Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bitcoin avança e desafia monopólios monetários estatais

Estamos diante do maior êxodo da história, diz Pedro Freitas.

O lado subversivo do bitcoin tem se mostrado cada vez mais agressivo. Parte disso porque ao descentralizar o poder de compra a todo e qualquer indivíduo que negocie na rede da criptomoeda, desafia as estruturas centralizadas de mercado. Dessa forma, demonstra ser uma reserva de valor à frente dos tempos atuais.

Desde meados de 2010, a trajetória do bitcoin tem chamado a atenção do mundo inteiro. Isso se deve à maneira simples e rápida com a qual o valor da criptomoeda tem demonstrado uma ruptura com a forma regulatória com que os bancos centrais e os próprios estados tentam ditar o ritmo da economia com suas taxas, prazos, índices e reservas.

Assim, se esquecem do fator principal que faz o bitcoin oscilar minuto a minuto. Além de no longo prazo crescer rapidamente em direção à maior reserva de valor mundial, seu arquirrival: o dólar dos Estados Unidos (EUA). 

Na pandemia, o dólar se mostrou a reserva de valor mais forte já criada pela humanidade. Tanto é que a China – único país capaz de peitar o Tio Sam – tem reconsiderado seu papel central na mineração de bitcoin.

Nesse ponto, já podemos extrair uma primeira lição sobre o futuro do bitcoin, anote: bitcoin é a principal reserva de valor para o futuro. Pode parecer algo simples. Mas em outras palavras, estamos afirmando ser impossível os governos do mundo negarem a presença de uma criptomoeda que relativiza o poder de regulamentação dos estados.

Surge então uma questão. Por que ao longo dos séculos as populações dos diferentes países ao redor do mundo entregaram aos seus respectivos estados o monopólio mais vantajoso da história, ou seja, o de emitir moeda e de regular a economia?

Bitcoin quebra paradigmas

Essa pergunta parece óbvia, porque talvez pudéssemos pensar: mas a quem mais poderiam dar tamanha responsabilidade de coordenar a moeda e regular a economia?

Talvez, a resposta que o bitcoin tenha apresentado seja uma quebra de paradigma. Com ela, o poder de emitir (minerar) moeda e de regular a economia não deve estar na mão de entidades estatais. E sim na mão de todos que decidirem operar o bitcoin.

A fragmentação e a ausência de centralização aumenta a volatilidade do bitcoin. Porém, em palavras mais elegantes, isso quer dizer que além de ser subversivo a qualquer governo, apresenta uma oferta inelástica bloco a bloco minerado. Portanto, isso garante a autenticidade de cada transação na rede blockchain, que na atualidade é a mais segura e distribuída ao redor do planeta.

Dito isso, de forma assustadoramente organizada em blockchain, o bitcoin tem garantido essa transferência de titularidade do poder de coordenação e regulação econômica dos entes estatais para toda e qualquer pessoa, que operando a lei da oferta e da demanda, negocie bitcoins.

Isso significa que o bitcoin sintetiza e descentraliza toda estrutura de mercado convencional já criada em uma única premissa, que vem dando um baile nos ativos de investimentos convencionais: “descentralização de poder”.

O antigo imperador romano César diria “dividir para conquistar”. No caso do bitcoin, é descentralizar para conquistar.

*Pedro Freitas é professor e engenheiro. Atualmente é analista sênior de tecnologia no Ministério da Economia.

2 Comentários

  1. Muito bem analisado! Acrescento que com o passar do tempo, cada tipo de mercado na economia mundial criará sua própria moeda que poderá vir agregada de smart contracts, descentralizando ainda mais o poder de cartórios e intermediários diversos.

    1. Olá, Marcel, hoje, cerca de 80% dos bancos centrais estudam ou testam CBDCs. É possível que isso realmente avance. Vamos acompanhando. Obrigada por seu comentário!

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>