Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Taynaah Reis, da Moeda Seeds, lança plataforma de NFTs de música

NFTs de música brasileira é a nova atividade da fundadora do Moeda Seeds. Foto: Moeda Seeds.

Taynaah Reis ficou conhecida como a fundadora e CEO da Moeda Seeds, que levanta recursos para projetos de empreendedores com impacto em suas comunidades.

“A parte que as pessoas não sabiam é que eu sou cantora. É um hobby, uma paixão. E pela primeira vez consegui juntar tecnologia e música”, diz ela. Essa junção aconteceu com a plataforma de NFT (tokens não fungíveis) All Be Tunned, que está no ar desde o o último domingo (28).

A princípio, a plataforma vai vender músicas de artistas brasileiros e a cobaia é Taynaah mesma. Depois vai acrescentar outras artes, como fotos e artesanatos. O objetivo é ajudar a classe artística, combalida com a crise.

Além disso, com os tokens, que têm o sufixo Notas, a ideia é tirar intermediários da cadeia artística, como gravadoras, e dar transparência às negociações. Com os NFTs, o dinheiro entra logo na conta do artista. Com gravadoras, pode levar meses.

De acordo com a tecno-canotora, que programa desde os 12 anos, até as 11h00 de hoje (30) foram vendidas 19 NFTs de uma música sua, ao preço de US$ 333 (cerca de R$ 2 mil). Os compradores são chineses investidores ou conhecidos da Moeda Seeds. Ela diz que passou Supla na venda de NFTs.

NFTs de música projeto vencedor

A plataforma foi uma ideia vencedora num hackathon na França em 2012. Era um sistema de música colaborativa, com participantes de várias países e cada um fazendo uma parte na canção. “Botava tudo no Dropbox e subia”, disse ela ao Blocknews.

Mas o plano ficou de lado quando começou a trabalhar no governo, na Organização das Nações Unidas (ONU), no setor privado e em seus projetos. “Porém, nunca me esqueci da música, que é algo que vem de família”.

Com a explosão de interesse por NFTs, amigos artistas perguntavam a Taynaah como funcionavam os tokens. “Comecei a ver a dificuldade dos artistas e amigos para entenderem coisas como blockchain, compra em Ethereum e o token ERCc 721.”

Assim, decidiu resgatar o All Be Tuned para os artistas entrarem na economia colaborativa. O conhecimento que ganhou com a Moeda facilitou montar a plataforma de NFTs de música em uma semana. Correu porque, diz ela, nesse mundo digital, não dá para ficar esperando.

“Juntei vários amigos, fizemos isso acontecer e colocamos no ar. Vejo um novo ciclo nele.”. Hoje, há mais de 300 inscrições de projetos para divulgação na plataforma, só com procura orgânica. “Se em 2 meses conseguir 1 mil artistas lançando obras com a gente, será sucesso para nós.”

Os sócios são quatro, além de Taynaah. Um deles é Moreno Francesco, músico e da banda Smoking Beats. Anderson Sávio, multi-instrumentista que trabalha com looping, a junção de música eletrônica e instrumentos acústicos), é outro. E tem ainda Derik Bellardi, percussionista. Todos terão obras na plataforma.

Modelos de NFT é tudo igual

Quem quer lançar um NFT precisa, por exemplo, definir a modelagem econômica do token. Vai vender quanto dos direitos autorais? Por quanto tempo? Vai entregar algo físico? Essas são algumas das definições que devem ser tomadas. O que é padrão é passar 3% do valor da venda para projetos da Moeda.

Por isso, a plataforma terá vários serviços. Além de colocar os NFTs à venda, haverá mentoria para essa modelagem e distribuição das músicas aqui e na China, o que é um diferencial, diz Taynaah.

A maioria aqui, diz ela, acostumada com Spotify, que tem 345 milhões de usuários, enquanto na China tem plataforma com 800 milhões. Além disso, lá paga bem melhor do que no Brasil e tem artista brasileiro que nem sabe que é famoso no país asiático, completa.

A semelhança da All Be Tuned com a Moeda está nos princípios, ou seja, dar independência e empoderar pessoas para gerar receita. “O que a gente puder facilitar com a tecnologia, como acessos a capital de giro e comercializar um produto, tem tudo a ver com a Moeda.

Portanto, Taynaah usou o backoffice da Moeda, que tem funcionalidades que pode aproveitar, como processamento de cartão, conta digital, e-commerce e mentoria.

Também deverá ter um serviço de venda no mercado secundário, ou seja, quem compra o NFT no lançamento, pode revendê-lo depois até em outro marketplace. Isso também é novidade aqui nesse segmento.

“Ajudar quantos conseguirmos”

Por enquanto, a All Be Tuned não tem um plano de negócios completo. “A gente desenhou algo mais macro. Esperamos ajudar quantos conseguirmos.” A monetização deverá vir, por exemplo, de um plano de assinatura, porque criar e listar o NFT exige empenho dos profissionais.

No plano básico, haverá duas ou três opções mais restritas de modelo e nos mais especiais será possível customizar. “Na minha, o NFT dá 8% de direito autoral e por dez anos. Se a música for sucesso, pode vender em algum outro marketplace ou ganha nos royalties”, explicou .

Os NFTs, diz ela são a descentralização da posse de uma arte. “Todos os jovens terão obra de arte na carteira. Onde guarda bitcoin, vai guarda suas obras e vender.”

Quem ganha o token Seeds, da moeda, no produto DeFi, também vai ter bônus para comprar na plataforma. A gente lançou o tokenQuem tem Seeds quer saber qual a utilidade deles. Eles podem comprar e investir nos projetos da Moeda a nos NFTs de música. O que mais gostam é dos NFTs.”

2 Comentários

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>