Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Liqi e Gaia se unem para criar tokens de impacto social e ambiental

Liqi e Gaia querem democratizar investimentos. Foto: Nathan Lemon, Unsplashed.

A Liqi, plataforma de tokenização de ativos, e o Grupo Gaia, que atua no mercado financeiro, fecharam um acordo para tokenização de ativos de impacto positivo na sociedade e no meio-ambiente. Os investimentos poderão ser tokens que representam títulos privados e regulados pelo Banco Central (BC) ou em títulos regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O Gaia é uma empresa do chamado sistema B, que propõe aliar propósito e lucro, com impacto positivo nos stakeholders e no entorno dos negócios, de funcionários ao meio-ambiente. A empresa afirma que já realizou R$ 20 bilhões de operações em 12 anos. Sua especialidade é securitização, ou seja, transformar dívidas em títulos que serão repassados a outros credores. Essas operações incluem, por exemplo, reforma de casas populares, geração de energia limpa e crédito para pequenos produtores rurais.

Os tokens feitos com a Liqi vão, portanto, ajudar a colocar em pé projetos que vão democratizar acesso a produtos e serviços, disse João Pacífico, CEO do Grupo Gaia. Além disso, devem dar retorno financeiro para quem investir no projeto, completou. O impacto, segundo ele, é um diferencial desses investimentos.

“Muitas operações (financeiras) estão restritas a fundos, family offices, usando outras tecnologias, então não são democratizadas. E aí entra blockchain e a tokenização para criar tokens lastreados nessas oportunidades de investimentos. E são operações bem estruturadas. No final do dia se olha risco, retorno e impacto. Risco e retorno já estamos acostumados a olhar. Agora incluem o impacto”, disse Daniel Coquieri, CEO e fundador da Liqi.

De acordo com Coquieri, foi a Gaia que procurou a Liqi para a criação de tokens. “Muitos dos produtos financeiros são elitistas, são para quem tem mais de R$ 10 milhões investidos. Com o token é possível democratizar isso. No token, é possível fazer operações de qualquer tamanho, para qualquer tamanho de investidor e com as mesmas condições para todos”, explicou Pacífico sobre o interesse nos tokens. “Além disso, os tokens trazem os contratos inteligentes, transparência, segurança e automatização, que não são assim nos outros produtos”.

As empresas criaram a página no site da Liqi, a tokensdeimpacto.com.br sobre os produtos.

A Liqi começou a operar neste ano e tokenizou os direitos do Cruzeiro sobre o mecanismo de solidariedade da Fifa. Coquieri foi o fundador da BitcoinTrade, vendida para a argentina Ripio em janeiro deste ano. No começo de julho, a empresa fez parceria com a blockchain Hathor.  

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