AmFi negocia com Mercado Bitcoin distribuição de seus tokens em modelo “XP”

Tatiana Guazzelli (E), Michael Cahill, Paulo David e Lucas Pinsdorf (D).

A AmFi, estruturadora e tokenizadora de investimentos, está finalizando um acordo com o Mercado Bitcoin (MB) para a distribuição de seus tokens. As empresas já realizaram juntas cerca de R$ 60 milhões em operações, mas a diferença agora é que a exchange funcionaria como uma espécie de XP, oferecendo os tokens sem comprá-los antecipadamente para depois distribuí-los a seus clientes, contaram as startups para o Blocknews. Esse modelo de marketplace é algo ainda incomum no mundo dos ativos digitais no Brasil.

A data para lançamento do modelo deve ser decidida hoje (13). A AmFi utiliza como garantia de seus tokens ativos tradicionais como recebíveis de cartões e duplicatas. Há um mercado potencial de R$ 13 bilhões travado para a maioria dos brasileiros, tanto originadores de operações, como investidores. De acordo com Paulo David, ao trabalhar com distribuidores, a AmFi consegue escalar sua oferta. Por isso, no futuro, poderá trabalhar com outros distribuidores também.

O objetivo da startup é democratizar esse mercado potencial trilionário, em que o emissor só consegue, na maioria, estruturar uma operação de milhões de reais. E para o investidor, os tickets também são altos. Até agora, a AmFi já lançou mais de R$ 150 milhões em ativos de renda fixa tokenizados e acredita que pode chegar à casa dos bilhões. Dos produtos disponíveis no seu site, todos têm investimento mínimo de R$ 1 mil, com exceção de um deles, de R$ 500, abrindo espaço num mercado em que hoje os bancos oferecem boa parte desses negócios a valores mais altos.

AmFi já fez operações com Mercado Bitcoin

“Temos uma tokenizadora que busca parceiros e produtos que façam sentido. Queremos ser a referência do mercado, mas não somos especialistas em tudo”, disse Lucas Pinsdorf, líder de Desenvolvimento de Negócios do MB. Hoje, esse braço fez cerca de 10 ofertas públicas de tokens, além das privadas, que foram comprados por em torno de 70 mil pessoas. É um número de investidores que considera alto, já que é algo novo. O MB diz ter 4 milhões de clientes ativos.

David explicou que nas operações conjuntas anteriores, a AmFi preparou a operação e tokenizou os ativos. O MB avaliou os produtos, comprou os tokens – o que significou queimar os originais e depois mintar para oferecer na sua plataforma. Agora, a ideia é que a AmFi entregue os tokens prontos para venda sem compromisso de compra prévia pelo MB.

Tatiana Guazzelli, sócia da área Bancária, de Meio de Pagamentos e Cripto do Pinheiro Neto Advogados, afirma que o modelo de negócios da AmFi, de oferta pública de tokens de renda fixa, se tornou possível com a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para esse tipo de operação. “Isso ajuda a mostrar os benefícios da tecnologia”, completou a advogada, que conduziu a discussão “Quem está construindo a próxima geração do mercado de capitais brasileiro”, organizada pelo escritório e que contou com a participação da AmFi, MB e do oráculo Pyth Network.

Crowdfunding viabilizou operação regulada

David afirmou que a regra da CVM e a autorização para fazer ofertas públicas por meio de crowdfunding, que recebeu no final de 2023, “mostraram que estávamos na direção certa e que o que a gente está fazendo não é zona cinzenta”. É comum a tecnologia vir antes da regulação, que chega depois dando segurança, diz Tatiana. Segundo ela, no campo da regulação da CVM, “ainda vai acontecer muita coisa no mercado secundário”.

A CVM informou no início do ano que uma de suas prioridades em 2024 é atualizar as regras para funcionamento das plataformas de investimento coletivo para atender à demanda crescente por oferta de tokenização de recebíveis. Hoje, muitos do mercado de tokenização veem os valores possíveis e o tamanho de empresas que se encaixam na regra como limitantes. Mas, a regra também funciona como um sandbox, em que a CVM avalia o funcionamento de um segmento que ainda é novo.

Numa contagem inicial, a CVM contabilizou 75 plataformas registradas e em funcionamento regular no Brasil. Até dezembro, houve 73 ofertas de um total de R$ 184 milhões encerradas e 57 em andamento, de R$ 133,8 milhões. 

A AmFi é uma das startups que fazem parte do Programa de Aceleração Jurídica para Startups do Pinheiro Neto Advogados. O programa começou 2015. Desde então, 55 startups passaram pelo projeto, entre elas, outras do ecossistema Web3 como Foxbit, AmFi e BRLA.

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