O Brasil tem se destacado como uma das maiores potências globais de criptomoedas e isso não tem passado despercebido pelas baleias, ou seja, os grandes detentores de criptomoedas. Ocupando a sexta maior adesão global ao mercado cripto e com aproximadamente17,5% dos brasileiros já utilizando ativos digitais, segundo levantamento da Triple-A, o país atrai atenção de corretoras, protocolos, fundos especializados e startups que buscam um terreno fértil para a expansão e inovação.
Diversas dessas gigantes já possuem sede própria no Brasil e mais delas estão surgindo nativas da própria região. Tanto para as empresas nacionais, quanto para as globais do setor, o consenso é um só: com a implementação do marco regulatório de criptomoedas e o aumento da maturidade de mercado, mais delas devem vir para ficar.
Com mais de 215 milhões de habitantes, o Brasil é a maior economia da América Latina. Falando de adoção de criptomoedas, o país lidera na Latam, ficando atrás apenas da Argentina, o que não surpreende, já que a movimentação de cripto no segundo maior país da América do Sul é extremamente incentivado e buscado como forma de driblar a inflação local e a desbancarização.
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O crescimento acelerado no Brasil também é um colírio nos olhos para as empresas de Web3. Em 2021, uma pesquisa divulgada pela empresa Triple A apresentava apenas 5% da população como investidores de criptomoedas, cerca de 10 milhões de habitantes. Mas, outro estudo de 2024 aponta pelo menos 36 milhões de investidores, ou seja, um salto de mais de 3 vezes em apenas 3 anos.
Fora isso, nossa cultura de aceitação tecnológica é uma das mais rápidas do mundo. Assim que surge uma tendência, o Brasil é pioneiro no uso. O país é o segundo maior mercado de fintechs da América Latina, lidera em número de smartphones por habitante e é o quinto país com mais usuários de internet no mundo. Além disso, é o segundo maior quando se trata de tempo gasto em frente à tela.
Apesar de algumas barreiras básicas ainda limitarem – e muito – essa adoção em um país emergente, a curiosidade e predisposição ao novo do brasileiro também é uma boa explicação pela qual as criptomoedas se difundiram tão rapidamente por aqui. O Google Trends mostra, por exemplo, que a busca do termo “bitcoin” cresce a cada ciclo de preços.
Dos países que ocupam as primeiras posições em adoção de ativos digitais, destacam-se os que contam com regulação favorável e governo amigável às criptos. É o que mostra o gráfico abaixo da Triple-A. É o caso dos Emirados Árabes (1°) e de Singapura (2°). Mais que regular, o país deve estar apto para proteger e garantir a segurança dos usuários ao mesmo tempo em que estimula o desenvolvimento do setor, sem sufocar a sua inovação e expansão.
Marco Regulatório
Em dezembro de 2022, o Brasil deu um passo importante ao introduzir o Marco Legal dos Criptoativos, com a promulgação da lei 14.478. A lei entrou em vigor seis meses após sua aprovação. O principal objetivo dessa legislação é combater crimes financeiros, como fraudes, lavagem de dinheiro e golpes, além de garantir a proteção dos investidores. Também estabeleceu normas específicas para as exchanges de criptomoedas. E assim reforçou a necessidade de compliance e regulamentação rigorosa nas operações financeiras digitais.
Um estudo da Consensys, empresa de tecnologia Web3, mostra que 48% dos brasileiros acreditam que o setor de criptomoedas deve ser regulado. Outro levantamento, este realizado pela Sherlock Communications, aponta que 35% dos brasileiros dizem que teriam maior probabilidade de investir no setor com a regulamentação. Isso porque se sentiriam mais seguros, sabendo que teriam a quem recorrer caso seus investimentos não saíssem conforme o esperado.
A crescente demanda por segurança e transparência no mercado de criptoativos impulsiona esse movimento em prol da regulamentação. Percebo que o Brasil está trilhando um caminho que não apenas transforma seu próprio cenário econômico, mas que tem papel fundamental na construção do mundo das criptomoedas. Em meio aos desafios de um país emergente, as adversidades tornam a busca por inovação e o desejo pela inclusão financeira um impulsionador do progresso e do desenvolvimento. E tudo isso é apenas o começo.
*Gislene Cabral de Sousa, Head de Compliance e Risco de NovaDAX