Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

PwC lidera projeto em blockchain na Espanha para concessão de benefício social

A Fundação PwC liderou um projeto com blockchain na Espanha para facilitar a identificação e cadastro de famílias com dificuldades econômicos no Bônus Social Elétrico. Esse bônus é um desconto na conta de energia. Com isso, espera aumentar as famílias no programa e evitar fraudes no processo. O resultado do projeto piloto, segundo a fundação, foi positivo.

Além da PwC, participaram a comercializadora de energia elétrica Iberdrola, a Cruz Vermelha e a Fábrica Nacional de Moeda y Timbre – Real Casa de la Moneda (FNMT-RCM), aquela da série A Casa de Papel. Além disso, estão no grupo o governo de Bilbao e o Serviço Basco de Empregos (Lanbide).

O desafio que a Espanha enfrenta é que o governo estimou em 1 milhão o número de lares com direito ao bônus. O beneficio existe desde 2009, quando a crise financeira global atingiu o país em cheio. Com a pandemia, a situação de diversas famílias piorou. O desconto na conta de energia chega a 40%.

Porém, parte dos lares vulneráveis está fora do benefício porque desconhecem o processo ou tem dificuldade de segui-lo. Nesse último caso, o motivo é que o processo inclui a apresentação de diversos documentos que vem de diferentes origens.

PwC diz com blockchain se automatizou de geração de dados

Assim, à Cruz Vermelha coube identificar e fazer a ponte com as famílias vulneráveis. A Iberdrola gera processos de pedidos do bônus, já que o desconto vem na sua fatura. A Casa da Moeda, referência em identidade e certificados digitais, fez a habilitação técnica devido à sua infraestrutura. Além de fazer a conexão com a administração pública.

Houve, ainda, a participação de cinco famílias voluntárias e tanto Bilbao, quanto o serviço basco, habilitaram o acesso a dados de cidadãos. Como o teste foi com dados reais, houve participação de uma equipe legal.

Fundación PwC
Participantes do projeto liderado pela PwC. Foto: PwC.

Com blockchain, “se criou uma arquitetura simples para a interconexão dos participantes do processo. Houve a automatização das verificações de documentos e registro de informações sobre as ações de cada usuário. Isso com comprovações e notificações”, disse a Fundação PwC.

Blockchain evita redundância de envio de documentos

De acordo com a PwC, a coleta e registro de documentos das famílias ocorrerem sem problemas, assim como a verificação se eram vulneráveis. “A solução também permitiu a geração automatizada do arquivo XML. As comercializadoras poderiam usar isso diretamente para solicitação do bônus, ou seja, com uma plataforma de integração de informações”.

Dessa forma, o projeto pode evitar a compilação redundante de documentos quando já estão nas empresas. A Casa da Moeda tem papel fundamental ao simplificar o papel das comercializadoras, porque recebem um aviso de verificação de identidade de um consumidor vulnerável e qual desconto aplicar.

Com o papel da Cruz Vermelha de representação, isso realmente eleva o potencial de mais famílias receberem o bônus, diz a PwC. No entanto, nesse papel seria possível incluir outras organizações não governamentais ou mesmo a organismos de ações sociais de governos. Isso caso o projeto entre em implantação. Dar o desconto de forma automática pode ser também uma outra melhoria da plataforma num próximo estágio, diz a Fundação.

Sistema Natus lança token para manter reservas ambientais privadas

Um novo token ligado a conservação do meio ambiente começou a ser negociado pelo Sistema Natus de Criptoativos Ambientais. A iniciativa é de proprietários de reservas ambientais privadas (PPAs), empreendedores e ambientalistas de diversos países, incluindo o Brasil. No ar desde o dia 18 de agosto, o sistema vende o Natus Unit (NTU) de cinco PPAs que se certificaram para o projeto.

Cada token Natus representa a preservação de 1 m2 de área conservada e dos benefícios ambientais que gera. Isso inclui água, biodiversidade e estoque de carbono. No total, as cinco áreas têm 9.179.500 m2. O valor de cada token é de US$ 1 (cerca de R$ 5,50). Hoje, 50% da vegetação nativa do Brasil ainda conservada está em propriedades privadas. Por isso, o grupo resolveu apostar em tokens para PPAs.

Em junho deste ano, entrou em vigor a lei 14.119/2021, que institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA). Uma de suas diretrizes é a pagar por serviços de preservação ambiental. Dessa forma, evita-se desmatamentos e usos comerciais inaquedados. Mas, não é um sistema com registro de dados em blockchain e é público.

