunciantes, fez um apelo para que as autoridades norte-americanas examinem o envolvimento do presidente argentino, destacando que Milei já esteve associado a projetos questionáveis no passado.

Rodríguez argumenta que a jurisdição dos Estados Unidos é válida nesse caso, pois cidadãos do país da América do Norte foram impactados pelas ações criminosas, e a plataforma utilizada, Kip Protocol, tem raízes nos EUA, com a Kip Network Inc registrada no Missouri. Já a Kelsen Ventures, identificada como outra empresa associada ao caso, teria como proprietário Hayden Mark Davis, também estadunidense.

Todo esse imbroglio fez a bolsa de Buenos Aires cair ontem (17), se recuperando hoje. Apesar de que ontem, Milei também divulgou uma postagem que ensinava investidores a comprar a altcoin, conforme relatado pelo Blocknews. Essa ação contradiz sua tentativa de se distanciar do projeto, uma vez que o tutorial acabou incentivando a compra da Libra em um momento de incerteza sobre sua viabilidade.

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