Pagamentos com criptomoedas disparam na América Latina

As criptomoedas, principalmente as stablecoins, têm chamado a atenção não apenas na área da especulação, mas da utilização no dia a dia. Para exemplificar, a empresa de processamento de pagamentos BitPay relatou 332 mil transações realizadas com criptos nos últimos seis meses. Além disso, o valor total movimentado por ativos estáveis em pagamentos chegou perto de US$53 bilhões em 2023.
“As soluções de pagamento com cripto mudaram ao longo do tempo, e hoje as stablecoins estão na liderança”, afirma Ernesto Contreras, fundador e diretor de desenvolvimento de negócios no setor de criptomoedas.
Contreras explica que a adoção de ativos estáveis como forma de pagamento tem a ver com a estabilidade de seu valor. Ao contrário do Bitcoin e demais criptomoedas conhecidas pela flutuação de preço, as stablecoins são lastreadas em ativos como o dólar americano, garantindo previsibilidade nas transações.
Segundo o empresário, embora os ativos estáveis representem menos de 10% do valor total do mercado cripto, dados mostram que eles estão presentes em mais de 70% do volume de transações na rede blockchain. Sem dúvida, isso reforça a ideia de que as stablecoins são a opção preferida para o envio de remessas internacionais.

América Latina no centro dos pagamentos cripto

A região da América Latina é vista por Contreras como líder global no uso de stablecoins e criptomoedas em geral. Afinal, milhões de pessoas já adotaram esses ativos como alternativa às moedas locais, aproveitando a facilidade de acesso proporcionada pelos smartphones.
Contreras cita um estudo recente da Chainalysis que mostra como as criptomoedas se tornaram parte do dia a dia para latino-americanos. O uso desses ativos é especialmente relevante para minimizar os efeitos de crises econômicas em países do Sul Global.
Nações como Venezuela, Brasil, Argentina e México aparecem consistentemente bem ranqueadas nesses estudos, devido ao impacto positivo do cripto em suas economias.
Apesar do rápido crescimento inicial, Contreras acredita que a região pode se beneficiar ainda mais com soluções baseadas em “dólar digital”. As criptomoedas têm potencial para melhorar as transações cotidianas e impulsionar a prosperidade econômica.
Como exemplo, ele cita o envio de remessas para a América Latina, processo que considera burocrático. Taxas de até 20%, horas de espera e até mesmo perda de dinheiro durante a transferência (no caso do mercado informal) são algumas das dores enfrentadas, mas que são facilmente resolvidas com stablecoins.

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