CVM multa em RS$ 102 milhões o “Faraó dos Bitcoins”

Casal prometia investimentos em bitcoin.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o “Faraó dos Bitcoins”, sua esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, e a empresa de ambos G.A.S. Consultoria e Tecnologia, a uma multa de mais de R$ 102 milhões e impossibilidade de atuarem no mercado por alguns anos. A multa se deve à oferta pública de valores mobiliários sem registro e a operação fraudulenta, que envolve esquema de pirâmide.

De acordo com a CVM, a investigação conduzida pelos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) apontou que o esquema teria movimentado, de maneira ilícita, “entre 2015 e 2021, R$ 38,223 milhões por meio de operações realizadas com pelo menos 8976 pessoas, sendo 6249 pessoas físicas e 2727 pessoas jurídicas”.

Embora a CVM diga que não se sabe se os valores “se tratam, exatamente e em sua totalidade, do montante da oferta irregular de CICs e da operação fraudulenta”, também afirma que as provas indicam que “os valores envolvidos nos ilícitos administrativos sob julgamento são vultosos”.

A CVM multou G.A.S. em R 34 milhões e proibição de atuar no mercado, direta ou indiretamente por 102 meses. Glaidson, que era o principal responsável pela empresa, e sua esposa Mirelis, receberam cada um multa de R$ 34 milhões e proibição de atuar no mercado por 102 meses.

De acordo com o voto do presidente da CVM, João Paulo Nascimento, “apesar de reiteradas tentativas desta autarquia para a citação dos acusados, estes não apresentaram defesa”.

O processo afirma ainda que Glaidson e Mirelis eram os responsáveis por criar e coordenar “o esquema milionário de captação de recursos de terceiros e de oferecimento de contratos de investimento coletivo ao público em geral, sob o pretexto de terceirizarem serviços de investimento em criptoativos”.

Santos criou a empresa em 2015 e a partir de 2019 dividiu formalmente a sociedade com a esposa. Mas, a ele “cabia a atuação preponderante na parte comercial da empresa, especialmente na arregimentação de novos ‘investidores’ e na liderança dos demais integrantes que atuam na captação de recursos de terceiros’. Enquanto isso, a Mirelis focava no mercado de criptoativos, “seja para a realização de investimentos, seja para a ocultação dos valores em carteiras particulares do casal”.

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