Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Unicef investe US$ 700 mil em startups de serviços financeiros em blockchain

Unicef investiu em startups como Grassroots Economics do Quênia. Foto: Unicef

O Fundo de Inovação da Unicef vai investir em sete startups de serviços financeiros que usam blockchain. As empresas estão na Argentina, Índia, México, Nepal, Quênia e Ruanda. Assim, cada uma receberá o equivalente a US$ 100 mil (cerca de R$ 600 mil). No entanto, cinco preferiram receber parte do valor na criptomoeda Ether. E cinco são administradas por mulheres.

As startups concorreram com 450 candidatas de 77 países. O recurso é seed, ou seja, para startups em fase inicial. O objetivo é contribuir para a bancarização de populações desses e outros país onde os serviços poderão chegar. Portanto, beneficiar ao menos parte do 1,7 bilhão de desbancarizados no planeta.

A startup da Argentina é a Xcapit, uma broker da Binance e opera com criptomoedas e finanças descentralizadas. Da América Latina, há ainda a BX Smart Labs, do México, que está criando um aplicativo descentralizado para empréstimos de “ciclos”.

Mas, esses empréstimos são a custo zero entre grupos de pessoas que se conhecem, algo comum em países da região. Uma vez que todos recebem de volta o dinheiro, o ciclo se fecha.

A indiana é a GovBlocks, um protocolo aberto de governança para aplicativos descentralizados. Assim, é um protocolo de votação para negócios Web3. Com isso, a startup quer promover a substituição de decisões centralizadas por decisões por comunidades.

Unicef investe em startups de ajuda humanitária e carteira digital

A nepalesa é a Rumsan, que está trabalhando na plataforma de código aberto Rahat, que significa alívio. É uma solução blockchain para ajudar no gerenciamento de distribuição de ajuda humanitária.

O processo é complexo. Há problemas, por exemplo, como custos e fraudes, em especial quando há desastres naturais no país.

A startup de Ruanda é a carteira digital Leaf . A solução permite receber, enviar e investir e fazer câmbio por meio de um telefone smart ou não. De acordo com a startup, o serviço está no leste da África e usa Dados de Serviços Suplementares Não estruturados (USSD na sigla em inglês). Isso é um serviço de envio de mensagens “primo” das mensagens de telefone SMS.

O fundo da Unicef escolheu ainda duas startups do Quênia. A primeira é a Grassroots Economics (GE), que está construindo um sistema que inclui moeda comunitária, além de renda básica criada digitalmente.

A GE, se inspirou em projetos de países como o Brasil. Blockchain serve para registrar dados e, dessa forma, ser a “câmara de compensação” entre as startups.

A segunda queniana é a Kotani Pay, que trabalha numa solução blockchain e criptomoedas para envio e recebimento de dinheiro. Mas, sem necessidade de conexão com a internet ou conta bancária. A empresa também usa USSD.

O fundo já investiu em outras startups. E a lista também inclui latino-americanas Cireha (Argentina), Utopic (Chile), Afinidata (Guatemala) e OSCity (México).

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