Itaú inicia negociação de criptomoedas pelo app íon e com custódia própria

Guto Antunes, head da Itaú Digital Assets. Foto: Itaú.

O Itaú Unibanco, maior banco privado da América Latina, começa hoje (4) a oferecer compra e venda de criptomoedas. O negócio será pela plataforma íon, voltada aos investidores. Assim, se torna o primeiro dos bancos tradicionais de varejo do Brasil a oferecer o serviço e com custódia proprietária – o que considera um diferencia importante. A oferta “é um primeiro passo para atrair o investidor que busca alternativas de investimentos e que busca criptos”, disse ao Blocknews o líder da Itaú Digital Assets, Guto Antunes.

Apesar de pertencer a um dos setores mais regulados da economia, o bancário, o Itaú se antecipou à definição da regulação do marco legal que trata dos provedores de serviços de ativos digitais (Vasps). O Banco Central (BC) está prestes a lançar o edital da consulta pública sobre o assunto, que estava previsto para novembro passado, e as primeiras regras devem entrar em vigor em 2024. Assim, o Itaú Unibanco se junta a instituições como BTG, que lançou a Mynt em 2022, o Nubank, no segmento desde 2022, e o Inter, que lançou negociação neste ano.

“Estamos há ao menos um ano estudando a regulação e em paralelo à custódia de ativos digitais, vimos um estado de maturidade maior do mercado para lançar a primeira versão em paralelo às conversas com reguladores, para uma solução definitiva”, completou Antunes.

Itaú começa com criptomoedas bitcoin e ether

O Itaú começa oferecendo bitcoin (BTC) e ether (ETH), que são cerca de 90% do mercado. O investimento mínimo é de R$ 10 e no início não há taxas de transações. Não é possível trazer ou levar criptos de/para outras carteiras. Para usar a íon, não é mais preciso ser cliente do banco, já que o banco abriu a plataforma neste ano para não-correntista, ampliando sua base de usuários. O aplicativo chegou ao mercado em 2020. A oferta de novas criptos vai depender de pontos como a evolução da regulação.

O banco estreou em criptomoedas quando ofereceu o ETF Hash11 na B3 em abril de 2021, um produto regulado. Dos R$ 615 milhões levantados, mais de R$ 110 milhões foram pelo Itaú. Depois, continuou a fazer propaganda do produto, um sinal de que tinha se surpreendido com a demanda, segundo fontes de mercado naquela época.

Naquela época, a instituição já falava do alto potencial da tokenização, algo em que também atua em projetos como os da Vórtx QR Tokenizadora. Aliás, participou da primeira emissão da startup que está no sandbox da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Antunes diz que a diversificação de produtos de criptos ajuda a “deixar as coisas simples para o cliente para ver como entrar no mercado”.

Até na Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) entrou neste ano. Também participa com projetos em blockchain nos programas de inovação da Fenasbac e do BC, além do Lift Challenge do real digital em 2022 e do piloto do Drex que está em curso. Sua área de digital assets tem cerca de 60 pessoas.

Custódia própria como diferencial

A custódia é sempre vista como um dos pontos mais críticos do segmento de ativos digitais. Por isso, empresas do mercado também apontam a confiança nesse ponto como crucial para trazer mais investidores, em especial os institucionais. Por isso, o Itaú considera que esse será um diferencial crucial seu no mercado.

A instituição desenvolveu o serviço por um ano e meio, “para que a gente conseguisse chegar numa evolução de segurança para o lançamento. Não podemos errar”, disse Antunes. Segundo ele, o cliente que já confia seu dinheiro ao banco, pode confiar também na custódia de criptos.

Em cripto, há a frase “não é sua chave, não é sua cripto (Not your key, not your crypto), ou seja, a moeda digital está nas mãos de um terceiro e nisso há risco. Porém, nem todo mundo quer, ou já tem condições de cuidar das suas chaves. O maior medo costuma ser perdê-las, o que significa perder as criptos.

Jornada fácil para resolver ponto fraco do setor

Para ele, outros pontos fortes da oferta do banco é uma jornada “intuitiva e fácil”. A experiência do usuário costuma aparecer como um dos priores serviços do segmento de criptos. “Em CeFi (finanças centralizadas) e DeFi (as descentralizadas), a experiência é muito criticada. A gente traz a experiência da jornada de produtos tradicionais”, complementou Antunes. Além disso, há uma equipe de atendimento treinada para atender os clientes cripto.

O público do íon varia bastante e tem quem já investe em criptos em outras plataformas. São clientes de perfil moderado a agressivo. Em faixa etária, há pulverização, incluindo de jovens a mais experientes. Em termos de renda, varia, com cliente inclusive do Personnalittè e do Private.

“A ampliamos nossa prateleira de produtos e proporcionamos mais uma classe de ativos para diversificação, que deve ser feita de acordo com o perfil de cada um”, disse Cláudio Sanches, diretor de Produtos e Soluções para Investidores do Itaú Unibanco.

Itaú terá educação em criptomoedas

Mas, o banco afirma que vai também investir em educação sobre criptos. O fato de a íon ter esse perfil, ajuda. Porém, vai fazer em outros canais, como os do Personnalittè. Para todo lado que se olha, educar usuários e profissionais de empresas sobre temas como blockchain, tokenização e criptomoedas é algo que ainda precisa de muito esforço. E sem conhecimento, o avanço nessa área só demora mais.

O Itaú Unibanco está chegando ao mercado em meio a uma alta – devagar, mas contínua – dos preços das criptomoedas. Na virada deste domingo para segunda-feira, por exemplo, bitcoin estava na faixa de US$ 40 mil, algo que não se via desde abril de 2022. Pode ser que o inverno cripto esteja mais para outono, mas teve quem saiu do mercado de negociação recentemente, como a PicPay e a Xtage da XP. Para Antunes, o Itaú se beneficia de sua base de clientes, que já é digitalizada e que se expõe a tokens. “A gente olha para ele no futuro”.

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