EY diz que sua solução de privacidade para Drex tem vantagem de uso numa só blockchain e de instalação

O Banco Central (BC) finalizou, ontem, os testes com a solução de privacidade Starlight da EY para a plataforma Drex, e agora começam os testes das instituições no piloto. De acordo com a empresa, uma das vantagens dessa solução é a opera em plataforma blockchain única, diferente da solução da Parfin, por exemplo, que é uma das três a serem testadas – a outra é da Microsoft. E já que o assunto é privacidade, sua solução não prevê acesso do BC aos dados das transações, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A solução da EY utilizada o chamado “SwapEscrow” (algo como garantia de troca, em português), um contrato inteligente que faz todas as ações de negociações de atacado e que fica na plataforma Drex, controlada pelo BC. No caso do teste em curso com títulos públicos federais, isso inclui, por exemplo, proposta de venda de um título público de um cliente de um banco para o cliente de outro banco, troca do ativo pelo pagamento (DvP) e fechamento da operação.

Além disso, faz a conversão do real tokenizado da carteira do cliente A para Drex – usado nas operações entre as instituições – e depois conversão do Drex para real tokenizado na carteira do cliente B, o vendedor. Tudo acontece com o uso da tecnologia Zero Knowledger Proof (ZKP), em que pela criptografia se comprova a veracidade de uma informação. Mas, sem que seja totalmente revelada para os envolvidos na transação.

De acordo com Thamilla Talarico, sócia líder da EY para Blockchain e Ativos Digitais, o entendimento da EY é a de que a privacidade de dados é para o estado não acessar o que está onchain e em tempo real na rede. Colocar dado na mão do governo não pode ser a melhor solução. Pode acabar gerando poder demais. Isso não faria sentido, já que a discussão é privacidade, afirmou. Portanto, o BC conseguiria ver as operações, mas sem ter os dados dos clientes, por exemplo.

Thamilla lembrou que no início das discussões do Drex, assim como acontece em discussões de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) em outros países, a privacidade de dados de clientes é sempre questionada. No caso do Brasil, há ainda a questão de se usar uma blockchain pública, a Hyperledger Besu, que deixa visíveis transações entre os participantes da rede. É por isso a busca agora por privacidade. Assim, se o BC precisar dar um dado por ordem judicial, será preciso rever a LGPD, diz Thamilla, que é advogada. No entanto, tecnicamente seria possível abrir dados com a Starlight.

Jeff Prestes, especialista em Blockchain da EY que liderou o desenvolvimento da Starlight junto com a equipe do Reino Unido, afirmou que o foco da solução é em operações de atacado, que são as com o Drex. Isso, então, é o que acontece dentro do SwapEscrow.

“Entretanto, a instituição pode fazer completar o ciclo todo da operação (com as conversões entre Drex e real tokenizado dos clientes) já na hora de fazer o DvP com com chamadas de APIs. Isso não é passo obrigatório (na solução), porque cada banco tem sua política, seu controle de tesouraria. Então, deixamos para cada banco fizer isso se e quando for oportuno”, completou.

Prestes disse ainda que a EY buscou criar uma solução fácil de se instalar. “Com tudo o que vimos de ZK, focamos em simplicidade, porque as áreas de TI dos bancos estão sobrecarrega, já têm muito para gerenciar.” Ele ressaltou que o modelo, apresentado hoje (26) na Febraban Tech 2024, pode também ser adaptado para outas instituições e governos. Na verdade, o objetivo da EY é ir além do Drex com a solução e prover a solução open source, globalmente. A SwapEscrow pode ser usada em outras redes.

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