Paris Blockchain Week: DeFi entra em novo ciclo, dizem executivos do mercado

Painel no segundo dia do Paris Blockchain Week.

As finanças descentralizadas (DeFi) estão entrando num novo ciclo. “Ao invés de termos ICOs (Ofertas Iniciais de Moedas), grande movimento visto em 2018 e 2019, ou DeFi e NFTs, em 2020 e 2021, como força motriz, a narrativa deste ciclo está mais focada em modularidade, interoperabilidade e escalabilidade, afirmou Victor Busson, CMO da Taurus, provedora de infraestrutura de ativos digitais.

Nesta quarta-feira (10), segundo dia da Paris Blockchain Week, as características do próximo ciclo de DeFi foi um dos temas de destaque. De acordo com Coty De Montverde, CTO Global de Blockchain do Santander, o último ciclo teve dois fundamentos principais em jogo. “O inverno das criptomoedas realmente limpou a casa” de golpes e projetos que não deveriam ser levados a sério. Além disso, “maior proteção regulatória, que leva a uma melhor proteção ao consumidor, gera mais confiança no setor”.

O último ciclo foi evidentemente o de endireitar o caminho para uma estrutura regulatória e de compliance para VASPs operarem, o que nos lembra casos como Binance, Coinbase e Kraken que operam nos EUA e estão enfrentando questões regulatórias. Há ainda a condenação de Sam Bankman-Fried, que define um exemplo de que crimes em criptoativos não ficarão impunes. A criação de uma equipe de compliance e regulatória é imprescindível para navegar em novos mercados.

Dominic Williams da DFINITY Foundation, contribuidora do projeto Internet Computer (IC), acrescentou que está esperançoso com este ciclo sendo impulsionado pela chamada “tecnologia blockchain de terceira geração”. Isso significa a blockchain fornecer centralização full stack por meio de contratos inteligentes, eliminando a necessidade de infraestrutura de nuvem centralizada como a AWS. Dessa forma, esses Dapps podem estar sob total propriedade de Organizações Descentralizadas Autônomas (DAOs).

Sobre regulação, os executivos de empresas cripto concordaram que a Regulação dos Mercados de Ativos Digitais (MiCA) da União Europeia (UE) é um momento transformador para o setor. Para Guido Buehler, consultor e proprietário da Giloca, empresa de investimentos, a MiCA proporcionará “fornece um terreno comum para uma estrutura de proteção ao consumidor. Força a transparência”.

No entanto, como bem conhecido pela indústria, DeFi e NFTs quase não estão incorporados a ela, pois o mercado se move muito mais rápido do que a regulação. Por isso, a MiCA tem uma previsão obrigando a Europa a elaborar uma pesquisa aprofundada sobre o assunto. 

Para Coty De Montverde a MiCA é de fato um momento histórico e a chance para uma grande jurisdição ser uma inspiração para outras. Além disso, poderia funcionar como um centro para atrair empresas de criptomoedas para dentro da União Europeia. Por último, Victor Busson mencionou que Suíça, Alemanha e Luxemburgo também já implementaram alguma forma de regulamentação nos últimos anos.

Guido Buehler destacou que há uma grande necessidade de proteção dos consumidores para integrar a próxima onda de usuários finais e, para eles, a regulamentação é necessária. Pagamentos transfronteiriços, por exemplo, podem desempenhar um papel de liderança, uma vez que as jurisdições estão enfrentando muitos problemas para entender como regular.

Mas, também as empresas privadas estão enfrentando problemas com a interoperabilidade de ferramentas de compliance, conforme destacado pela Força-Tarefa de Ação Financeira (FTAF). Aqui, algumas formas confiáveis de verificação de identidade digital seriam obrigatórias e, portanto, também a regulamentação. Se tudo isso for implementado corretamente, então “as criptomoedas se tornarão mainstream nos próximos cinco anos”, disse Buehler.

*Victor Cabral é graduado em Direito e mestrando em Direito Penal, Criminologia e Ciências Sociais pela Universidade de Nantes. Além de podcaster do Banco Aberto, é também especialista em compliance e pesquisa jurídica na Dyskant Advogados.

**Bram Willems é mestre em Engenharia Eletromecânica pela Universidade de Antuérpia. Depois disso, mudou seu interesse para Desenvolvimento Blockchain e Inteligência Artificial (AI) pela Howest University of Applied Sciences, da Bélgica. Atualmente trabalha como integrador SAP .

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