Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Startup britânica leiloa NFTs para levantar recursos que irão para profissionais de teatro

Para ajudar um dos setores mais combalidos pela pandemia do coronavírus, a startup britânica Curve vai vender cinco peças de arte digital criptografadas, ou NFTs, para ajudar o Theatre Support Fund+. O leilão vai de hoje a 9 de abril na plataforma Rarible.com/curveos.

As artes são imagens animadas dos bonecos que aparecem no aplicativo da Curve. E início do leilão começa um dia antes do Dia Mundial do Teatro, que é amanhã (27) e que foi criado para ressaltar a importância dessa arte.

A Curve é uma startup que criou um cartão e um aplicativo que armazenam outros cartões. Já o Theatre Support Fund+ é uma iniciativa de dois profissionais do teatro para levantar recursos para trabalhadores do setor que perderam toda ou praticamente toda sua renda.

Para isso, os criadores do fundo, Chris Marcus e Damien Stanton, elaboraram diversos produtos relacionados a espetáculos no West End de Londres, a área teatral da cidade. Dentre esses produtos há, por exemplo, camisetas, bolsas e capas de celulares.

O fundo já arrecadou mais de 600 mil libras esterlinas (cerca de R$ 560 mil). Há 270 mil profissionais do teatro britânico. Porém, cerca de 40% dos profissionais no setor de arte do país perderam o emprego desde o início da pandemia.

Estão crescendo as iniciativas com NFTs que focam em ações que ajudam uma causa. Nesta semana, um leilão de obras de artistas digitais, incluindo Beeple, levantou recursos para um projeto ambiental. Todo o dinheiro vai para a preservação de floresta no projeto Madre de Dios no Peru.

Procura por curso sobre blockchain do Senai-SP saltou 46% em 2020

A procura pelo curso online do SENAI-SP sobre aumentou 46% entre 2019 e 2020, para 37,2 mil inscritos. Segundo a instituição, o crescimento está em linha com o crescimento da procura por outros cursos ligados à indústria 4.0 e de profissionais que querem se reposicionar no mercado.

Parte do crescimento se deve ao fato de as pessoas se voltarem a cursos online durante a pandemia. O número de matriculados no total dos cursos, mais que dobrou, de cerca de 391 mil em 2019 para 825 mil em 2020.

Para o curso Curso “Desvendando a Indústria 4.0”, a expansão foi de 49% e para o de lógica de Lógica de Programação, de 38%.

De acordo com o Senai, um dos destaques no ano passado foi o curso Economia Circular. Os matriculados subiram de 1,2 mil para 62 mil no ano passado. Esse é um tema que ganha cada vez mais destaque no mundo, junto com o conceito de ESG (Meio–ambiente, social e governança).

Outro destaque foi o curso “Desvendando o BIM (Building Information Modeling)”. Em 2019, apenas 400 pessoas se matricularam. Em 2020, 22 mil estudaram as aplicações na construção civil.

Blockchain e botão de pânico para mulheres avisarem que agressor está por perto

A GoLedger fez um exercício de uma rede blockchain para evitar ataques a mulheres. A rede compartilha dados das vítimas e dos agressores com, por exemplo, órgãos de segurança e ONGs de proteção às mulheres.

Apesar de o sistema compartilhar dados, respeita-se a privacidade de cada mulher. A solução inclui um botão de pânico. Dessa forma, a vítima aciona o botão se o agressor estiver perto da vítima. Assim, avisa os serviços de defesa sobre o risco que estão correndo naquele momento.

Marcos Sarres, diretor-executivo da GoLedger, empresa de soluções em blockchain, demonstra a solução no vídeo abaixo.

Nesta segunda-feira (8), a BidWeb Security IT e a OriginalMy também lançam o site Posso Provar. Assim, mulheres poderão registrar provas digitais de violência. A Justiça já aceitou esse tipo de prova em processos.

Além disso, o Blocknews inicia a publicação da Corrente de Mulheres. Será uma série de entrevistas com mulheres do ecossistema blockchain.

Cada entrevistada escolherá e entrevistará a próxima a participar da série. A primeira é Liliane Tie, líder do Women in Blockchain (WiB) no Brasil.

Economia criativa: vem aí blockchain para fãs de artistas e registro de direitos autorais musicais

Sócios da Stonoex, que desenvolve soluções blockchain para tokenização de ativos, deverão lançar, nas próximas semanas, duas plataformas que usam blockchain e focam na economia criativa.

