Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Sistema Natus lança token para manter reservas ambientais privadas

Um novo token ligado a conservação do meio ambiente começou a ser negociado pelo Sistema Natus de Criptoativos Ambientais. A iniciativa é de proprietários de reservas ambientais privadas (PPAs), empreendedores e ambientalistas de diversos países, incluindo o Brasil. No ar desde o dia 18 de agosto, o sistema vende o Natus Unit (NTU) de cinco PPAs que se certificaram para o projeto.

Cada token Natus representa a preservação de 1 m2 de área conservada e dos benefícios ambientais que gera. Isso inclui água, biodiversidade e estoque de carbono. No total, as cinco áreas têm 9.179.500 m2. O valor de cada token é de US$ 1 (cerca de R$ 5,50). Hoje, 50% da vegetação nativa do Brasil ainda conservada está em propriedades privadas. Por isso, o grupo resolveu apostar em tokens para PPAs.

Em junho deste ano, entrou em vigor a lei 14.119/2021, que institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA). Uma de suas diretrizes é a pagar por serviços de preservação ambiental. Dessa forma, evita-se desmatamentos e usos comerciais inaquedados. Mas, não é um sistema com registro de dados em blockchain e é público.

Sistema cria token Natus para cada área que entra no sistema

Um dos co-fundadores do sistema é Laercio Machado, presidente da Reserva da Biosfera do Pantanal e coordenador, no Brasil, da Rede de Reservas da Biosfera da UNESCO. Além disso, também tem uma PPA. Outro co-fundador e que também tem uma PPA no projeto é Flávio Ojidos, advogado especialista em direito ambiental. (proprietário de PPA).

Também são co-fundadores Ranulfo Paiva Sobrinho e Karla Córdoba-Brenes, especialistas em blockchain e criação de criptoativos com foco ambiental e social. Esses co-fundadores também participam da Cambiatus, plataforma open source para comunidades que queiram criar seus tokens.

Para entrar no projeto, o proprietário de uma PPA pode pedir cadastro no sistema, que vai avaliar os benefícios ambientais da área. Uma vez que há comprovação de que há conservação e geração de benefícios na PPA, acontece a emissão de NTUs equivalentes à propriedade.

Das cinco PPAs que estão hoje no projeto, duas ficam no interior de São Paulo, no bioma da Mata Atlântica e uma em Florianópolis, também Bioma da Mata Atlântica. Há ainda uma no Mato Grosso do Sul, no Bioma do Pantanal, e uma em Manaus, no Bioma da Amazônia.

O projeto se assemelha a outros como o da Moss e da AmazonasCoin. Assim, busca quem quer comprar para ajudar o meio ambiente ou quem investe em causas ambientais.

Donos de tokens podem ver detalhes dos benefícios ambientais de PPAs

No site do Sistema Natus é possível ver detalhes ambientais dessas propriedades, assim como quais os benefícios ambientais que geram. Inclui inclui, por exemplo, a coleção da qual a PPA faz parte, lista de seus benefícios ambientais, nome, localização e bioma.

O comprador também recebe link para acessar o inventário ambiental e imagens de satélite. Cada coleção entra no mercado no dia do Meio Ambiente, 5 de junho. A atua é a Arara Azul.

Assim, parte dos lucros com a venda de NTUs vai para as PPAs, para que continuem a conservação das áreas. O projeto prevê também um bônus para quem conseguir investidores no projeto. O percentual varia de 1% a 30% sobre o número de NTUs que o indicado adquire.

Um próximo passo será enviar artes digitais no formato de tokens não-fungíveis (NFTs) para quem comprou o Natus. São desenho de artistas ligados à preservação ambiental. E para 2023 está previsto o lançamento da moeda Natuscoin, que irá para quem comprar NTUs.

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