Sistema cria token Natus para cada área que entra no sistema

Um dos co-fundadores do sistema é Laercio Machado, presidente da Reserva da Biosfera do Pantanal e coordenador, no Brasil, da Rede de Reservas da Biosfera da UNESCO. Além disso, também tem uma PPA. Outro co-fundador e que também tem uma PPA no projeto é Flávio Ojidos, advogado especialista em direito ambiental. (proprietário de PPA).

Também são co-fundadores Ranulfo Paiva Sobrinho e Karla Córdoba-Brenes, especialistas em blockchain e criação de criptoativos com foco ambiental e social. Esses co-fundadores também participam da Cambiatus, plataforma open source para comunidades que queiram criar seus tokens.

Para entrar no projeto, o proprietário de uma PPA pode pedir cadastro no sistema, que vai avaliar os benefícios ambientais da área. Uma vez que há comprovação de que há conservação e geração de benefícios na PPA, acontece a emissão de NTUs equivalentes à propriedade.

Das cinco PPAs que estão hoje no projeto, duas ficam no interior de São Paulo, no bioma da Mata Atlântica e uma em Florianópolis, também Bioma da Mata Atlântica. Há ainda uma no Mato Grosso do Sul, no Bioma do Pantanal, e uma em Manaus, no Bioma da Amazônia.

O projeto se assemelha a outros como o da Moss e da AmazonasCoin. Assim, busca quem quer comprar para ajudar o meio ambiente ou quem investe em causas ambientais.

Donos de tokens podem ver detalhes dos benefícios ambientais de PPAs

No site do Sistema Natus é possível ver detalhes ambientais dessas propriedades, assim como quais os benefícios ambientais que geram. Inclui inclui, por exemplo, a coleção da qual a PPA faz parte, lista de seus benefícios ambientais, nome, localização e bioma.

O comprador também recebe link para acessar o inventário ambiental e imagens de satélite. Cada coleção entra no mercado no dia do Meio Ambiente, 5 de junho. A atua é a Arara Azul.

Assim, parte dos lucros com a venda de NTUs vai para as PPAs, para que continuem a conservação das áreas. O projeto prevê também um bônus para quem conseguir investidores no projeto. O percentual varia de 1% a 30% sobre o número de NTUs que o indicado adquire.

Um próximo passo será enviar artes digitais no formato de tokens não-fungíveis (NFTs) para quem comprou o Natus. São desenho de artistas ligados à preservação ambiental. E para 2023 está previsto o lançamento da moeda Natuscoin, que irá para quem comprar NTUs.

Agritech lançará Cultecoin, que foca em renda para agricultura familiar

Se você consome feijão, mandioca, abacaxi e leite, as chances são bem grandes de que boa parte da sua alimentação venha de pequenos produtores. A agricultura familiar responde por 77% dos 5 milhões de estabelecimentos agrícolas do país, mas recebe apenas 14% do financiamento disponível para setor. E é aí que entra a Cultecoin, um utility token que vai entrar no mercado no próximo dia 13 de setembro.

A primeira leva é de 21 milhões de tokens, 10% do total, a US$ 0,05 cada. O objetivo é o uso do token no ecossistema que a Culte está criando desde 2019. E esse tem foco nos agricultores familiares e que dentre outras coisas busca excluir intermediários.

Os serviços hoje incluem conta digital, emissão de boleto, pagamento em cartão de crédito por link e marketplace para os produtores. Há também empréstimos, mas a ideia é a Cultecoin substituir isso pelo sistema barter, a troca de produtos entre agricultores e fornecedores de insumos muito usada na agricultura. Assim, o token deve girar em torno do marketplace.

“Não querem cobrar juros como hoje. Queremos entregar semente, adubo e máquinas, por exemplo, e receber do agricultor a produção, que colocaremos no marketplace”, disse Claudio Rugeri, CEO e co-fundador da Culte. O motivo é porque a Cultecoin quer ter impacto social.

Cultecoin vai girar em torno do marketplace da agricultura familiar

Fora as trocas e compras, a Cultecoin também vai servir para pagamentos de taxas das contas digitais, por exemplo, e qualquer produto e serviço do ecossistema. A ideia é trabalhar direto com os agricultores, formando algo parecido com uma cooperativa. Outros projetos similares atuam com mais foco em cooperativas.

