Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bitcoin: para Bank of America, não vale a pena; Deutsche diz que futuro é incerto

Binance, maior corretora de criptos do mundo, muda de sede conforme regulação aperta. Foto: Unsplash.

O Bank of America (BofA) e o Deutsche Bank publicaram, nesta quarta-feira (17), relatórios sobre o que pensam a respeito do futuro do bitcoin. O primeiro criticou ferozmente, já o segundo, demonstrou cautela.

O BofA, segundo maior banco dos Estados Unidos (EUA) em ativo, detonou a criptomoeda. Disse que é “impraticável para reserva de riqueza ou mecanismo de pagamento”.

De acordo com o banco, 95% dos bitcoins estão em apenas 2,4% das contas. E faz uma comparação: os 1% dos americanos mais ricos têm 30,4% da renda familiar nos EUA. Essa concentração da cripto geral, portanto, volatilidade.

Além disso, a gestora de criptoativos Grayscale é o maior dono público de bitcoins. Com US$ 37 bilhões, tem sido responsável pela variação da cotação. As pesquisas no Google também afetam as cotações, dizem os autores, dentre eles Francisco Blanch, Savita Subramanian e Philip Middleton.

Em “Bitcoin’s Dirty Little Secrets (“Os Pequenos Segredos Sujos do Bitcoin”), o banco afirma que as finanças descentralizadas (DeFi) são o maior desafio para as finanças modernas. Isso porque desafiam a lógica de haver uma instituição central para prover serviços e dar garantia às operações. Mas, as operações em Ethereum sofrem de falta de problemas de escalabilidade.

Por fim, a maior ameaça ao bitcoin poderão ser as moedas digitais de banco central (CBDC). E quanto a ESG (Meio Ambiente, Social e Governança), a cripto vai mal, já que a mineração aumenta a emissão de CO2. Assim, pode se tornar o maior emissor de CO2 do mundo.

O relatório completo não pode ser divulgado por questões de direitos autorais.

Bitcoin tem futuro incerto

O Deutsche Bank, que tem testado blockchain, pega um pouco mais leve. De acordo com o banco, bitcoin veio para ficar e seu valor continuará volátil. No entanto, como a fabricante de carros elétricos Tesla, “precisa transformar potencial em resultados sustentáveis. Dessa forma, vai sustentar sua proposta de valor”.

Além disso, diz que o valor de mercado do bitcoin, de US$ 1 trilhão, “é muito grande para se ignorar”. Mas, “o valor vai subir ou cair dependendo do que as pessoas acreditam que vale a criptomoeda”.

“Às vezes, isso é chamado de efeito Tinkerbell Effect. É um reconhecido termo econômico que diz que quanto mais as pessoas acreditam em algo, maior é a chance de acontecer, segundo a afirmação de Peter Pan de que sininhos existem porque as crianças acreditam que existem.”

O preço do bitcoin, afirma o banco alemão, deve subir se empresas e gestoras de ativos continuarem a entrar no mercado. Porém, as transações são limitadas e não se sabe se a moeda vai virar uma classe de ativo. Sua falta de liquidez é um obstáculo.

Ao contrário do BofA, o Deutsche é mais positivo sobre bitcoin se tornar um meio de pagamento. Mas afirma que as CBDCs, moedas privadas, como a Diem e regulações, que vão crescer, podem afetar a criptomoeda.

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