A empresária Cristiana Arcangeli, que acusa o empresário de Álvaro Garneiro de tê-la cooptado para investir US$ 300 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) em esquema fraudulento de criptoativos, negociou o contrato e explicou o assunto ao ex-namorado. O caso envolve a Hibridus, que pelo menos desde 2018 está sob investigação por fraude com criptomoedas. A informação foi publicada ontem à noite (24) na coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.
A Hibridus oferecia investimentos com ganhos pré-fixados, algo completamente desajustado com criptomoedas. Isso porque criptomoedas são muito voláteis, ou seja, preços sobem e descem mais vezes e com mais força do que ações na bolsa, por exemplo.
Assim, numa oferta pré-fixada, pode acontecer, por exemplo, de o preço da criptomoeda subir, mas o investidor não ganhar tudo o que poderia porque o dono do negócio fica com boa parte do ganho para cobrir custos e o risco de ter prometido cobrir perdas. Além disso, pode acontecer de ter uma perda limitada, se der sorte de haver uma pequena perda de preço na hora do saque. Há ainda a possiblidade de, numa perda grande de preço da criptomoeda, o dono do negócio perder muito. E aí, ou o negócio envolve uma estruturação no mínimo mal feita ou tem algo mais de errado. E se o investidor não receber o que devia de volta, aí está errado mesmo.
Cris Arcangeli, como é conhecida no mundo dos negócios e das celebridades nacionais, investiu na Hibridus Club, de Hélio Caxias Ribeiro Filho e Thalia Alves Ribeiro. O mesmo que criou Meu Pé de Bitcoin. O investimento aconteceu entre 2017 e 2018.
No processo contra Garnero, que é sócio da Brasilinvest, a acusação é de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. E afirma que o “ex” era sócio oculto e que captava investidores para as empresas. Cristiana Arcangeli, que participou do Reality Shark Tank Brasil, diz que não teve nenhum retorno com o dinheiro que passou para uma conta do empresário em Nova York. E que pediu o dinheiro de volta, mesmo sem ganhos, mas também não conseguiu.
De acordo com a colunista Mônica Bergamo da Folha, mensagens de texto e áudio mostram Cristiana negociando seu investimento com Ribeiro Filho. Segundo a coluna, a empreendedora que criou, por exemplo, a empresa de cosméticos Phytoervas, questiona quando receberia o contrato e detalha o que ficou acertado. No caso, 12 meses de contrato, ganho em bitcoin, pagamento a cada três meses, 5 bitcoins por trimestre e perda de no máximo 4%.
Sua ideia era ficar com as moedas por um tempo, para evitar as oscilações e vender quando o preço permitisse ganhos. E afirma que a negociação com a Hibridus estabelecia um ganho, mas no mercado, o ganho era maior. A diferença ficava com Ribeiro Filho, por conta da custódia, o que Cristiana não achava justo.
Mas, os advogados de Cristiana dizem que não reconhecem as mensagens e que a autenticidade das mesmas nunca ficou comprovada. Além disso, o advogado Pedro Abrão afirmou que a cliente não aceitou as condições do negócio e nunca assinou documentos para fazer os investimentos. Abrão afirmou que a empresária queria o dinheiro de volta, mas nunca recebeu.
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