ConsenSys deixa participação ativa no teste do real digital, a CBDC do Banco Central

Joseph Lubin, CEO da ConsenSys. Imagem: Wiki Commons.

A norte-americana ConsenSys, uma das empresas mais conhecidas em soluções Ethereum, deixou de participar ativamente dos testes do real digital, a moeda digital do Banco Central (BC). Sua participação era no consórcio liderado pela Visa e que inclui a Microsoft. Nesse caso, o teste é de uso de uma plataforma de finanças descentralizadas (DeFi) de interação global. O objetivo é que pequenas e médias empresas obtenham propostas competitivas de crédito.

O BC disse ao Blocknews que “no início dos trabalhos foi informado de que a tecnologia provida pela ConsenSys continuaria a ser utilizada, mas que a empresa não participaria das reuniões da fase de desenvolvimento do modelo de negócios. O LIFT Challenge é uma etapa de definição de casos de uso para o Real Digital, onde a plataforma tecnológica é um elemento de suporte. Considerando esse foco, a escolha da infraestrutura tecnológica cabe ao participante.” O banco anunciou os nomes dos nove consórcios vencedores em março passado, mas os trabalhos começaram em setembro passado.

Procuradas pelo Blocknews, a Consensys e a Visa não comentaram o assunto. A Visa disse ao Blocknews apenas que “iniciou o desenvolvimento do MVP (Produto Viável Mínimo) do projeto selecionado no Lift  Challenge, que trabalha o financiamento de pequenas e médias empresas com base em uma solução de finanças descentralizada (DeFi). Nossos pesquisadores e engenheiros, em parceria com a Microsoft, desenham um protótipo funcional, seguindo as recomendações e as orientações do Banco Central, para a entrega da proposta da solução”. Assim, não confirmou se continua usando a solução Ethereum da ConsenSys.

ConsenSys já conversou com outros BCs

Em evento recente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, citou testes do real digital em Ethereum, uma rede pública, e Corda, uma rede permissionada da R3. Um dos outros protocolos usados é o Stellar. Os testes do real digital incluem também estudos sobre pontes entre as duas redes.

Isso porque para um projeto de governo, uma rede pública pode ser aberta demais em relação aos dados da nova versão da moeda fiduciária brasileira, por exemplo. A fechada como a Corda e a Hyperledger conferem menor exposição. Mas, a Ethereum é a principal blockchain para finanças descentralizadas, que é onde o BC vê vantagem em ter o real digital, ao integrá-lo a produtos e serviços nesse ambiente.

Se houver interoperabilidade, seria possível algo como o governo usar um tipo de blockchain e os bancos emissores de stablecoins lastreadas no real digital usarem outra. E todos conversam, ou seja, o real digital transita de um lado para outro sem problemas.

Em janeiro passado, o CEO da ConsenSys, Joseph Lubin, disse que a empresa estava trabalhando com diversos bancos centrais do mundo em projetos de CBDCs. Inclusive com o brasileiro. “Nós construímos um sandbox para ajudá-los e fizemos projetos nos quais construímos demonstrações ou projetos piloto”, disse em evento do Future of Money da Exame. Em março, a empresa anunciou sete vagas no Brasil, que é um dos principais mercados de sua carteira digital, a MetaMask.

Empresa tem a MetaMask, carteira de criptomoedas

Para fontes de mercado, a ConsenSys pode ter optado por deixar o projeto ativamente porque isso inclui alocação de recursos tanto financeiros, quanto de profissionais. Além disso, não é um projeto com receita garantida. Há também quem veja na decisão da ConsenSys um possível foco em criptomoedas e não em blockchain para negócios ou governos. No Brasil, um dos maiores mercados do mundo em usuários, recentemente a empresa anunciou integração da MetaMask com o Pix.

Os testes do Lift Challenge devem acontecer até fevereiro de 2023. Depois disso, o Banco Central divulgará um relatório com resultados e também abrirá um processo para escolher projetos piloto para o real digital. Tudo dando certo, deve começar a lançar essa versão da moeda em 2024.

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