Entenda como foi o maior hack de cripto da história; Lazarus Group seria autor, diz analista de segurança

Lazarus Group rouba US$ 1,5 bilhão da Bybit, mas impacto no Ethereum pode surpreender
Imagem destaque: Pexels

A exchange de criptomoedas Bybit foi vítima de um ataque sem precedentes no último dia 21, que resultou na perda de US$ 1,5 bilhão em Ethereum (ETH) e stETH, e há suspeitas de que o autor foi o Lazarus Group, da Coreia do Norte. O maior hack da historia de cripto, que foi em ETH, pode afetar a moeda digital.

De acordo com a investigação conduzida pelo analista de segurança ZachXBT, o hack foi executado pelo Lazarus Group, coletivo de hackers com suspeitas de operar com o apoio do governo da Coreia do Norte. Com um histórico que remonta a 2010, o grupo já esteve envolvido nos ataques à bridge Ronin, à Atomic Wallet e à Harmony Bridge, além de acumular centenas de milhões de dólares em roubos que permanecem sem solução.

Um dos nomes frequentemente associados a essa quadrilha é Park Jin Hyok, acusado de criar o ransomware WannaCry, invadir a Sony Pictures e atacar o Banco Central de Bangladesh.

No hack da Bybit, a estratégia foi estruturada em três etapas:

  1. Replicação da interface da Bybit: os atacantes desenvolveram uma plataforma idêntica à exchange, enganando os responsáveis por autorizar saques com uma transação que simulava legitimidade.
  2. Manipulação do contrato durante a autorização: no momento da aprovação da transação, o código do contrato foi alterado de forma maliciosa, permitindo que os hackers acessassem e controlassem a carteira fria da plataforma.
  3. Fragmentação dos recursos roubados: para evitar detecção, os fundos foram transferidos para 53 carteiras, estratégia que dificultou o rastreamento e a recuperação dos valores desviados.

Plano de recuperação

Para enfrentar a crise, a exchange anunciou o lançamento do Programa Recovery Bounty, que promete aos especialistas em segurança cibernética e análise de criptomoedas uma recompensa de 10% sobre os valores recuperados. Isso pode atingir até US$ 140 milhões em caso de recuperação total.

Em comunicado divulgado após o ataque, a Bybit destacou que todos os ativos dos clientes estão protegidos por reservas 1:1, garantindo que o golpe não afetará a integridade dos fundos alocados na plataforma.

Análise do mercado

O episódio foi, sem dúvida, o maior roubo de criptomoedas já registrado. Mas, surpreendentemente, não desencadeou um pânico imediato entre os investidores. Inclusive, isso pode ser, mesmo que não pareça de imediato, algo bom para o Ethereum.

Em uma análise sobre o caso, o criptoespecialista Vinicius Terranova destacou que “após o ataque, grandes players, como um investidor anônimo da Binance e a plataforma BitGet, emprestaram Ethereum para a Bybit repor parte dos fundos perdidos. Porém, esses empréstimos precisarão ser devolvidos, o que significa que a exchange terá que recomprar US$ 1,5 bilhão em ETH no mercado futuramente. Essa demanda pode, paradoxalmente, impulsionar o preço da moeda”.

Terranova observou que traders aproveitaram a queda temporária para comprar Ethereum, apostando em uma recuperação da cripto. Além disso, o especialista em criptomoedas não acredita que o Lazarus Group liquidará os fundos rapidamente.

“Lavar US$ 1,5 bilhão exige tempo e métodos complexos, como usar bancos de países como Rússia e China e inflacionar artificialmente o preço de outros ativos para esconder o dinheiro. Outro ponto relevante é que ferramentas como o Tornado Cash, que mascara transações, têm limite por operação, tornando inviável movimentar todo o montante de uma vez. Isso dá um respiro ao mercado, e o risco de uma venda em massa no curto prazo é menor”.

A análise técnica de Terranova aponta que o Ethereum, que chegou a operar na faixa de US$ 2.600 a US$ 2.800 após o hack da Bybit, possui uma base sólida para uma recuperação. Assim, o analista acredita que, caso a criptomoeda ultrapasse os US$ 2.800, uma retomada em direção a patamares de US$ 3.400 pode ser observada, apesar dos desafios estruturais, como a baixa atividade na rede.

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