Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Iniciativa nos EUA lança NFT para reerguer a Wall Street Negra que racismo destruiu

A Black Tech Street, instituição que levantará recursos para projetos de empreendedorismo da comunidade negra na cidade norte-americana de Tulsa, vai lançar neste sábado (19), na plataforma OpenSea, um token não-fungível (NFT) dos 100 anos do Massacre de Greenwood, a “Wall Street Negra”.

Em 31 de maio e 1 de junho de 1921, brancos covardemente atacaram por terra e ar o distrito conhecido na época como “Wall Street Negra” por seu sucesso econômico. Ninguém foi preso pelos ataques e pelas mortes dos negros. A comunidade nunca mais se reergueu, porque nem as autoridades ajudaram nisso. Vem daí a iniciativa da Black Street.

“Vamos levantar fundos para assegurar que os próximos 100 anos serão de inovação e sucesso dos empreendedores negros”, disse Tyrance Billingsley II, fundador da Black Tech Street.

A instituição vai ganhar com a Centennial Coin (Moeda Centenária) em diversos momentos. No lançamento, todos os recursos vão para a Black Tech Street.

Depois disso, sempre que houver uma venda no mercado secundário, a instituição receberá um royalty de 50% do valor e o comprador terá uma vantagem tributária proporcional.

A Centennial Coin, que vai gerar recursos no leilão e no mercado secundário. Imagem: Black Tech Street.

A Centennial Coin vai homenagear um dos fundadores da Black Wall Street, O.W. Gurley. O lançamento da Black Street Tech foi em 31 de maio, mesmo dia do início dos ataques a Greenwood há 100 anos.

E emissão do NFT é da Blockchange, uma plataforma recém-lançada que foca em levantar recursos para projeto sociais de inovação. Para isso, usa criptomoedas, NFTs e gamificação. A empresa também cuida de questões fiscais para criação de um ecossistema auto-sustentável de doações.

“Chamamos isso de levantamento de fundos regenerativo para causas que mudam o mundo”, diz Ron Guirguis, que co-fundou a Blockchange com outros profissionais do setor de comunicação corporativa.

O leilão será amanhã porque é o chamado Juneteenth, dia em que se comemora o fim da escravidão no país. Só nesta última quinta-feira (17) a data se tornou feriado nacional nos EUA, por iniciativa do presidente do país, Jon Biden.

AmazonasCoin vai lançar token lastreado em carbono na Stonoex

O Grupo AmazonasCoin e a Stonoex, corretora de ativos tokenizdos, fecharam uma parceria para lançarem o ZCO2. Cada token lastreado em carbono representa 1 tonelada do gás.

O ZCO2 é lastreado em projetos na Amazônia. No início, haverá uma oferta de 480 mil créditos de carbono. O preço do ZCO2 será de R$ 57. O lançamento da plataforma será em 90 dias.

De acordo com Bruno Souza, CEO da AmazonasCoin, a empresa trabalha com uma expectativa de forte crescimento desse tipo de ativo. “Há uma demanda crescente, principalmente fora do Brasil”. A Stonoex é uma corretora que pode atuar também no exterior.

Segundo Ricardo Azevedo, CEO da Stonoex, além do ZCO2, haverá a integração da criptomoeda AMZ (AmazonasCoin). A ideia da moeda é ser um ecossistema digital de sustentabilidade.

A AmazonasCoin completa um ano de lançamento e de mercado na próxima segunda-feira (19), disse ao Blocknews o co-fundador e superintendente do Instituto Nacional de Excelência em Políticas Públicas (INEPP), Clynson Oliveira.

As AMZ atuais estão colateralizadas em 20 mil hectares de floresta conservada em Barcelos, na Amazônia. O inventário da Gleba Santana registra mais de 3 milhões de tCO2 em estoque. Portanto, isso pode ser vendido por meio da moeda, segundo a AmazonasCoin.

Token lastreado em carbono e na Amazônia

A moeda funciona por meio de um crowdfunding em que 20% da mineração vai para projetos ambientais em Barcelos. Na pré-venda, o preço da moeda era de US$ 0,02. No lançamento, foi liquidada a US$ 0,23. No entanto, àss 11h30 desta segunda-feira (12), está cotada a US$ 0,00466 na Coinmarketcap e a US$ 0,00047 na Coingecko.

Segundo Oliveira, a empresa prepara iniciativas para dar mais utilidade à moeda. Uma das iniciativas, por exemplo, é ativar um programa de cash back e outra é a de troca pelo ZCO2. Com isso, a empresa vai tentar puxar o preço para cima. Além disso, conversa com outras exchanges para listagem da moeda.

O crescimento das políticas ESG (Ambiente, Social e Governança) nas empresas e no mercado financeiro estão impulsionando o interesse de investidores em ativos verdes. Token lastreado em carbono pode entrar nisso e há diversas iniciativas focadas nisso.