Uma delas, a Fan Token, vai vender experiências com artistas. Já a outra fará o registro de direitos autorais para música. Ambas são da primeira startup de tecnologia blockchain voltada à economia criativa, disse ao Blocknews Ricardo Azevedo Lima, CEO da Stonoex.

Lima é um dos investidores na empresa, que por sua vez, é um spin off da Stonoex. Os investimentos seguem o padrão de Lima e seus parceiros, portanto, começam com R$ 1 milhão para colocar o projeto em modelo inicial.

Na Fan Token, “estamos tokenizando a economia criativa”, completou o investidor. “Já temos alguns grandes nomes envolvidos para o primeiro ciclo de lançamento, ou seja, apoiaremos essa classe para diversificar sua receita. Eles tiveram dificuldades com a pandemia, mas têm um ativo muito grande, completou.”

Economia criativa para nova renda

De acordo com Lima, a plataforma venderá o que o artista já comercializa offline. Isso signfica discos, shows e participação em propaganda, por exemplo. “Portanto, não vamos concorrer com essas receitas e sim, trazer produtos diferenciados, criar experiências, mais do que produtos.”

Por exemplo, um fã poderia comprar tokens para receber um vídeo com uma mensagem de feliz aniversário de seu cantor preferido. Questionado por que o uso de blockchain, Lima respondeu: “esse é nosso mindset”.

Isso porque além de investidor na Stonoex, o executivo aplica recursos em outros negócios de cripto e blockchain.

Além disso, Lima e outros investidores são sócios da franquia brasileira da casa de jazz Blue Note. Assim, a proximidade com artistas ajudou na criação e desenvolvimento do projeto, afirmou.

Registros de direitos musicais

O modelo econômico da plataforma de economia criativa Fan Token está sendo fechado. Isso inclui definir valor do token e a precificação do que estiver à venda. “Nosso objetivo é dar preço à experiência e não só ao artista”, diz Lima.

Já a plataforma de registro de direitos autorais de música deverá também divulgar as obras junto a intérpretes. “É um serviço adicional, aproveitando nosso conhecimento da classe artística.”

Em 2020, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) lançou uma plataforma blockchain para registro de direitos autorais.

Há outras startups no ecossistema blockchain envolvidas com o mundo da música e suas necessidades. A Smart Right, por exemplo, arrecada, gerencia e distribui royalties.

BNDES Garagem escolhe consórcio acelerador e chamará startups no segundo trimestre

O consórcio AWL, formado pela Artemísia, Wayra Brasil e Liga Ventures será a aceleradora que executará a segunda edição do BNDES Garagem. Nesta edição, o foco será em startups que geram negócios com impacto socioambiental.

A chamada das startups do primeiro de três ciclos deve começar no segundo trimestre. Serão 45 em cada ciclo. Cada um deles deve durar de três a quatro meses. Assim, o programa todo vai durar 30 meses. O primeiro deles deve ser semipresencial.

De acordo com o BNDES, o foco principal do primeiro ciclo são soluções para saúde, educação, sustentabilidade, govtech e cidades sustentáveis.

BNDES Garagem tem dois módulos

Os ciclos têm dois módulos. Um deles é o de tração, para startups no Brasil, que faturam menos de R$ 16 milhões ao ano e que já possuam um produto no mercado.

O outro é o de criação, para empreendedores baseados aqui ou no exterior. Eles devem apresentar propostas de negócios para criação ou de melhoria de um produto mínimo viável.

No final de cada ciclo, as startups apresentarão seus projetos a investidores no Demo Day. O BNDES não vai exigir participação acionária nos negócios.

Na primeira edição do BNDES Garagem, em 2018 e 2019, mais de 5 mil startups se inscreveram. No total, 79 participaram e 74 foram até o final do ciclo. Dessas, 44 participaram no módulo de criação e 30 no de aceleração.

Rede BNDES Garagem

A AWL vai participar da seleção das startups com o BNDES. Além disso, vai acompanhar o desenvolvimento dos negócios, com aconselhamento técnico, jurídico e mercadológico. O consórcio vai, também, fazer a ponte com das startups com investidores e potenciais clientes.

Como a procura para as vagas ultrapassa, em muito, o que há disponível, o BNDES criou a Rede BNDES Garagem. O objetivo da rede é promover o empreendedorismo com eventos e conteúdos de educação.