Regulador da UE pede fim da mineração de bitcoin e prioridade à de outras redes

Mineração de bitcoin é muito poluente, diz regulador.

A União Europeia (UE) precisa banir a mineração de criptomoedas que consome muita energia por usar o método “prova de trabalho (proof of work, PoW), como a do bitcoin e ainda da ethereum. E passar para um modelo que usa menos energia, como o “prova de participação (proof of stake, PoS)”. Redes como cardano e solana usam esse tipo.

“Precisamos discutir uma mudança do setor para uma tecnologia mais eficiente”. E quem pediu a mudança foi o vice-presidente da Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e de Mercados (ESMA). Portanto, “a solução é banir a “prova de trabalho (proof of work)”, disse Erik Thedéen. Essas metodologias são as que as redes blockchain usam para validarem transações.

A questão, afirmou, é o risco que essa mineração coloca sobre o esforço para combater as mudanças climáticas. Thedéen defendeu o PoS numa entrevista ao jornal inglês Financial Times.

O país que mais faz mineração na UE é a Alemanha. Só que se a UE colocar em marcha esse pedido do regulador, isso significa que poderá haver uma troca de método e também uma migração para outros mercados. Como há indicação de que aconteceu depois que a China baniu a mineração.

A UE estabeleceu um plano para combater as mudanças climáticas que incluem cortar as emissões de gás de efeito estufa em pelo menos 55% até 2030. Essa é uma das fases do plano de ser carbono neutra até 2050. Para isso, uma das ações é, por exemplo, criar “empregos verdes”.

De acordo com Thedéen, que é sueco, em seu país há um aumento de mineração que usa energia renovável. Mesmo assim, as autoridades suecas pediram a paralisação de mineração de criptoativos intensivos em energia.

Mineração de bitcoin fez uso de energia explodir

O consumo de eletricidade explodiu durante a pandemia, segundo o índice da Universidade de Cambridge. Além disso, o consumo de bitcoin supera o de muitos países. o gráfico abaixo, do Cambridge bitcoin Electricity Consumption Index. mostra que de um grupo de 59 países, bitcoin estaria na 27ª posição entre os que mais consomem, se fosse um país.

Mineração de bitcoin faz moeda superar uso de eletricidade de alguns países. Gráfico: Universidade de Cambridge.

Assim, com 138,85TWh supera, por exemplo, Argentina, Venezuela e Emirados Árabes Unidos (EAU). Já o Brasil está em sexto lugar, com 540,997TWh. Cambridge chama a atenção para o fato de as comparações dão ideias limitadas sobre o uso de energia. Mas, de alguma forma, são um indicativo.

No ano passado, o país que liderava a mineração no mundo, a China, baniu a mineração. No entanto, uma das maiores preocupações do governo do país é com o uso de criptomoedas pela população, ao invés de usarem o iene. Tanto que o país é, no grupo de maiores economias do mundo, o que mais está à frente nos testes de uma moeda digital de banco central (CBDC).

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