De acordo com Claudio, com o valor dos tokens, a Culte vai comprar suprimentos para um grupo de agricultores. Portanto espera conseguir preços melhores e em troca disso vai receber suas produções. E então, essas a Culte venderá no marketplace. Nessa plataforma, os agricultores também podem vender diretamente seus produtos e comprar o que precisarem. Quem usar a Cultecoin terá benefícios como preços mais baixos.

A startup participou com esse projeto no Lift-Lab, o laboratório de inovação da Fenasbac, a federação dos funcionários do Banco Central (BC) e que tem apoio do banco. Hoje, está também no hub de inovação do Banco do Nordeste e no Garoa Habitat, hub de inovação que foca em agricultura e tem parceiros como a Embrapa.

Claudio e Bianca Rugeri, fundadores da Culte, disseram ao Blocknews que depois da primeira fase, em que serão lançarão 21 milhões de tokens a US$ 0,05, 70% entrarão em etapas mensais no mercado nos próximos 50 meses. E os 20% restantes (42 milhões) ficarão no smart contract para negociação em bolsa, o que está previsto para 2022. Assim, o valor total dos tokens hoje é de US$ 10,5 milhões.

Plano é também rastrear produtos e usar identificação em blockchain

Além dos agricultores e de outros que usam o marketplace, os tokens podem interessar a investidores em criptomoedas que focam em projetos de impacto social. Além de investidores que usam esses tokens como reserva de valor. E ainda podem atrair quem quiser abrir conta na Culte.

Mas já está nos planos buscar fazer também o rastreamento das produções e identificação dos agricultores. “Muitos agricultores não têm documentação, CPF e endereço. Uma das formas de se trabalhar com isso é usar blockchain. Nossa ideia é integrar a plataforma com a de uma startup que já faça isso. Isso tem bastante na África”.

Com o rastreamento, fica mais possível colocar em marcha o plano da Culte de ser internacional. “E fazer isso via Cultecoin. Na Europa, é muito usado o QR Code e a rastreabilidade de alimentos. Nosso objetivo é levar essas informações e dar voz ao agricultor. Temos o MVP (produto mínimo viável) pronto”, afirma Bianca. O plano é ter avançado nisso até junho de 2022.

O Censo Agrícola de 2017 diz que a agricultura familiar emprega 10,1 milhões de pessoas no Brasil, o que é 70% do total que trabalha no campo. Além da falta de documentos, boa parte delas não tem conta em banco e acesso a empréstimo, então, nem pensar. Por isso, Claudio e Bianca acreditam no potencial de crescimento. “O valor bruto da produção agrícola é de cerca de R$ 800 bilhões ao ano. Se alcançarmos 1% desse mercado, são R$ 8 bilhões. Esperamos atingir isso em 5 anos”, disse o CEO.

Cultecoin nasceu de experiência com fazenda de arroz no Maranhão

O desenvolvimento da criptomoeda foi na BEP-20, token padrão da rede Binance Smart Chain. Não se usou o token Ethereum pelo preço das taxas na rede. Mas, a BEP-20 é compatível com o token ERC-20. Uma equipe interna desenvolveu o token e a GoBlockchain também dá suporte à startup. Por enquanto, o casal diz que não tem sócios.

A ideia da moeda surgiu da vivência de Claudio e Bianca ao comprar uma fazenda no Maranhão há 21 anos, onde plantam arroz irrigado. O CEO da Cultecoin é gaúcho, formado em administração hospitalar e foi a trabalho para o Maranhão, onde conheceu Bianca.

Na região da fazenda viram que os agricultores vizinhos não tinham recursos para investir, muitos não tinham CPF, não havia agências bancárias, mas burocracia tinha de sobra. Por isso, se juntaram a alguns amigos e deram financiamentos que mesmo pequenos, mudaram a realidade das famílias. Isso durou cerca de cinco anos.

O tempo passou e há cerca de 4 anos, depois de viagens pela Europa, onde a agricultura familiar tem recursos, e o aparecimento das criptmoedas, viram a oportunidade de conectarem pequenos produtores e financiamentos por meio de blockchain.

Mulheres não ficam inadimplentes

Com suporte do advogado Bruno Balduccini, do Pinheiro Neto Advogados, apresentaram o projeto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Assim, se asseguraram de que o token é reconhecido como utility e não criptomoeda, portanto, sem necessidade de regulação da autarquia.

