Trump pressiona inflação e pode adiar cortes de juros, alerta Fed

Medidas de Trump pressionam inflação e podem adiar cortes de juros, aponta Fed
Imagem Destaque: InfoMoney

O Federal Reserve (Fed), equivalente ao banco central dos Estados Unidos (EUA), divulgou, nesta quarta-feira (19), as atas de sua reunião mostrando que a postura da instituição diante do atual cenário econômico continua cautelosa. De acordo com o documento, todos os membros do Fed concordaram que a taxa de juros deveria permanecer inalterada na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano.

Além disso, alguns participantes apontaram que mudanças em políticas comerciais e de imigração adotada pelo governo de Donald Trump poderiam dificultar a redução da inflação, o que ajuda a manter a incerteza sobre os próximos passos da política monetária. A principio, inflação gera receio nos investidores e taxas de juros elevadas são atraentes num cenário de incerteza em relação a ativos de risco, como criptomoedas.

Segundo a maioria dos integrantes do comitê, os riscos entre o controle da inflação e o pleno emprego estavam relativamente equilibrados. No entanto, alguns membros destacaram que os desafios para atingir a meta de inflação ainda são maiores do que os relacionados ao mercado de trabalho.

FED olha compra de ativos

Outro ponto abordado foi a possibilidade de pausa ou desaceleração na redução do balanço patrimonial da instituição. Isso até que a questão do teto da dívida seja resolvida. Com isso, a maior parte dos membros do FED considerou necessário ajustar a estrutura de compras de ativos assim que a redução do balanço for concluída. O objetivo é alinhar a composição dos títulos do Tesouro vencendo com o volume de emissões governamentais.

A perspectiva de encerramento do processo de redução do balanço foi revisada, com estimativas indicando que isso pode ocorrer até meados de 2025. É um pouco mais tarde do que o esperado anteriormente. Em relação à economia, a projeção dos técnicos do Fed se manteve praticamente inalterada em comparação com a reunião de dezembro.

No debate sobre a revisão do arcabouço de política monetária, houve abertura para ajustes nos princípios estabelecidos no documento de 2020. Os técnicos do FED também identificaram vulnerabilidades financeiras. E reforçaram que a instituição deve agir com prudência ao considerar cortes na taxa de juros, em meio a um ambiente de incerteza.

Principais pontos da ata

Inflação como prioridade

Os membros do Federal Reserve concordaram que é necessário mais progresso na desaceleração da inflação antes de considerar cortes adicionais nas taxas de juros. A inflação anual nos EUA permanece em 3,0%, acima da meta, pressionada por um mercado de trabalho forte e gastos familiares em alta.

Impacto das políticas de Trump

As propostas do governo Trump, como tarifas de 25% para automóveis, semicondutores e farmacêuticos, foram citadas como fatores que podem elevar custos para empresas e consumidores. Assim, alimentariam pressões inflacionárias. Mas, empresas já sinalizaram intenção de repassar esses custos aos preços finais.

Juros elevados por mais tempo

A maioria dos dirigentes do Fed indicou que enquanto a economia mantiver alta geração de empregos e crescimento sólido, os juros permanecem restritivos. Apenas em cenários de desaceleração econômica ou queda rápida da inflação para 2% é que cortes seriam considerados.

Incerteza econômica global

Além das tarifas, riscos geopolíticos e interrupções nas cadeias de suprimentos foram mencionados como elementos que complicam o cenário. Sendo assim, o Fed ressaltou a necessidade de uma abordagem cautelosa diante da “alta incerteza” sobre a trajetória da economia.

Repercussão nos mercados do Brasil

O dólar fechou o dia em alta no Brasil, a R$ 5,72. Resultado da perspectiva de juros elevados nos EUA e das medidas protecionistas de Trump. Enquanto isso, o Ibovespa recuou 0,95%. O temor é que taxas altas prolongadas nos EUA reduzam o apetite por ativos de risco em mercados emergentes.

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