Inverno cripto reforça discurso pró-regulação; Inglaterra diz que sem isso, é voar em aviões inseguros

“As pessoas não voam longe em aviões inseguros”. Foi o que disse hoje (12) o vice-presidente do Banco da Inglaterra, o banco central do país, Jon Cunliffe, ao comentar a necessidade de regulação dos criptoativos e como o inverno cripto atual está indicando essa necessidade. A queda abrupta dos preços das criptomoedas reforçou o discurso de governos de que é preciso enquadrar o setor dentro de leis, tanto que ontem (11), o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), organismo internacional que monitora o sistema financeiro mundial e faz recomendações aos países, disse basicamente o mesmo que o funcionário da autoridade inglesa.

Para Cunliffe, o inverno cripto deu quatro lições. Uma delas é a de que a tecnologia pode mudar a maneira como os riscos são gerenciados e distribuídos, mas não os elimina e não muda o fato de que há riscos na economia e nas finanças. Um dos motivos é que a maioria das criptos, acrescentou, não tem lastro em algo real e são vulneráveis a quanto quem comprar quer pagar. Isso ajuda a gerar a alta volatilidade.

Além disso, os reguladores deveriam continuar a acelerar o trabalho para a implantação de regulação efetiva do uso de tecnologias de cripto em finanças. Outro ponto, de acordo com ele, é que “a regulação deve ser construída no princípio ferro de que “mesmo risco, mesmo resultado regulatório”. E quanto à questão do avião, o representante do banco inglês disse que as tecnologias oferecem a perspectiva de uma inovação e de uma melhoria substancial nas finanças. “Mas, para a inovação ser bem sucedida e sustentável, a inovação sustentável deve acontecer dentro de um marco regulatório com riscos controlados.”

Caso os reguladores não façam essa regulação para inserir a tecnologia das criptomoedas nas finanças. Ou então fazer o contrário. “A lição que devemos tirar desse episódio é que cripto é acabou e não precisamos nos preocupar mais com isso.

Para o FSB, os criptoativos e os mercados devem estar sujeitos a regulação e monitoramento conforme os riscos que colocam nos mercados domésticos e internacional. As stablecoins também devem estar sob regulações robustas e supervisões das autoridades “se forem adotadas em larga escala como meio de pagamento ou tiverem um papel importante no sistema financeiro”. O Conselho vai enviar ao G-20, grupo das maiores economias do mundo, em outubro, um relatório sobre abordagens de regulação e supervisão de stablecoins e criptoativos.

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