Na madrugada de hoje (25), pela primeira vez, o bitcoin (BTC) caiu abaixo da marca de US$ 90 mil em 2025, sendo negociado com um desconto de 20% em relação ao pico alcançado após a posse do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. No entanto, não é apenas a criptomoeda primária que está caindo. Além de as maiores altcoins estarem passando por uma correção de dois dígitos, o mercado de ações também está em queda.
Um grande exemplo do sentimento negativo é o S&P 500, que caiu 0,5%. Além disso, a Nasdaq recuou 1,2%. A grande verdade é que o sentimento do mercado de criptomoedas piorou após o ataque à Bybit, que resultou no maior hack da história do meio cripto, com US$ 1,4 bilhão sendo levados pelos atacantes.
Além disso, há uma preocupação com os impactos das novas tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump. O presidente dos EUA confirmou que os impostos sobre importações do México e do Canadá serão implementados conforme programado, sem qualquer extensão para o período de suspensão temporária que terminará na próxima semana.
Às 18h, a cripto era negociada a US$ 88,2 mil, queda de 6,9% em 24 horas e de 7,2% em uma semana.
ETFs também ditam a queda do mercado
Outro fator relevante para a retração do mercado é o desempenho dos fundos de índice negociados em bolsa, os ETFs spot (à vista) de bitcoin. Segundo a SoSoValue, esses fundos registraram saídas líquidas de US$ 516,4 milhões ontem, seguindo uma sequência de quatro dias consecutivos de perdas.
A redução na demanda institucional pode ser um sinal de enfraquecimento do otimismo em torno do BTC. Isso porque foi justamente essa classe de investidores que comandou o início deste ciclo. De acordo com a Bitfinex, o volume diário de compras de ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos caiu de uma média de 4 mil a 5 mil moedas por dia para apenas 1 mil na última semana.
Essa aversão aos fundos de bitcoin pode ser explicada porque investidores compram ETFs spot e, ao mesmo tempo, vendem contratos futuros de bitcoin. Eles fazem isso porque a diferença de preço entre esses dois produtos pode gerar um lucro maior do que investir em algo considerado mais seguro, como títulos do governo.
Porém, quando o preço do BTC cai, essa diferença de preço diminui. Se ela ficar muito pequena, o lucro desaparece e os investidores param de fazer essa estratégia. Eles então vendem seus ETFs e compram de volta os contratos futuros que haviam vendido. Isso faz com que mais pessoas vendam a criptomoeda, o que pode fazer o preço cair ainda mais.
Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, acredita que a forma como as instituições financeiras irão reagir à atual correção de preços será determinante para o futuro próximo do BTC. Sendo assim, o empresário acredita que há a possibilidade de o bitcoin recuar ainda mais, podendo atingir a marca de US$ 70 mil.
Mercado pode sofrer correção, segundo CEO da Ripio
Sebastián Serrano, fundador e CEO da Ripio, afirmou em coletiva de imprensa há um mês que apesar do atual ciclo de alta do bitcoin, os indicadores on-chain apontam para uma correção.
Um dos principais índices observados por Serrano é o Market Realized Value (MRV). Ele mede a relação entre o valor de mercado e o valor efetivamente realizado das criptomoedas. Segundo ele, historicamente, quando os lucros dos investidores atingem níveis elevados, o mercado passa por uma correção significativa.
No mês passado, Serrano previu que o BTC poderia continuar subindo até abril, mas que, em seguida, um novo ciclo teria início. Com os eventos recentes, resta saber se essa projeção se confirmará ou se a queda será ainda mais intensa do que o esperado.