O Brasil ocupa a primeira posição no ranking global de adoção cripto de base (grassroots adoption), segundo o relatório Geographies da Chainalysis. O levantamento considerou o período entre 1º de julho de 2025 e 30 de junho de 2026. Isso não mede o tamanho do mercado, mas a adoção considerando diferentes subíndices.
O país não liderou isoladamente nenhuma das categorias específicas medidas pelo estudo, mas manteve desempenho forte em todas. Assim, superou mercados como o dos Estados Unidos (EUA), em um ano marcado pelo recorde o preço do bitcoin e pela posterior forte queda do valor da cripto.
No recorte por indicadores, o Brasil está em 3º lugar no ranking de fluxos totais, 4º em saldos, 3º na economia P2P (peer-to-peer) e 2º em fluxos transfronteiriço. Portanto, foi a combinação dessas posições, e não o destaque isolado em uma única métrica, ou em todas, que garantiu ao país o topo do índice geral.
O relatório estima a economia cripto brasileira em US$ 252,5 bilhões no período analisado. A própria Chainalysis afirma que seu relatório provavelmente subestima a situação real. “A cripto economia em cada mercado é maior do que reportamos. Criamos nossa métrica de forma conservadora para ter maior precisão”, diz a empresa.
Ainda assim, o resultado já reforça uma tendência observada em edições anteriores do estudo: o Brasil consolida-se como um dos mercados mais maduros do mundo em uso cotidiano de criptoativos, mesmo fora do radar das grandes movimentações institucionais que dominam o debate em economias desenvolvidas.
“A liderança do Brasil é um marco que mostra a dimensão e a maturidade alcançada pelo mercado brasileiro. O país aparece entre os quatro primeiros mercados globais em todas as dimensões analisadas pelo estudo, o que indica que essa liderança não está concentrada em um único tipo de atividade, mas reflete uma adoção ampla e diversificada dos ativos virtuais. Esse resultado corrobora nossa visão de que o Brasil é um mercado estratégico para a Binance e seguirá no centro da nossa atuação” afirmou Thiago Sarandy, Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil.
Abaixo de Brasil e EUA estão omo Estados Unidos estão Nigéria, Japão e Coreia do Sul, nessa ordem. Na lista dos 20 maiores.
O contexto global, no entanto, foi de forte turbulência no período. Com um recordo de preço do bitcoin e a maior retração em valor de dólares já vista, perdendo US$ 67 mil do pico ao fundo do poço. Com isso, a capitalização total do mercado cripto sofreu uma contração de 50%. É o equivalente a US$ 2,1 trilhões, o pior mercado desde os escândalos do início da década.
Mas, a chamada economia cripto mundial, que combina entradas em serviços, atividade peer-to-peer doméstica e transferências transfronteiriças, encolheu apenas 1,6% em relação ao período anterior. Foram US$ 9,4 trilhões, ante US$ 9,5 trilhões no ciclo anterior.
As transferências de varejo foram o destaque de crescimento no período. Movimentações abaixo de US$ 100 cresceram 78,4%, enquanto as faixas entre US$ 100 e US$ 1 mil avançaram 58,6%. Porém, esse segmento representa apenas US$ 273 bilhões dos quase US$ 10 trilhões movimentados. Mas podem ser a porta de entrada ao mercado.
As transferências institucionais, acima de US$ 1 milhão caíram apenas 7,2% no período. Pouco, apesar da queda de preços.
As transferências transfronteiriças de stablecoins também dispararam, impulsionadas por marcos regulatórios como o GENIUS Act nos Estados Unidos, a MiCA na União Europeia e iniciativas no Japão, Hong Kong, Cingapura e Reino Unido. O valor mensal estimado dessas transferências mais que dobrou, de US$ 11 bilhões em janeiro de 2025 para US$ 24 bilhões em junho de 2026, com o volume total de stablecoins cruzando fronteiras saltando 77,5%, de US$ 124,2 bilhões para US$ 220,3 bilhões.
O tíquete médio dessas transações, cerca de US$ 3 mil, indica uso cotidiano, não especulativo: pagamentos a fornecedores, remessas para casa ou fuga de moedas locais desvalorizadas.
“A atividade se tornou consistente, roteada por carteiras em um ritmo estável, e não em picos”, afirmou Philip Gradwell, vice-presidente de economia da Tether, no relatório. O fenômeno também abriu novos corredores comerciais: 4.708 rotas movimentaram US$ 2,64 bilhões no período, grande parte em USDT.
Essa força, de acordo com Gradwell, está em atender “a parte da economia historicamente excluída pelo custo e pela restrição do sistema financeiro tradicional”.