Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bancos dos EUA podem usar stablecoins e serem nós em redes blockchain, diz regulador

Stablecoins são equivalentes a outros ativos para pagamentos, diz OCC. Foto: Pixabay

O regulador bancário dos Estados Unidos (EUA) chancelou, nesta segunda-feira (4), o uso de stablecoins pelas instituições financeiras do país. O Office of the Comptroller of the Currency (OCC) divulgou que os bancos podem usar as criptomoedas estáveis e serem nós em redes blockchain, realizando atividades como armazenar e validar pagamentos. Num pronunciamento histórico, o regulador reconheceu as stablecoins como uma forma de pagamento equivalente a outras existentes no mercado.

As stablecoins são lastradas em outras moedas fiduciárias, como o dólar, em outras criptomoedas, como bitcoin, ou em mercadorias. Por isso, são menos voláteis do que as criptomoedas que não têm lastro. O OCC confirmou a possibilidade de se usar esses ativos numa “carta interpretativa” e disse também que está atendendo a uma demanda crescente dos bancos.

Essa é mais uma das autorizações do OCC que ajudam a promover o uso de criptomoedas no sistema financeiro do país. Agora, o regulador de um dos principais mercados financeiros do mundo pode influenciar decisões semelhantes em outros países.

A interpretação pode gerar ao menos mais dois efeitos. Um deles é animar instituições financeiras dos EUA e de outras economias a entraram no mundo das criptomoedas. Uma outra é dar maior segurança a investidores interessados nesses ativos, em especial os institucionais. Nas últimas semanas, investidores institucionais declararam que investiram nas moedas criptografadas.

Stablecoins ajudam no comércio

O motivo para essa interpretação do OCC é a mesma de todos os tempos: “o objetivo dos bancos é ajudar na operação das leis do comércio, sendo um canal de transferência de dinheiro de um lugar para outro, conforme a alta e a baixa de oferta e demanda, e isso pode ser feito por meio de redesconto de papéis do banco ou de outras formas de empréstimos”.

Portanto, o regulador demonstrou que reconhece as mudanças no mercado. De acordo com ele, os bancos estão usando novas tecnologias e as instituições financeiras demandam o uso de redes blockchain. O mercado, completou, quer formas mais rápidas e eficientes de pagamentos. E isso inclui o uso de tecnologias descentralizadas.

“Participantes do setor reconhecem que o uso de stablecoins facilita os pagamentos e pode combinar eficiente velocidade das moedas digitais com a estabilidade dos moedas existentes. “Há bilhões de dólares em stablecoins em negociação globalmente e a demanda por elas continua a crescer”, diz o documento.

Atenção aos riscos

O OCC alerta para riscos de se usar stablecoins e redes blockchain. Por isso, diz que os bancos devem usar a nova tecnologia de acordo com as regras do setor bancário para dirimir potenciais riscos. Um deles é ter reservas, completa o OCC. “Um forte gerenciamento de reservas inclui uma proporção de 1:1 e recursos financeiros adequados para absorver perdas e atender a necessidades de liquidez”.

O regulador diz ainda que aos bancos devem estudar a legislação, ter expertise tecnológica para lidar com esse segmento e ficarem atentos aos compliance. Precisam, assim, estar de olho em potenciais fraudes, completa o OCC. Isso inclui, por exemplo, lavagem de dinheiro.

A declaração teve um efeito imediato no preço do bitcoin. Apesar de não ser uma stablecoin, o bitcoin é um tipo de lastro. Depois de bater novo recorde de preço em dólar no final de semana passado, o valor do bitcoin caia ontem (4), mas se recuperou em seguida. Às 9h28 de hoje (5) estava em US$ 31.785, alta de 4,79% nas últimas 24 horas.

    

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