Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Blockchain na educação: combate a diplomas falsos, inclusão social e conexão com empresas

Quem nunca ouviu falar de pelo menos um caso de diploma universitário falsificado? Para quem não quer usar muito os seus próprios neurônios, sites na internet oferecem esses papéis aos montes, com o timbre de universidades como a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a de Cambridge, na Inglaterra.

Blockchain tem sido usada para tentar combater esse problema de fraudes que, estima-se atinja metade dos diplomas de PhD nos Estados Unidos. O governo brasileiro anunciou nesta semana um sistema de emissão de diploma digital que usa blockchain com esse objetivo.

Mas, na área de educação, está sendo usada também para solucionar questões mais nobres. Isso inclui facilitar o acesso ao histórico escolar por estudantes, universidades e empregadores, como já acontece nos Emirados Árabes Unidos (EAU). E também para aumentar a inclusão de estudantes de baixa renda no mundo acadêmico, como está acontecendo na Universidade do Norte do Texas Dallas (UNTD), conforme mostra artigo desta editora no Future of Money, da Exame.

Em entrevista exclusiva, o presidente da UNTD, Bob Mong, contou como blockchain pode ajudar os estudantes que não têm internet e computador a ingressarem no ensino superior. É algo para países como o Brasil acompanhar de perto. E não é só isso. O próximo passo será usar a tecnologia num aplicativo que vai acompanhar a saúde, inclusive mental, dos alunos. Abaixo, a entrevista na íntegra com Mong;

Uso de blockchain na UNTD

BM: A UNT Dallas atinge principalmente estudantes de área urbana e que são a primeira geração que vai à universidade. Mutiso não têm computadores em casa ou acesso a conexões confiáveis de internet e wifi. Por isso, usamos blockchain para que esses estudantes baixem um aplicativo com seus históricos escolares, currículos e outras informações importantes num aparelho em que eles confiam: o celular deles.

Para isso, fizemos uma parceria com a Greenligh Credentials. Outras instituições de educação parceiras são o Distrito Escolar Independente de Dallas, que tem 154 mil estudantes, a comunidade local do distrito do Dallas College, que tem 85 mil estudantes, e outros distritos escolares. Por meio desse app, os estudantes podem se inscrever faculdades gratuitas de comunidades e faculdades profissionais, e pedir bolsa de estudos. Recebemos centenas de inscrições por esse aplicativo até agora. Em breve, a Greenlight vai inser outras aplicações que ajudam os alunos a contatar agências de serviços sociais, questões de transporte, cuidado infantil e problemas mentais.

O processo

BM: a primeira universidade a buscar o aplicativo. Levou 18 meses para que o Memorando de Entendimento passasse pelo escrutínio da nossa equipe de TI e advogados. Uma vez que tudo foi aprovado, no final de 2019, começamos a apresentar a Greenlight no nosso campus e a trabalhar com distritos escolares e faculdades de comunidades para que se beneficiassem do aplicativo. Esperamos aumentar a taxa de aceitação e uso do app em Dallas-Fort Worth nos próximos 12 meses.

Perto de TI e dos advogados

BM: É um conceito relativamente novo, tivemos que trabalhar bem perto de nosso departamento de TI e dos advogados para nos guiarem nesse sistema. Dessa forma, podíamos fazer com que a UNT Dallas participasse dele. Agora, o trabalho é o de aumentar o uso entre os estudantes da região e ajudá-los a ver que o app facilita o pedido de aceitação na faculdade. Isso é importante porque dos 30 mil alunos que saem do ensino médio no condado de Dallas, quase metade não vai imediatamente para uma instituição de ensino de terceiro graus. Isso pode reduzir o potencial de ganho financeiro durante a vida deles.

App para saúde

BM: Estamos trabalhando com os mesmos parceiros ara lançar um app chamado Vital Signs 6 (Sinais Vitais 6), que vai ajudar a UNT Dallas e outras escolas e faculdades a verificar sinais de saúde dos novos estudantes, inclusive questões mentais. Isso é parte de um esforço para adicionar a verificação de saúde mental e depressão aos cinco outros sinais vitais que os médicos checam numa consulta.

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