Justiça dos EUA prende acusados de lavar bitcoins de um dos maiores roubos da história

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) informou hoje (8) que prendeu um casal em Manhattan (Nova York) por conspiração para lavar criptomoedas roubadas da Bitfinex em 2016. Além disso, recuperou US$ 3,6 bilhões do que foi um dos maiores roubos cibernéticos de criptos da história. Na ocasião, o roubo de 119.754 bitcoins valia cerca de US$ 60 milhões. Mas agora, são cerca de US$ 4,5 bilhões. E a polícia recuperou mais de 94 mil bitcoins.

O valor financeiro que o departamento recuperou também é o maior de sua história. E “mostra que criptomoedas não são um céu seguro para criminosos”, disse a vice-procuradora geral, Lisa Monaco. “Num esforço inútil para manter seu anonimato digital, os réus lavaram fundos por meio de um labirinto de transações com criptomoedas”. De acordo com a vice-procuradora, a aplicação da lei permitiu encontrar valores que transitam pela blockchain.

A prisão acontece depois que na semana passada, após quase 6 anos do roubo, houve uma movimentação de79% dos 119.756 bitcoins roubados, ou seja, 94,643.29 bitcoins. Foram 23 operações que somaram US$ 3,55 bilhões (R$ 19,5 bilhões). E ficou-se sabendo disso porque a Elliptic, empresa de análise de dados em blockchain, divulgou a informação.

De acordo com a Justiça, Lichtenstein e Morgan usaram várias técnicas sofisticadas de lavagem de criptomoedas. Isso incluiu, por exemplo, identidades falsas para ter contas digitais. Além disso, usaram programas de computador para automatizar transações e fazê-las num curto espaço de tempo. Assim como depositaram os recursos do roubo em várias contas de bolsas de criptomoedas e em mercados da darkent e depois retiraram os fundos para quebrar o fluxo.

Outras técnicas foram as de converter bitcoins em outras criptomoedas, incluindo as chamadas anônimas, AEC na sigla em inglês. São as que mantêm privacidade das transações, ao contrário do bitcoin, por exemplo. E até usam contas de empresas para lavar a atividade bancária.

De acordo com documentos, Lichtenstein e Morgan conspiraram para lavar os bitcoins depois que um hacker atacou a Bitfinex. A partir daí, fez mais de 2 mil transações para tirar o dinheiro e mandar para uma carteira que Lichtenstein’s controlava. O casal é acusado de conspiração para lavar dinheiro e a pena máxima é de 20 anos de prisão. E também de conspiração contra os EUA. Para isso, a sentença máxima é de até 5 anos. A pena ainda não está definida.

Nos últimos cinco anos, houve a movimentação de 25 mil bitcoins saíram da carteira de Lichtenstein “por meio de um complicado processo de lavagem de dinheiro que acabou com os recursos em contas financeiras do casal”, disse o Departamento de Justiça. Os 94 mil bitcoin que sobraram continuaram na carteira que recebeu e armazenou o valor do roubo. Para prender o casal, agentes especiais fez buscas autorizadas nas contas. E nelas encontraram chaves privadas da carteira digital que recebeu os bitcoins.

O próprio procurador geral do distrito de Columbia, Matthew M. Graves, afirmou que fraudes desse tipo com criptomoedas diminuem a confiança nas moedas digitais. Ilya Lichtenstein, de 34 anos, e sua esposa Heather Morgan, de 31 anos, ambos de New York, compareceriam ao tribunal à tarde.

Ao longo de sua história, a Bitfinex teve uma série de problemas graves, de roubo de fundos a problemas com bancos e multa do regulador dos Estados Unidos (EUA) por oferecer produtos sem autorização.

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