O responsável pelo projeto Drex no BC, Fabio Araújo, afirmou, hoje (27), que “tem ainda bastante trabalho a fazer, mas o Banco Central tem o objetivo de levar para a população, no médio prazo, serviços que possam ser testados no ambiente Drex. E talvez relaxar algumas diretrizes da iniciativa. O BC “evoluiu bastante na exploração delas e viu que não teve um resultado tão firme quanto se gostaria. Então, provavelmente teremos de revisitar as diretrizes para ver o que pode ser relaxado”.
Araújo disse ainda que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) querem construir um sistema para testar outros casos de uso do Drex, além daqueles que estão no piloto da plataforma. “Nessa nova plataforma, o Banco Central (BC) também entraria colaborando para garantir que os dois ambientes interoperem de maneira natural”.
De acordo com o diretor do BC, que participou de um evento da Clearsale sobre o Drex, a discussão inclui se a de se esse novo sistema seria uma rede como a do Drex e interoperável com ela. Outra opção é se as duas instituições deveriam ter um conjunto de nós na plataforma Drex com os participantes do mercado de capitais. A CVM, completou Araújo, foi convidada anteriormente para levantar um nó na rede Drex, mas por falta de recursos, não conseguiu. “Talvez com a Anbima possa avançar neste ponto”.
Araújo comentou ainda que a revisão dos fluxos de negócios dos projetos dos atuais participantes do piloto do Drex é muito demandante. Isso “acabou ocasionando um resultado não muito bom para a seleção da segunda etapa, porque não tivemos disponibilidade de pessoal para adicionar novos casos de uso”. O BC cancelou a participação de novas empresas no piloto do Drex.
Segundo ele, “a decisão foi um reflexo do nivel de engajamento que é preciso para acompanhar projetos e para terem fluxos desenhados de uma maneira que façam sentido”. No piloto, afirmou que se identificou um desafio no mercado para adaptar modelos de negócios do ambiente centralizado para o desencentralizado”. E afirmou que esse processo envolve habilidades novas.
Disse ainda que novos entrantes demandaria muitos recursos técnicos e adminstrativos e que a decisão de cancelar a inclusão deles foi muito analisada. “Houe casos interessantes, complementares, mas nenhum deles redirecionaria os projetos do piloto. Temos interesse neles, mas demandaria muito esforço do Banco Central”. E faltam recursos bc e faltam recursos em todos os projetos, do Pix ao Drex, afirmou.
Segundo o diretor do BC, a Fase 2 do piloto da plataforma tem planejado um check point na metade deste ano “para avaliar a evolução nessa fase” e definir próximos passos para ir a mercado no prazo mais breve possível”. E disse que o BC disse aos participantes que podem trazer novas sugestões de soluções de privacidade, o calcanhar de Aquiles do projeto. O consórcio das cooperativas financeiras, que inclui instituições como Sicred e Sicoob, sugeriu uma nova e quer apresentar para os outros para ver quem quer participar do desenvolvimento.
Ao comentar a evolução de cada projeto da Fase 2 atual que acontece com os mesmos participantes da Fase1 desde outubro de 2024, afirmou que todos estão bem encaminhados.
“Percebemos no início do processo que a maioria dos participantes, com exceção da piscina de liquidez, trouxe soluções muito próximas do que existe no mercado tradicional. Quando se faz a transição para ambiente descentralizado, várias coisas que são úteis no centralizado, deixam de ser úteis nesse ambiente. E o que não é importante no centralizado passa a ser importante no descentralizado. Conversamos com os participanes para refinar os fluxos de negócios e avançamos bem”.
Ele citou também a finalização da primeira etapa de um projeto de pesquisa da XRP, Polkadot e Universidade Federal do Rio de Janeiro dentro do Lift Learning da Fenasbac, a entidade dos servidores do BC. A pesquisa é de soluções de interoperabilidade entre redes blockchain e o Drex. Houve “resultados bem interessantes e está ajudando o Brasil a participar de debate internacional” sobre interoperabilidade.
Para Araújo, o fato de os Estados Unidos não entrarem em CBDC é mais do que compensada no ambiente de ativos digitais. Ganha-se escala, testes que o mercado pode absorver, permitindo que os projetos possam passar pelos testes, afirmou. “Olhando do lado só da CBDC, quando se fala em stablecoin de dólar, realmente acho que pode funcionar. Os bancos tem liquidez em dólar, todo mundo sabe operar em dólar. Não precisa do governo fazendo um esfoço para a ferramenta de liquidação chegar ao usuário final”.
Porém, para uma CBDC de país emergente como o Brasil, “não é realista” afirmar que vai se usar stablecoin sem uma coordenação do BC. “Para os países emergentes, os BCs avaliam que uma CBDC é uma boa solução para pagamentos transfronteiricços”. A consulta pública sobre stablecoins, que se encerra hoje, tem gerado enorme debate no mercado de ativos digitais e câmbio. As empresas consideram que vai criar limitações.