Atualmente, o principal serviço da Culte é o de empréstimos de R$ 1 mil a R$ 20 mil. Rugeri envia os recursos para o Fidúcia e depois, como correspondente bancária, repassa os valores aos agricultores. A Culte já emprestou cerca de R$ 15 milhões para mais de 2 mil agricultores a juros de 2% a 6% ao mês.

“Desses, 30% são mulheres, que nunca ficam inadimplentes”, afirma Bianca, a CMO do negócio. Porém, os outros podem até atrasar, mas pagam, porque são preocupados em ficar com a conta em dia, completou. A base da startup é no Maranhão, mas opera em 20 estados, com concentração no nordeste. Tudo é feito de forma online, o que facilita as negociações.

Liqi e Gaia se unem para criar tokens de impacto social e ambiental

A Liqi, plataforma de tokenização de ativos, e o Grupo Gaia, que atua no mercado financeiro, fecharam um acordo para tokenização de ativos de impacto positivo na sociedade e no meio-ambiente. Os investimentos poderão ser tokens que representam títulos privados e regulados pelo Banco Central (BC) ou em títulos regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O Gaia é uma empresa do chamado sistema B, que propõe aliar propósito e lucro, com impacto positivo nos stakeholders e no entorno dos negócios, de funcionários ao meio-ambiente. A empresa afirma que já realizou R$ 20 bilhões de operações em 12 anos. Sua especialidade é securitização, ou seja, transformar dívidas em títulos que serão repassados a outros credores. Essas operações incluem, por exemplo, reforma de casas populares, geração de energia limpa e crédito para pequenos produtores rurais.

Os tokens feitos com a Liqi vão, portanto, ajudar a colocar em pé projetos que vão democratizar acesso a produtos e serviços, disse João Pacífico, CEO do Grupo Gaia. Além disso, devem dar retorno financeiro para quem investir no projeto, completou. O impacto, segundo ele, é um diferencial desses investimentos.

“Muitas operações (financeiras) estão restritas a fundos, family offices, usando outras tecnologias, então não são democratizadas. E aí entra blockchain e a tokenização para criar tokens lastreados nessas oportunidades de investimentos. E são operações bem estruturadas. No final do dia se olha risco, retorno e impacto. Risco e retorno já estamos acostumados a olhar. Agora incluem o impacto”, disse Daniel Coquieri, CEO e fundador da Liqi.

De acordo com Coquieri, foi a Gaia que procurou a Liqi para a criação de tokens. “Muitos dos produtos financeiros são elitistas, são para quem tem mais de R$ 10 milhões investidos. Com o token é possível democratizar isso. No token, é possível fazer operações de qualquer tamanho, para qualquer tamanho de investidor e com as mesmas condições para todos”, explicou Pacífico sobre o interesse nos tokens. “Além disso, os tokens trazem os contratos inteligentes, transparência, segurança e automatização, que não são assim nos outros produtos”.

As empresas criaram a página no site da Liqi, a tokensdeimpacto.com.br sobre os produtos.

A Liqi começou a operar neste ano e tokenizou os direitos do Cruzeiro sobre o mecanismo de solidariedade da Fifa. Coquieri foi o fundador da BitcoinTrade, vendida para a argentina Ripio em janeiro deste ano. No começo de julho, a empresa fez parceria com a blockchain Hathor.  

Iniciativa nos EUA lança NFT para reerguer a Wall Street Negra que racismo destruiu

A Black Tech Street, instituição que levantará recursos para projetos de empreendedorismo da comunidade negra na cidade norte-americana de Tulsa, vai lançar neste sábado (19), na plataforma OpenSea, um token não-fungível (NFT) dos 100 anos do Massacre de Greenwood, a “Wall Street Negra”.

Em 31 de maio e 1 de junho de 1921, brancos covardemente atacaram por terra e ar o distrito conhecido na época como “Wall Street Negra” por seu sucesso econômico. Ninguém foi preso pelos ataques e pelas mortes dos negros. A comunidade nunca mais se reergueu, porque nem as autoridades ajudaram nisso. Vem daí a iniciativa da Black Street.

“Vamos levantar fundos para assegurar que os próximos 100 anos serão de inovação e sucesso dos empreendedores negros”, disse Tyrance Billingsley II, fundador da Black Tech Street.

A instituição vai ganhar com a Centennial Coin (Moeda Centenária) em diversos momentos. No lançamento, todos os recursos vão para a Black Tech Street.