Além disso, como blockchain assegura a rastreabilidade e transparência das operações, pode dar maior segurança às operações que envolvem investimentos em áreas em que raramente o investidor vai olhar de perto do que se trata. Além de longe, são operações que podem envolver diversas etapas e participantes, ou seja, pode haver erros e fraudes.

O Inepp participou da construção do projeto de criação da AmazonasCoin e do ZO2. A moeda está na sua plataforma blockchain. Segundo a empresa, números do ministério do Meio Ambiente indicam que a floresta amazônica representa 55% dos estoques de carbono do planeta.

Reportagem atualizada às 11h30 com mais informações sobre a AmazonasCoin e o ZCO2.

Startup britânica leiloa NFTs para levantar recursos que irão para profissionais de teatro

Para ajudar um dos setores mais combalidos pela pandemia do coronavírus, a startup britânica Curve vai vender cinco peças de arte digital criptografadas, ou NFTs, para ajudar o Theatre Support Fund+. O leilão vai de hoje a 9 de abril na plataforma Rarible.com/curveos.

As artes são imagens animadas dos bonecos que aparecem no aplicativo da Curve. E início do leilão começa um dia antes do Dia Mundial do Teatro, que é amanhã (27) e que foi criado para ressaltar a importância dessa arte.

A Curve é uma startup que criou um cartão e um aplicativo que armazenam outros cartões. Já o Theatre Support Fund+ é uma iniciativa de dois profissionais do teatro para levantar recursos para trabalhadores do setor que perderam toda ou praticamente toda sua renda.

Para isso, os criadores do fundo, Chris Marcus e Damien Stanton, elaboraram diversos produtos relacionados a espetáculos no West End de Londres, a área teatral da cidade. Dentre esses produtos há, por exemplo, camisetas, bolsas e capas de celulares.

O fundo já arrecadou mais de 600 mil libras esterlinas (cerca de R$ 560 mil). Há 270 mil profissionais do teatro britânico. Porém, cerca de 40% dos profissionais no setor de arte do país perderam o emprego desde o início da pandemia.

Estão crescendo as iniciativas com NFTs que focam em ações que ajudam uma causa. Nesta semana, um leilão de obras de artistas digitais, incluindo Beeple, levantou recursos para um projeto ambiental. Todo o dinheiro vai para a preservação de floresta no projeto Madre de Dios no Peru.

Procura por curso sobre blockchain do Senai-SP saltou 46% em 2020

A procura pelo curso online do SENAI-SP sobre aumentou 46% entre 2019 e 2020, para 37,2 mil inscritos. Segundo a instituição, o crescimento está em linha com o crescimento da procura por outros cursos ligados à indústria 4.0 e de profissionais que querem se reposicionar no mercado.

Parte do crescimento se deve ao fato de as pessoas se voltarem a cursos online durante a pandemia. O número de matriculados no total dos cursos, mais que dobrou, de cerca de 391 mil em 2019 para 825 mil em 2020.

Para o curso Curso “Desvendando a Indústria 4.0”, a expansão foi de 49% e para o de lógica de Lógica de Programação, de 38%.

De acordo com o Senai, um dos destaques no ano passado foi o curso Economia Circular. Os matriculados subiram de 1,2 mil para 62 mil no ano passado. Esse é um tema que ganha cada vez mais destaque no mundo, junto com o conceito de ESG (Meio–ambiente, social e governança).

Outro destaque foi o curso “Desvendando o BIM (Building Information Modeling)”. Em 2019, apenas 400 pessoas se matricularam. Em 2020, 22 mil estudaram as aplicações na construção civil.

Blockchain e botão de pânico para mulheres avisarem que agressor está por perto

A GoLedger fez um exercício de uma rede blockchain para evitar ataques a mulheres. A rede compartilha dados das vítimas e dos agressores com, por exemplo, órgãos de segurança e ONGs de proteção às mulheres.

Apesar de o sistema compartilhar dados, respeita-se a privacidade de cada mulher. A solução inclui um botão de pânico. Dessa forma, a vítima aciona o botão se o agressor estiver perto da vítima. Assim, avisa os serviços de defesa sobre o risco que estão correndo naquele momento.

Marcos Sarres, diretor-executivo da GoLedger, empresa de soluções em blockchain, demonstra a solução no vídeo abaixo.

Nesta segunda-feira (8), a BidWeb Security IT e a OriginalMy também lançam o site Posso Provar. Assim, mulheres poderão registrar provas digitais de violência. A Justiça já aceitou esse tipo de prova em processos.

Além disso, o Blocknews inicia a publicação da Corrente de Mulheres. Será uma série de entrevistas com mulheres do ecossistema blockchain.

Cada entrevistada escolherá e entrevistará a próxima a participar da série. A primeira é Liliane Tie, líder do Women in Blockchain (WiB) no Brasil.