Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Governo vai propor lei para rastrear fornecedor de gado para frigorífico

Ministra da Pecuária diz que rastrear gado tem falhas. Foto: Eszter Miller, Pixabay.

O governo brasileiro vai propor uma lei para rastrear os fornecedores indiretos de gado para processadores como Marfrig e JBS. Isso porque alguns criadores estão contribuindo para desmatamentos ilegais.

Dessa forma, o governo vai ao encontro da demanda de consumidores de mercados como o europeu. Além de buscar reduzir a pressão de ambientalistas, assim como de governos internacionais.

De acordo com a ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina, o rastreamento atual é ineficiente para monitorar 5 milhões de propriedade rurais. A ministra deu a informação sobre a lei nesta segunda-feira (21) numa coletiva para correspondentes estrangeiros.

Para rastrear gado e evitar a redução ou fechamento de mercados internacionais, empresas como JBS e Marfrig passaram a usar rastrear gado. E adotaram tecnologias como blockchain. Mas, rastrear fornecedores indiretos de gado e commodities agrícolas é muito difícil.

Isso porque esses têm de concordar em inserir os dados na rede. Porém, nem sempre esses fornecedores querem dar maior transparência a seus dados por diferentes motivos, do tributário ao concorrencial.

No caso do gado, os indiretos vendem às indústrias bezerros e boi magro para engorda e depois, abate. Nesses fornecedores falta fiscalização e há estudos, por exemplo o da revista Science, indicando que aí há desmatamento.

A Science estudou Pará e Mato Grosso e concluiu que cerca de 60% do que é abatido passa por áreas de potencial desmatamento ilegal. Isso acontece em alguma parte da cadeia de suprimentos dos frigoríficos.

Além disso, ao menos 17% da carne bovina da Amazônia e Cerrado vendida à União Europeia pode ter passado por área de desmatamento ilegal.

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