Depois disso, sempre que houver uma venda no mercado secundário, a instituição receberá um royalty de 50% do valor e o comprador terá uma vantagem tributária proporcional.

A Centennial Coin, que vai gerar recursos no leilão e no mercado secundário. Imagem: Black Tech Street.

A Centennial Coin vai homenagear um dos fundadores da Black Wall Street, O.W. Gurley. O lançamento da Black Street Tech foi em 31 de maio, mesmo dia do início dos ataques a Greenwood há 100 anos.

E emissão do NFT é da Blockchange, uma plataforma recém-lançada que foca em levantar recursos para projeto sociais de inovação. Para isso, usa criptomoedas, NFTs e gamificação. A empresa também cuida de questões fiscais para criação de um ecossistema auto-sustentável de doações.

“Chamamos isso de levantamento de fundos regenerativo para causas que mudam o mundo”, diz Ron Guirguis, que co-fundou a Blockchange com outros profissionais do setor de comunicação corporativa.

O leilão será amanhã porque é o chamado Juneteenth, dia em que se comemora o fim da escravidão no país. Só nesta última quinta-feira (17) a data se tornou feriado nacional nos EUA, por iniciativa do presidente do país, Jon Biden.

AmazonasCoin vai lançar token lastreado em carbono na Stonoex

O Grupo AmazonasCoin e a Stonoex, corretora de ativos tokenizdos, fecharam uma parceria para lançarem o ZCO2. Cada token lastreado em carbono representa 1 tonelada do gás.

O ZCO2 é lastreado em projetos na Amazônia. No início, haverá uma oferta de 480 mil créditos de carbono. O preço do ZCO2 será de R$ 57. O lançamento da plataforma será em 90 dias.

De acordo com Bruno Souza, CEO da AmazonasCoin, a empresa trabalha com uma expectativa de forte crescimento desse tipo de ativo. “Há uma demanda crescente, principalmente fora do Brasil”. A Stonoex é uma corretora que pode atuar também no exterior.

Segundo Ricardo Azevedo, CEO da Stonoex, além do ZCO2, haverá a integração da criptomoeda AMZ (AmazonasCoin). A ideia da moeda é ser um ecossistema digital de sustentabilidade.

A AmazonasCoin completa um ano de lançamento e de mercado na próxima segunda-feira (19), disse ao Blocknews o co-fundador e superintendente do Instituto Nacional de Excelência em Políticas Públicas (INEPP), Clynson Oliveira.

As AMZ atuais estão colateralizadas em 20 mil hectares de floresta conservada em Barcelos, na Amazônia. O inventário da Gleba Santana registra mais de 3 milhões de tCO2 em estoque. Portanto, isso pode ser vendido por meio da moeda, segundo a AmazonasCoin.

Token lastreado em carbono e na Amazônia

A moeda funciona por meio de um crowdfunding em que 20% da mineração vai para projetos ambientais em Barcelos. Na pré-venda, o preço da moeda era de US$ 0,02. No lançamento, foi liquidada a US$ 0,23. No entanto, àss 11h30 desta segunda-feira (12), está cotada a US$ 0,00466 na Coinmarketcap e a US$ 0,00047 na Coingecko.

Segundo Oliveira, a empresa prepara iniciativas para dar mais utilidade à moeda. Uma das iniciativas, por exemplo, é ativar um programa de cash back e outra é a de troca pelo ZCO2. Com isso, a empresa vai tentar puxar o preço para cima. Além disso, conversa com outras exchanges para listagem da moeda.

O crescimento das políticas ESG (Ambiente, Social e Governança) nas empresas e no mercado financeiro estão impulsionando o interesse de investidores em ativos verdes. Token lastreado em carbono pode entrar nisso e há diversas iniciativas focadas nisso.

Além disso, como blockchain assegura a rastreabilidade e transparência das operações, pode dar maior segurança às operações que envolvem investimentos em áreas em que raramente o investidor vai olhar de perto do que se trata. Além de longe, são operações que podem envolver diversas etapas e participantes, ou seja, pode haver erros e fraudes.

O Inepp participou da construção do projeto de criação da AmazonasCoin e do ZO2. A moeda está na sua plataforma blockchain. Segundo a empresa, números do ministério do Meio Ambiente indicam que a floresta amazônica representa 55% dos estoques de carbono do planeta.

Reportagem atualizada às 11h30 com mais informações sobre a AmazonasCoin e o ZCO2.