O CEO da BlueBenx, Roberto Cardassi, divulgou um comunicado nesta quarta-feira (17) afirmando que a plataforma de negociação de criptomoedas sofre um golpe em julho passado, o que levou a problemas na plataforma. O texto não cita bloqueio de saques de clientes, mas diz que valores serão ressarcidos em 2023. Este é mais um problema que afeta a exchange, investigada desde 2019 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por ofertar produtos irregulares ligados a bitcoin.
Esses golpistas, de acordo com o comunicado, se passaram por representantes de uma exchange em meio à negociação de listagem do token próprio Benx. E teriam pedido US$ 200 mil (cerca de R$ 1,2 milhão), além de 25 milhões de unidades do token, para listar o ativo na empresa de comércio e negociação de criptoativos. O texto foi divulgado após clientes afirmarem que a corretora bloqueou saques nos últimos dias e que não conseguiam falar com a startup.
“Após o pagamento e o envio dos tokens, prática de segurança e validação comum entre operações, o falso representante da instituição captou os valores e realizou milhares de transações de retiradas de liquidez nos pools onde a empresa mantinha seu token listado na DeFi”, disse Cardassi. “Isso levou a um escoamento, em minutos, de toda liquidez dos ativos investidos no BlueBenx Finance, incluindo os fundos de reserva em USDT (Tether)”, completou.
De acordo com o CEO, dos mais de 25 mil clientes, 2,5 mil foram afetados pelo golpe. Cardassi afirma que está em curso um plano de recuperação que prevê que esses clientes poderão resgatar suas aplicações a partir de 2023. Neste momento, a empresa conta com uma equipe de 11 pessoas que estão trabalhando dia e noite para honrar todos os seus compromissos”, afirmou. A empresa diz que pode ser contatada pelo número 0800-591-0050 e pelo email [email protected].
Diferentemente de outros casos de golpe no mundo cripto, a BlueBenx não se pronunciou imediatamente quando os clientes reclamaram dos bloqueios de saque, informando sobre o que havia acontecido e quais cuidados deveriam tomar para evitar algum problema relacionado a esse golpe ou mesmo a outros. Também não admitiu o bloqueio, dizendo apenas que tomou “medidas impopulares”. Além disso, disse o Comitê de Gestão de Crise “sem conflitos de interesse”, estava investigando o caso. Não citou, portanto, se instituições como a polícia estão investigando o caso.
A empresa demitiu parte dos funcionários e fornecedores como forma de limitar o acesso às contas, de acordo com o CEO. “Essa decisão ocorreu para que o Comitê de Gestão de Crise pudesse efetuar diligências de investigação de processos internos e externos sem quaisquer conflitos de interesse. Além disso, a empresa abriu mão de sua sede e ativos físicos para poder cumprir com suas obrigações legais e contratuais com seus clientes”, completou.
Ele afirmou ainda que o objetivo agora é dar garantia para os investimentos feitos na exchange. Além disso, está tokenizando “todos os bens disponíveis, incluindo saldos remanescentes e valores que serão recebidos por meio da negociação dos ativos da empresa, como softwares, equipamentos e demais bens. Tão logo esses valores sejam levantados, a empresa irá utilizá-los para cumprir com todas as obrigações com clientes e o mercado”.
Em janeiro, a CVM rejeitou um acordo de R$ 150 mil com a BlueBenx para encerrar processo relacionado à oferta irregular de produto ligado a bitcoin. Em relação a essa oferta, a reguladora afirmou que a empresa oferecia de forma pública, por meio de um endereço na internet, um contrato coletivo prometendo retornos de investimentos. E os retornos eram altos. Segundo a corretora, 164 investidores tinham investido cerca de R$ 900 mil na oferta.